Uriah Heep: 55 anos de "Look At Youself"

 

"Look At Yourself", do Uriah Heep, completa 55 anos de lançamento em 2026.

Neste último domingo, 20 de setembro, o terceiro disco de estúdio dos britânicos do Uriah Heep, “Look At Yourself“, completou 55 anos de lançamento (embora alguns dizem que o play saíra em 8 de novembro do mesmo ano). Bom, independentemente acerca da data, o fato é que a obra foi gravada no Landsdowne Studios, em Londres, durante o mês de julho de 1971 e foi produzido por Gerry Bron. O material saiu pela Bronze Records e Islands Records, além da Mercury, nos Estados Unidos.

O material marcou a despedida do baixista Paul Newton e é considerado um dos melhores álbuns não só do Uriah Heep como do Heavy Metal/Rock Progressivo, assim como “Demons And Wizards” (1972). Afinal, Ken Hensley deu muito peso com suas teclas encorpadas, o wah wah insano das guitarras de Mick Box, o baixo seguro de Paul Newton e os vocais dramáticos e todo o carisma de David Byron corroboraram bastante para que o disco esteja no rol de melhores álbuns da década de 1970.

O álbum começa com tudo com a sua faixa-título, com seu ritmo cadenciado e peso, com os vocais de Hensley, além da presença de três integrantes do grupo de percussionistas do Osibisa, formado por africanos e caribenhos refugiados na Inglaterra. Um clássico que tem uma ótima presença de teclados na música em que o Ken faz uma convocação para uma autoavaliação. Aliás, os vocais seriam feitos por David Byron, mas ele teve uns problemas de garganta durante a sessão de gravação. A faixa seguinte é “I Wanna Be Free” que, conforme o título entrega, aborda a questão da liberdade, em uma ótima faixa Hard Rock intensa, com dosagens bem acertadas das icônicas harmonias vocais dos caras. E o lado A encerra com a épica “July Morning“, escrita por Ken Hensley e David Byron. A longa música é marcada pela intensidade, mudança de ritmo, virtuosismo, peso, enfim, todos os adjetivos possíveis, o que faz dela uma das melhores canções da banda (e do rock). Bom, como suspeito para falar sobre Deep Purple, considero “July Morning” uma espécie de “Child In Time” do Uriah Heep (aliás, ambas têm um pouco mais de dez minutos). Musicão. Uma ex-namorada minha (que acho que não conhecia a banda) curtia muito essa música (não sei ela ainda gosta da música).

A outra parte da obra começa com “Tears In My Eyes“, um belo Hard Rock, bem enérgico, com Hensley mandando ver no slide guitar e uma interpretação absurda de Byron. E outra ótima presença das harmonias vocais na bonita canção que fala sobre um rompimento amoroso. Os caras seguiram ainda na pegada relacionado ao amor em “Shadows Of Grief“, que trata de um conturbado relacionamento. Inclusive, essa merece atenção pelo ótimo instrumental por conta do mergulho que o Uriah Heep dá no Rock Progressivo com doses cavalares de Hard Rock, com mais de oito minutos de virtuosismo e um show à parte de Ken Hensley nos teclados. A penúltima faixa é a intimista “What Should Be Done“, uma balada conduzida pelo piano e outra grande atuação de David Byron. E, para encerrar a obra original, a curta “Love Machine“, um Hard Rock básico, direto, com uma parte rítmica excelente que é bem conhecida para quem curte Deep Purple.

Ao longo desses 50 anos, “Look At Yourself” ganhou versões que foram relançadas e remasterizadas, como a de 1996, com duas faixas bônus, assim como a edição “deluxe”, que vem de mais sete faixas extra e a ótima edição lançada em 2017 com o “expanded deluxe edition”, que vem acrescido de um CD bônus com 11 faixas com versões alternativas de diversas faixas.

Em “Look At Yourself” temos 40 minutos de pura arte, uma obra-prima que merece ser conferida cada segundo. O “pecado” dele é o mesmo do “Rising” (1976), do Rainbow: o curto tempo de duração e a pouca quantidade de músicas deixando aquela sensação de “já acabou?”. Um registro que não é só recomendável, como é obrigatório para quem gosta do rock setentista. Essencial para quem curte a Santíssima Trindade do Heavy Metal – Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Look At Yourself
Intérprete: Uriah Heep
Lançamento: 20 de setembro de 1971
Gravadora/Distribuidora: Bronze Records, Island Records e Mercury Records (Estados Unidos)
Produtor: Gerry Brown

David Byron: voz (exceto em “Look At Yourself“)
Ken Hensley: teclados, piano, violão, guitarra, backin vocal e voz em “Look At Yourself
Mick Box: guitarra e violão
Paul Newton: baixo
Iain Clark: bateria

Manfred Mann: sintetizador em “July Morning” e “Tears In My Eyes
Loughty Amao, Mac Tontoh e Ted Osei (do Osibisa): percussão em “Look At Yourself

1. Look At Yourself (Hensley)
2. I Wanna Be Free (Hensley)
3. July Morning (Byron / Hensley)
4. Tears In My Eyes (Hensley)
5. Shadows Of Grief (Byron / Hensley)
6. What Should Be Done (Hensley)
7. Love Machine (Box / Byron / Hensley)

Por Jorge Almeida

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