Sérgio Britto: 20 anos de “Eu Sou 300”

 

"Eu Sou 300", do aniversariante Sérgio Britto, completa 20 anos de lançamento em 2026.


Hoje, 18 de setembro, o titã Sérgio Britto completa 67 anos. Então, como forma de homegeá-lo, bora abordar a respeito de “Eu Sou 300”, o seu segundo disco solo que, em 2026, completa 20 anos de lançamento. Produzido por Emerson Vilani, o material saiu pela Arsenal Music/Universal e é um material menos experimental em relação a “A Minha Cara” (2000).


Ao longo de seus anos de estrada, Britto edificou uma trajetória autoral que, diversas vezes, ficou à sombra dos demais colegas de banda e, mesmo assim, foi protagonista de alguns dos clássicos titânicos, como “Epitáfio”, “Desordem” e “Go Back” (só para citar três). Em “Eu Sou 300”, o tecladista aumenta a cancha autoral e traz um disco mais direto e franco.


O título do álbum veio do poema homônimo de Mário de Andrade e sintetiza perfeitamente com o parecer do artista: uma obra irrequieta, cosmopolita e ligado às modificações do dia-a-dia. A começar por “São Paulo (Cosmópolis)”, que situa a atmosfera do disco ao retratar o caos e a poesia urbana da cidade de São Paulo. Em seguida, vem “Na Linha do Horizonte”, uma faixa melódica e acessível, que foi feita m parceria com Arnaldo Antunes. O terceiro tema é a irreverente “Chulapa Free”, uma regravação da banda Tiroteio e que “foge” um pouco da proposta da obra, mas traz um frescor esportivo e divertido. Sim, a música é uma espécie de homenagem ao ex-centroavante Serginho Chulapa (lembrando que Sérgio Britto torce para o Santos). Aliás, é a segunda vez que a música regrava uma música do grupo santista. A primeira foi “Eu Não Aguento”, faixa que abre o álbum “Domingo” (1995), dos Titãs. Mas, prosseguindo aqui, na sequência, o play traz “Vem Andar Comigo”, uma pop de batida envolvente, melodia fácil de assimilar e de apelo radiofônico. A faixa cinco é “Anticorporativa”, uma crítica e ácida a respeito das presenças das grandes corporações e da tecnologia na vida das pessoas e uma reflexão a respeito do progresso atrelado ao excesso de automação e ao dispêndio abusivo dos produtos tecnológicos (detalhe: ele abordou sobre o tema em 2006, imagine hoje?). Enquanto isso, em “Um Novo Samba”, apesar do título, é um rock guiado pelas guitarras de Vilani e chama atenção pela combinação de elementos de rock e referências à música brasileira, além do instrumental pujante. O play chega à metade com “Raquel (DDD)”, outra balada, porém, mais intimista, pois, Britto homenageia a sua esposa.


Depois, em “Café Expresso”, Sérgio Britto contempla o ouvinte com um pop rock leve, acelerado e que poderia ter uma potencialidade radiofônica. Posteriormente, vem “Já Dizia Rogério Duarte”, que é uma homenagem explícita e com forte sotaque e ecos tropicalistas. Na sequência, em “Nós”, temos uma faixa intimista e poética baseada nos versos de Rennó, em que Britto submerge em uma extensão mais introspectiva e reflexiva. Depois, em “O Ritmo do Seu Coração”, o músico robustece mais uma vez o lado melódico no álbum. A penúltima música é “Agora Eu Quero a Verdade”, que mostra o olhar crítico de Sérgio Britto sobre o cenário político brasileiro em uma boa sacada de se atentar ao cotidiano e traduzí-lo em música. Por fim, a instrumental “José”, que é focado no piano e dedicado ao seu filho.


Embora Eu Sou 300 perca um pouco de intensidade na segunda metade, o conjunto mantém uma identidade consistente e revela um Sérgio Britto mais seguro de sua linguagem. O álbum funciona como uma representação bastante intensa de sua personalidade artística longe dos Titãs e mostra também a competência de Sérgio Britto como compositor e intérprete.


A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Eu Sou 300
Intérprete: Sérgio Britto
Lançamento: 2006
Gravadora/Distribuidora: Arsenal Music e Universal Music
Produtor: Emerson Vilani

1. São Paulo (Cosmópolis) (Sérgio Britto)
2. Na Linha do Horizonte (Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)
3. Chulapa Free (Banda Tiroteio)
4. Vem Andar Comigo (Sérgio Britto)
5. Anticorporativa (Sérgio Britto)
6. Um Novo Samba Enredo (Sérgio Britto)
7. Raquel (DDD) (Sérgio Britto)
8. Café Expresso (Sérgio Britto)
9. Já Dizia Rogério Duarte (Sérgio Britto)
10. Nós (Carlos Rennó / Sérgio Britto)
11. O Ritmo do Seu Coração (Sérgio Britto)
12. Agora Eu Quero a Verdade (Sérgio Britto)
13. José (Sérgio Britto)

Por Jorge Almeida

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