The Beatles: 60 anos de “Revolver”
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| "Revolver", dos Beatles, completa 60 anos de lançamento em 2026. |
Hoje, 5 de agosto, marca o 60° aniversário de “Revolver”, o sétimo disco dos Beatles. A data em questão é referente ao lançamento da edição britânica, uma vez que a edição norte-americana saiu três dias depois. Gravado entre abril e junho de 1966 no Abbey Road, em Londres, o play foi produzido por George Martin e lançado pela Parlophone, no Reino Unido, e Capitol, nos Estados Unidos.
Se o disco anterior do Fab Four, “Rubber Soul” (1965), ficou marcado pela inovação, “Revolver”, além de ter sido mais inovador que seu antecessor, afinca de vez os Beatles no Psicodelismo. A evolução experimental apresentada na obra foi algo fora do comum e a inovação sonora e do estilo das músicas devem-se à grande intervenção do engenheiro de som Geoff Emerick, que teve a ideia, por exemplo, de aproximar os microfones dos instrumentos e amplificadores, inclusive, a bateria de Ringo Starr. Antes, os microfones ficavam mais distantes por imposição da EMI, sob o argumento de que era para preservar os instrumentos de captação. A gravadora chegou a reunir-se com o grupo com a intenção de limar este procedimento de gravação, mas Paul McCartney, em nome do grupo, retrucou os executivos ao afirmar que, a partir de então, aquele seria o som que os Beatles passarão a fazer. E o saldo disso foi que a banda ganhou mais autonomia nas gravações, o que resultou no lançamento de verdadeiras obras-primas inovadoras, vide os clássicos “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967) e “The Beatles” (o popular Álbum Branco), de 1968.
Em “Revolver”, o guitarrista George Harrison teve mais participação no processo de criação. Ele assinou três das 14 faixas do disco, algo inédito até então. Esse trabalho também marcou a inovação do grupo ao utilizar loop de fita, gravações ao contrário e automatic double-tracking (ADT) em diferentes momentos do disco, além de ter instrumentos indianos.
A obra começa muito bem com “Taxman“, de George Harrison, em que ele faz uma
crítica aos pesados impostos de renda progressivos estipulados pelo governo
trabalhista de Harold Wilson (primeiro-ministro britânico da época).
Curiosamente, é que, embora a música seja de Harrison, quem fez o solo de
guitarra foi Paul McCartney. A faixa dois é “Eleanor Rigby“, cantada por Paul, que a apresentou
a George Martin sugerindo a inclusão de cordas, como fez em “Yesterday“, mas
sem “copiar” a fórmula daquela canção. A música aborda a solidão lúgubre, especialmente
das pessoas mais velhas. A canção ganhou uma homenagem na cidade-natal da
banda, Liverpool, em 1982, com a estátua esculpida de uma idosa solitária. Em
seguida, aparece “I’m
Only Sleeping“, que é guiada por um violão “semi-folk” seco. A
música tem grande influência psicodélica, como a gravação da voz de John feita
em 45pps, além de apresentar um solo duplo de guitarras feito ao contrário
feito por Harrison. Posteriormente, outra colaboração de George: “Love You To“,
que a fez tendo em mente o uso da cítara, já que ele estava se dedicando a
tocar esse instrumento e mergulhando de vez na música típica indiana. A faixa
tem a participação de Anvil Bhagwat na tabla. Em seguida, em “Here, There And Everywhere“,
uma linda balada de amor composta por Paul (creditada a Lennon-McCartney) que,
na época, estava passando por uma situação complicada em seu relacionamento com
Jane Asher, sua namorada da época, e mostra a nítida influência dos Beach Boys.
Aliás, só no Brasil, a música teve três versões em português: em 1966, com
Ronnie Von (feita em 1966 para o disco que leva o nome do cantor e a versão foi
feita por Fred Jorge, que virou “Amor, Nada Mais“); por Gal Costa, em 1987, no
álbum “Lua de Mel Como o Diabo Gosta“,
mas intitulada “Viver
e Reviver” feita por Fausto Nilo; e, por Rita Lee, em 2001,
justamente no disco que tem o nome da versão – “Aqui,
Ali, Em Qualquer Lugar“. O tema seguinte é uma das
músicas mais conhecidas dos Beatles: “Yellow Submarine“, cantada por Ringo Starr e é
marcada pelo refrão marcante e os vários efeitos sonoros. Embora tenha
colaborado na letra, Donovan não foi creditado como autor. A música tem em sua
letra um tema infantil que depois seria aproveitada para dar título a um
desenho animado feito pelos Beatles. Traz sons de bolhas, barulho de água e
outros barulhos gravados em estúdio. O lado A de “Revolver” termina com “She Said, She Said“, cantada por John Lennon (Paul
não participou das gravações por ter discutido com o parceiro no estúdio e
acabou indo para casa). A letra da música, a princípio, parece ter surgido em
um diálogo entre John Lennon e Peter Fonda, “viajando” no LSD.
O outro lado da “bolacha” começa com “Good Day Sunshine“, cantada por Paul, e que teve o
piano tocado por George Martin e gravado em 56 pps (normalmente seria em 50
pps). Na sequência, vem “And
You Bird Can Sing“, uma típica faixa rock and roll cantada por
John, com Paul e George fazendo a harmonização vocal em alguns trechos e
destaque para o ótimo riff de guitarra feito por Harrison. Já “For No One“,
outra música de Paul inspirada no seu relacionamento com Jane Asher, cuja letra
fala de um amor que está se acabando, o homem vai percebendo que a mulher não o
ama mais, apesar da esperança do interlocutor de que o momento ruim passaria.
Ela foi regravada por Caetano Veloso no álbum “Qualquer Coisa” (1975), cuja capa foi inspirada em “Let
It Be” (1970) e que ainda tem “Eleanor Rigby“. Enquanto isso, “Doctor Robert”
é um rock que contém várias referências às drogas e que, na gíria inglesa, os
traficantes de drogas, na época, eram apelidados de “doutor”. Depois, em “I Want To Tell You”
é a terceira música de Harrison, que fala sobre a frustração que todos sentimos
em relação à tentativa de comunicar certas coisas apenas utilizando as
palavras, enfim, o disparate entre a velocidade do pensamento em relação à
lentidão da fala ou escrita. Destaque para a guitarra evidência de George
Harrison. A penúltima faixa do play é “Got To Get You Into My Life“, onde Paul enaltece a
sua paixão por maconha e a nítida influência da Motown por conta da presença
dos instrumentos de sopro. Por fim, o disco encerra com “Tomorrow Never Knows“,
a faixa mais psicodélica do disco, com muitos efeitos e truques de estúdio, uso
de loops com fitas de áudio, com a fita tendo a velocidade aumentada e
diminuída. A letra fala sobre a meditação e a sua função em transcender os
estados de acordar, dormir e sonhar.
A capa de “Revolver”
foi feita pelo alemão Klaus Voormann, amigo dos Beatles desde os tempos em que
eles foram tocar em Hamburgo no começo da carreira do quarteto. A obra
apresenta uma ilustração feita com desenhos e colagens de fotos (registradas
por Robert Whitaker). Voormann fez cinco versões distintas, das quais escolheu
uma para oferecer ao grupo, que ficaram satisfeitos com a concepção. Inclusive,
em 1966, o disco ganhou o Grammy justamente por causa da capa.
Aliás, como foi dito no começo deste texto em relação à versão
norte-americana do álbum, além de ter sido lançado três dias depois comparando
com a edição britânica, a versão que saiu na terra do Tio Sam de “Revolver” não
contém as faixas “I’m
Only Sleeping”, “Doctor Robert” e “And Your Bird Can Sing” porque elas já haviam
saído no álbum “Yesterday
And Today” (1966), lançado um mês e meio antes de “Revolver” e
exclusivamente para o mercado daquele País
E, como qualquer lançamento dos Beatles, “Revolver” seguiu o mesmo êxito comercial dos seus
antecessores, mas é perceptível que os rapazes de Liverpool alcançaram outro
patamar nesta obra. E, claro, não deixe de ser uma obra-prima obrigatória
para quem gosta de uma boa música.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão britânica) da
obra.
Por Jorge Almeida

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