Ritchie Blackmore & Deep Purple: “o evento do ano”

 

Ian Gillan e Ritchie Blackmore juntos no palco depois de 33 anos. Créditos: Andy Hawkes

Dois grandes eventos marcaram o último dia 12 de agosto: o eclipse solar total, que foi um dos eventos astronômicos mais importantes da década, marcando o retorno dos eclipses totais à Europa continental após mais de 20 anos, e o lendário Ritchie Blackmore subiu no mesmo palco que o Deep Purple após 33 anos. Gostaria de falar sobre o mais importante deles: o “feat” que Ricardinho Pretomais fez na apresentação da banda do qual foi um dos fundadores. Sim, três dias depois, a "ficha parece ainda que não caiu".

Um dia antes do evento histórico, o próprio Blackmore disse durante uma ‘live’ em seu Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night, que iria marcar presença no show e que procurou Ian Gillan para propor uma aparição durante o bis.

E, assim, no show do Deep Purple realizado na quarta-feira, 12 de agosto, no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, em Nova York, no bis, o mestre entrou no palco com a sua Stratocaster e foi, obviamente, bastante ovacionado, trocou algumas palavras ali e tocou “Smoke On The Water”. Ao fim do clássico eterno de “Machine Head” (1972), Ian Gillan fez questão de exaltar o reencontro. “Foi um absoluto prazer ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore”, disse o vocalista diante do público.

Para quem não gosta de rock ou não entende do assunto, o “feat” de Blackmore com o Deep Purple só foi um mero encontro. Mas, para quem conhece a história do grupo e, especialmente, os fãs da banda, esse não foi um mero reencontro, foi uma celebração. Por conta de inúmeros conflitos entre o guitarrista e o vocalista que culminou em idas e vindas ao longo dos anos, essa participação de Ritchie Blackmore pegou todo mundo de surpresa. Afinal, após deixar o Deep Purple em definitivo em 1993, Gillan e Blackmore trocaram várias farpas e ofensas pela imprensa. Nem mesmo quando o Deep Purple foi na cerimônia do Rock & Roll Hall Of Fame, o guitarrista deu as caras (inclusive, outros ex-integrantes do grupo, mais especificamente Glenn Hughes, David Coverdale e a viúva de Jon Lord o representando apareceram no evento).

Contudo, nem tudo são flores, alguns fatores facilitaram esse reencontro por parte de Blackmore. Primeiro: a apresentação aconteceu próximo de sua casa, o que lhe facilitou o deslocamento. Segundo: com 81 anos e diversos problemas de saúde, como crises constantes de enxaqueca, gota (eu tenho essa maldita e sei como é doloroso), hérnias de disco, além de ter sofrido um infarto recentemente, Ritchie Blackmore viu que essa poderia ser a sua última chance de tocar guitarra e, quiçá, com o Deep Purple.

Evidentemente, que a performance de Ritchie Blackmore não foi tão enérgica e explosiva de outrora, pois os mais atentos e críticos observaram que o solo de guitarra não teve a mesma precisão cirúrgica ou velocidade do passado, com o guitarrista investindo uma abordagem mais solta e improvisada. Contudo, os fãs compreenderam a questão das limitações físicas rigorosas, incluindo problemas de mobilidade, o que fez com que Blackmore recorresse a uma injeção de esteroides para conseguir ficar em pé.

Mas, sinceramente, como um ‘purplemaníaco’ que sou, quem sou eu para exigir uma perfeição musical para essa lenda chamada Ritchie Blackmore? O mais importante foi o ato que pode ter significado uma reconciliação com Ian Gillan depois de anos e anos de rixas públicas. OK, foi só uma música. Mas, e daí? Só o fato de vê-los juntos no palco, valeu cada nota. Acredito, sinceramente, a emoção dos fãs que estiveram nesse show in loco deve ter sido a mesma que eu senti quando vi Ronnie James Dio junto com Tony Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice, juntos, como Heaven And Hell, em 2009, tocando os clássicos do Black Sabbath da “era Dio”.

Assim como o guitarrista, o vocalista, também octogenário, tem seus problemas de saúde, como perda parcial da visão (Gillan só tem 30% de visão), mas o importante é que os dois durões deixaram (por pelo menos momentaneamente) as desavenças de lado e fizeram dessa apresentação um dos maiores eventos do Rock nos últimos anos. Rock esse que, a cada ano, vem perdendo seus panteões, diga-se de passagem.

Infelizmente, a tendência é Ritchie Blackmore se aposentar dos palcos e o Deep Purple seguirá na estrada até Ian Gillan aguentar. Aliás, a banda fará show único em São Paulo no próximo dia 5 de dezembro na Suhai Music Hall. Espero conseguir vê-los.

E que pena que o mestre Jon Lord não está mais entre nós. Quem sabe se, caso estivesse, teria aparecido por lá também?

Por fim, um brinde e vida longa para Candice Night, que teve a sua contribuição para que o reencontro acontecesse, um brinde a Ritchie Blackmore, um brinde a Ian Gillan, um brinde ao Deep Purple e um brinde para o Rock And Roll.

Por Jorge Almeida

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Renegado lança MargeNow *

Obrigado, Messi!

"West Plaza: Cheio de História": teatro infantil gratuito do shopping terá a peça "A Princesa e a Fera" no dia 22 de agosto *