Exposição “Macunaíma É Duwid” na Pina Estação
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| "Makunaíma conversa com o espírito do caxiri nos pés de batata roxa" (2023), de Gustavo Caboco. Créditos: Divulgação |
Com curadoria do artista e ativista indígena Gustavo Caboco e acompanhamento de Thierry Freitas, a exposição “Macunaíma É Duwid” está em cartaz até o próximo domingo, 13 de setembro, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, mais precisamente na Pina Estação. A mostra reúne cerca de 120 obras que revisitam de forma crítica o personagem criado por Mário de Andrade no livro “Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter” (1928). A ideia da exposição é permitir uma nova leitura da obra a partir do ponto de vista dos povos originários do Norte do Brasil.
Então, em meio a pinturas, gravuras, esculturas e documentos, a mostra coloca lado a lado obras ligadas ao modernismo brasileiro e produções de artistas indígenas contemporâneos. Participam artistas e pensadores das etnias Wapichana, Makuxi, Taurepan, Akawaio e Patamona, além de nomes como Denilson Baniwa, Carmézia Emiliano, Jama Wapichana e Bartô Makuxi.
O ponto central da mostra é Duwid, figura remota presente nas tradições de diferentes povos do Norte do país e conexo à força criadora do mundo. Segundo a pesquisa apresentada pela exposição, Duwid teria inspirado a criação de Macunaíma. Para os povos de língua Karíb, ele é conhecido como Makuna’imî, enquanto entre os Wapichana é chamado de Duwid.
A mostra também permite a indagar a maneira como alusões indígenas foram apropriadas e decompostas pelo modernismo brasileiro. Ao longo das décadas, Macunaíma recebeu diferentes escólios e nomes, muitas vezes afastados de suas origens indígenas. A exposição procura readquirir essas narrativas e expandir o espaço para que os próprios povos originários exponham suas versões da história.
Dividida
em três salas, a exposição inicia pautando a afinidade de Mário de Andrade com
o modernismo e as diferentes representações de Macunaíma na arte e na cultura
brasileira. A segunda sala debate os processos de catequização e de transformação
das referências indígenas durante o período colonial. Já a terceira apresenta
trabalhos desenvolvidos pelo grupo de estudos Ajuri, formado em 2024 por
artistas, pesquisadores, pensadores e ativistas indígenas de Roraima.
Entre os participantes, por exemplo está a artista macuxi Carmézia Emiliano, que apresenta a pintura “Fazendo Redes” (2019). Sua produção é caracterizada pela representação dos conhecimentos, rituais e práticas tradicionais de seu povo.
Em meio aos destaques estão obras como “Macunaíma, a Ficção”, de Gustavo Caboco, constituída por uma instalação com 50 exemplares do livro “Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter”, de Mário de Andrade; trechos do filme “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; e “Vingança dos Makunaímas, da série Makunaímas” (2026), uma acrílica sobre tela, de Mario Flores Taurepan; e "Makunaíma conversa com o espírito do caxiri nos pés de batata roxa" (foto), de 2023, de Gustavo Caboco.
Para Gustavo Caboco, a exposição não ambiciona apenas tratar uma possível apropriação cultural, mas colocar em diálogo diferentes visões sobre Macunaíma e sobre as narrativas indígenas que ficaram por muito tempo à margem da história da arte brasileira. O projeto, desenvolvido ao longo de dois anos, busca transformar o museu em um espaço de reconhecimento e ressignificação dessas histórias.
SERVIÇO:
Exposição: Macunaíma É Duwid
Onde: Pinacoteca do Estado de São
Paulo (Pina Contemporânea) – Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia
Quando: até 13/09/2026; de
quarta-feira a domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$ 30,00 (inteira); R$
15,00 (meia-entrada); gratuito aos sábados para o público em geral
Por
Jorge Almeida

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