Wings: 50 anos de “Wings At The Speed Of Sound”
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| "Wings At The Speed Of Sound", do Wings, que completa 50 anos de lançamento em 2026. |
No dia 25 de março passado, o quinto álbum de estúdio do Wings, “Wings At The Speed Of Sound”, completou 50 anos de lançamento. Gravado entre agosto e outubro de 1975 e de janeiro a fevereiro de 1976, no Abbey Road, em Londres, a obra saiu pela Capitol e teve a produção assinada por Paul McCartney.
A
obra é considerada um dos trabalhos mais importantes da fase em que Paul
McCartney buscava solidificar a banda depois do fim dos Beatles. O disco chegou
às lojas em um período de grande notoriedade do grupo e enquanto o Wings se armava
para a ampla turnê Wings Over The World, que passaria por Europa, Estados
Unidos, Canadá e Austrália.
O play surgiu como uma resposta às críticas de que o grupo
seria meramente um veículo para Paul McCartney. Para contrapor essa percepção, Macca
buscou dar mais cancha aos companheiros. Todos os membros participaram dos
vocais principais em pelo menos uma faixa, uma decisão que pretendia expor o
Wings como uma banda de fato, e não puramente como um projeto solo de Paul
acompanhado por músicos.
Essa
sugestão fica nítida ao longo do disco. Denny Laine, por exemplo, assume os
vocais em “Time To Hide”, assim como Joe English canta “Must Do
Something About It”; Linda McCartney, por sua vez, interpreta “Cook Of The
House”, e Jimmy McCulloch divide os vocais em “Wino Junko”,
composição feita em parceria com Colin Allen. Paul, naturalmente, seguiu como o
principal compositor e intérprete, mas o álbum procura partilhar os espaços de
maneira mais democrática.
O
grande destaque é “Silly Love Songs”, uma das músicas mais populares de
toda a carreira de McCartney. A canção abrolhou como um revide às críticas de
que ele fazia só músicas românticas e superficiais. Em vez de abdicar essa
característica, Paul a transforma no próprio tema da composição, questionando
por que haveria algo de inconveniente em escrever “canções bobas de amor”. Com
uma forte influência da música disco, baixo marcante, arranjo sofisticado e
excelentes harmonias vocais de Paul, Linda e Denny Laine, a faixa se tornou um
enorme sucesso e chegou ao topo das paradas norte-americanas.
Outro
grande momento é “Let ’Em In”, indicada como um dos principais singles
do álbum. A música tem uma construção visivelmente simples, aperfeiçoada em uma
batida constante, percussão e uma melodia assaz acessível. Por trás dessa doçura,
porém, existe um arranjo cuidadosamente elaborado, que ajuda a esclarecer por
que a faixa se tornou um dos grandes sucessos do Wings.
Entre
as composições mais fortes do álbum está também “Beware My Love”. A
música começa de modo relativamente refreada, próxima de uma balada de
inspiração folk, mas cresce progressivamente até desembocar em um enérgico Rock.
Paul proporciona uma interpretação vocal intensa, enquanto a banda arquiteta um
arranjo pesado e eficaz. É justamente aí que o Wings ratifica com mais força
sua envergadura de trabalhar como uma banda de Rock, e não apenas como base
para as canções de McCartney.
Por outro lado, “Warm And Beautiful” concebe a outra extremidade
do play. Pois, trata-se de uma balada delicada, romântica e de arranjo parco,
na qual McCartney aposta mais na música e na interpretação do que em amplos
efeitos de produção. A faixa traz uma qualidade que sempre acompanhou seu
trabalho: a aptidão de criar canções compassivas com estruturas aparentemente
simples, mas melodicamente muito bem trabalhadas.
Já “She’s My Baby” mantém uma linha mais leve e pop e ajuda a conservar a multiplicidade do álbum. E em “The Note You Never Wrote”, cantada por Denny Laine, apresenta uma pegada mais introspectiva e conta com arranjo de Fiachra Trench. A presença de Laine no vocal robustece precisamente a proposta de McCartney de dar individualidade própria aos demais componentes.
Entre
as contribuições dos outros músicos, “Time To Hide” é uma das mais
interessantes. Escrita e interpretada por Denny Laine, a música apresentauma
sonoridade mais próxima de suas próprias influências e quebra um pouco a
predominância estilística de Macca. Por sua vez, “Must Do Something About It”,
da parceria entre Paul McCartney e Joe English, ganhou autoridade justamente
por colocar o baterista no vocal principal.
Aliás,
em “Cook Of The House”,
composta e cantada por Linda McCartney, temos uma das faixas mais peculiares do
disco. Paul toca baixo na gravação, enquanto Linda assume os vocais. A música
tem um caráter descontraído e doméstico, mas acabou ganhando uma recepção mais
fria por parte de alguns fãs e críticos. O mesmo aconteceu com “Wino Junko”,
composição de Jimmy McCulloch e Colin Allen, cantada por McCulloch. Apesar de
ambas terem importância dentro da proposta coletiva do álbum, elas não obtêm a
mesma energia das principais composições de Paul.
Em termos comerciais, “Wings At The Speed Of Sound” foi um
enorme sucesso, pois chegou ao topo na América do Norte e atingiu o segundo
lugar nos charts britânicos. Nos
Estados Unidos, o álbum recebeu certificação de platina, além de obter
certificações de ouro em outros mercados. O bom desempenho contribuiu a
consolidar o Wings como uma das bandas de maior sucesso comercial da década de
1970.
O
álbum também esteve atrelado diretamente ligado à turnê Wings Over The World.
Algumas de suas músicas passaram a fazer parte do repertório dos shows e,
claro, seriam posteriormente registradas no álbum ao vivo “Wings Over America”, lançado ainda em 1976.
Mesmo
sendo bem-sucedido comercialmente, a avaliação crítica inicial do disco foi
mais dividida. Uma vez que parte da crítica considerou o trabalho menos sólido
do que trabalhos anteriores, especialmente se comparado a “Band On The Run” (1973) e “Venus
And Mars” (1975). Ainda assim, “Wings At The Speed Of Sound” tem sua devida importância dentro da
trajetória de Paul McCartney.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Álbum:
Wings At The Speed Of Sound
Intérprete:
Wings
Lançamento: 25
de março de 1976
Gravadora/Distribuidora:
Capitol Records
Produtor: Paul
McCartney
Paul
McCartney: voz, baixo, guitarras e teclados
Linda
McCartney: backing vocal, voz de "Cook
Of The House" e teclados
Denny
Laine: guitarra, piano, harmônica, backing vocal e voz em "The Note You Never Wrote" e "Time To Hide"
Jimmy
McCulloch: guitarras e voz em "Wino
Junko"
Joe
English: bateria, percussão e voz em "Must Do Something About It"
Tony
Dorsey: trombone
Thaddeus
Richard: saxofone, clarinete e flauta
Steve
Howard: trompete e fliscorne
Howie
Casey: saxofone
George
Tidwell: trompete
1. Let 'Em In (P. McCartney / L. McCartney)
2. The Note You Never
Wrote (P. McCartney / L. McCartney)
3. She's My Baby (P. McCartney / L. McCartney)
4. Beware My Love (P. McCartney / L. McCartney)
5. Wino Junko (McCulloch / Allen)
6. Silly Love Songs (P. McCartney / L. McCartney)
7. Cook Of The House (P. McCartney / L. McCartney)
8. Time To Hide (Laine)
9. Must Do Something About
It (P. McCartney / L. McCartney)
10. San Ferry Anne (P. McCartney / L. McCartney)
11. Warm And Beautiful (P. McCartney / L. McCartney)
Por Jorge Almeida

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