Romance ambientado em São Paulo acompanha homem que escolhe as ruas e questiona os limites entre vício e liberdade *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Maurílio de Sousa Jr lança a segunda edição de "Na Rua" na Bienal de SP; experiência familiar com o alcoolismo inspirou a criação de um personagem que ganhou vida própria na ficção
Uma motocicleta desce sozinha pela Rua Augusta,
durante a madrugada, enquanto um homem corre atrás dela. A cena insólita é
testemunhada por Alcebíades, personagem de “Na Rua”, romance de
Maurílio de Sousa Jr que ganha uma segunda edição durante a Bienal
Internacional do Livro de São Paulo, no dia 11 de setembro, das 19h às
22h, no estande da Literabooks, no Distrito Anhembi.
Para Alcebíades, a moto sem piloto é mais do que uma
ocorrência absurda no centro de São Paulo: é a imagem de sua própria
existência. Inteligente, articulado e marcado por sucessivas tentativas de
reabilitação, ele vive há anos nas ruas e, ao lado de João, companheiro de
calçada, passa a noite reconstruindo sua trajetória.
A narrativa percorre diferentes momentos da vida do
personagem, desde os primeiros contatos com o álcool até as internações em
instituições de tratamento. Em uma delas, Alcebíades chega a se tornar
terapeuta de dependentes químicos e encontra Laura, por quem se apaixona.
Depois de uma recaída, porém, retorna às ruas, onde passa a sobreviver como
vendedor de canetas e vigilante informal e encontra uma comunidade formada por
personagens como Tirésia e Pires.
É nesse ambiente que o romance desloca a discussão
sobre o alcoolismo para questões mais amplas. A rua deixa de aparecer apenas
como cenário de abandono e passa a ocupar um lugar central na visão de mundo de
Alcebíades, enquanto São Paulo, especialmente regiões como Augusta, Paulista e
Sé, participa ativamente da construção da narrativa.
No centro da história está uma contradição: depois
de tantas tentativas de recuperação, Alcebíades não deseja mais voltar àquilo
que os outros entendem como normalidade. Para ele, a vida nas ruas representa
uma forma particular de liberdade, e o álcool assume um significado que
ultrapassa a ideia convencional de vício. O romance explora justamente essa
tensão entre dependência e identidade, sanidade e loucura, liberdade e
degradação.
Da experiência pessoal à ficção
A origem de “Na Rua” está em uma experiência pessoal
de Maurílio: um pessoa próxima enfrentou problemas relacionados ao alcoolismo.
A situação despertou no escritor o desejo de transformar aquela proximidade em
literatura. Dela nasceu Alcebíades, personagem inteiramente ficcional, sem
relação direta com o autor ou com o familiar que serviu de inspiração.
A situação despertou no escritor o desejo de
transformar aquela proximidade em literatura. Dela nasceu Alcebíades,
personagem inteiramente ficcional, sem relação direta com o autor ou com o
familiar que serviu de inspiração.
“Foi uma inspiração para criar
um personagem completamente novo, que não tem relação comigo, mas que enfrenta
um problema real e presente na vida de muitas pessoas. O que me interessava era
transformar essa experiência em literatura e acompanhar as contradições desse
personagem”, afirma Maurílio.
A escolha pela ficção também permite que o autor não
ofereça respostas prontas para as questões enfrentadas por Alcebíades. Maurílio
não fala a partir da perspectiva de um profissional de saúde, mas da
literatura, construindo um personagem que apresenta sua própria lógica para
explicar as escolhas que faz.
O romance, portanto, não pretende apresentar uma
interpretação clínica do alcoolismo. A dependência funciona como uma das lentes
utilizadas pela narrativa para observar o personagem, suas relações, a vida
urbana e a fronteira entre aquilo que a sociedade considera normal e aquilo que
Alcebíades entende como liberdade.
O autor
Nascido em São Paulo e radicado no Mato Grosso do
Sul, Maurílio de Sousa Jr desenvolveu desde cedo o interesse pela escrita e
pela capacidade das palavras de transformar realidades e criar mundos. Mestre
em Sociologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), dedicou
parte de sua produção acadêmica a questões relacionadas à fronteira
sul-mato-grossense.
Na literatura, seu trabalho parte do interesse pelas
relações humanas e se desenvolve entre contos e romances. “Na Rua”, seu
primeiro livro, retorna agora em uma segunda edição, revista e ampliada.
Créditos: Vivian | Agência 2205wv
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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