Paul McCartney: 40 anos de “Press To Play”
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| "Press To Play", de Paul McCartney, completa 40 anos de lançamento em 2026. |
Nesta terça-feira, 25 de agosto, o sexto disco da carreira solo de Paul McCartney, “Press To Play”, completa 40 anos de lançamento. Gravado entre março e maio de 1985 no estúdio particular do cantor, em Sussex, na Inglaterra, e entre outubro e novembro do mesmo ano no estúdio do músico, mas na Escócia, o álbum foi lançado pela Parlophone no Reino Unido e pela Capitol Records, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo do próprio Paul em parceria com Hugh Padgham.
Depois do fracasso de bilheteria do filme “Give My Regards To Broad Street” (1984), Paul McCartney determinou que era o momento de mudança de ritmo em sua carreira. Para isso, tentou deixar a sua música com uma sonoridade mais contemporânea. Então, Macca escolheu Hugh Padgham para produzir o seu primeiro disco de inéditas desde “Pipes Of Piece” (1983). O produtor, na época, estava em alta na indústria fonográfica britânica por ter produzido o clássico “Synchronicity” (1983), do The Police, além de ter trabalhado com nomes como Peter Gabriel, Genesis, XTC, Phil Collins que, inclusive, participa em uma faixa de “Press To Play”.
Então, em março de 1985, Paul iniciou as gravações das novas faixas, com diversos colaboradores, além de ter contado com as participações especialíssimas de gente como Pete Townshend, Eric Stewart, Eddie Rayner, além do citado Phil Collins.
Todavia, a participação de Padgham no estúdio recém-inaugurado de McCartney em Sussex, foi um pouco tumultuada, pois, como o produtor havia assinado contrato com o Genesis para atuar no próximo disco da banda, “Invisible Touch” (1986), a finalização de “Press To Play” foi ligeiramente prejudicada, o que levou o projeto a passar por diversos adiamentos (inicialmente, o disco estava previsto para sair em julho de 1985).
Aliás, o álbum, originalmente, seria lançado apenas com as faixas que foram trabalhadas durante os dois meses em que o quarteto formado por Paul McCartney, Eric Stewart (guitarra e teclados), Carlos Alomar (guitarra) e Jerry Marotta (bateria). Mas, além da saída de Padgham no meio do processo, o disco teve o lançamento adiado também por conta da negociação de um novo contrato entre Paul McCartney e a Capitol. Com isso, novos temas foram compostos e inseridos no disco, como “Talk More Talk”, “Hanglide”, “Angry” e “Only Love Remains”.
O disco começa com a bela “Stranglehold“, que tem uma boa presença de metais, um ótimo vocal de Paul e uma excelente levada. Depois, em “Good Times Coming/Feel The Sun“, que começa com arranjo que lembra vagamente o reggae “Johnny B. Goode“, na versão acústica feita pelo Cidade Negra, mas depois a música ganha um andamento diferente, mas o melhor da música fica concentrada na segunda parte. O terceiro tema é “Talk More Talk“, em que Paul imerge no universo do SynthPop e New Wave em uma tentativa de sair próximo de Peter Gabriel, mas acabou resultando em uma faixa cansativa. Em seguida, aparece a balada “Footprints“, que é uma boa música e que difere daquilo que Paul fez em sua carreira solo, mas que ela tem um “pé” de “Bluebird“, música de sua ex-banda, o The Wings. E a obra chega à metade com “Only Love Remains“, outra grande balada de Macca, que manda muito bem no piano, embora seja uma faixa triste, sentimental e densa.
O
lado B começa com “Press“,
uma canção pop e que foi lançada como hit e chegou ao top 30 das paradas
britânicas e norte-americanas. Posteriormente, aparece “Pretty Little Head“,
que saiu como single no Reino Unido, mas a música “eletrônica” alcançou um
modesto 75° lugar, mas, sinceramente, uma canção muito abaixo do potencial de
um compositor do quilate de Paul McCartney. A oitava faixa do play é “Move Over Busker“,
que em uma audição mais atenta do ouvinte, poderá remeter a algo do Wings ou de
“McCartney II”
(1980). A penúltima faixa é “Angry“,
que tem as participações especiais de Phil Collins e Pete Townshend, mas que,
particularmente, gosto mais por conta do baixo seguro de Neil Jason e um solo
muito bom de Pete. E, para finalizar, pelo menos o lançamento original da obra,
“However Absurd“,
uma balada com versos mais característicos de John Lennon e que apresenta um
belo arranjo orquestral de Anne Dudley.
Anos
depois, “Press To Play” foi
lançado em CD, com três faixas bônus. Em 1993, a obra ganhou mais dois bônus no
lançamento do “The
Paul McCartney Collection” e mais uma canção como bônus track no
iTunes. Mas nada que mereça um destaque à parte.
Vale
destacar que a fotografia da capa foi feita por George Hurrell, que usou a
mesma câmera de caixa que ele usava em Hollywood nas décadas de 1930 e 1940.
Inclusive, os mais atentos vão perceber que a capa poderia ser uma referência a
“Double Fantasy”
(1980), de John Lennon e Yoko Ono. Contudo, como Hurrell era famoso pelas
imagens feitas de estrelas de cinema, como Clark Gable e Greta Garbo, a capa do
álbum também pode ser interpretada como uma homenagem aos dois atores, que
fizeram um casal romântico em “Susan
Lenox: Her Fall And Rise” (1931).
No
seu lançamento, “Press
To Play” recebeu uma recepção mista da crítica e foi o álbum de
estúdio mais vendido de McCartney até aquele ponto. Bom, não se trata de um
trabalho “imperdível” ou “clássico”, mas sim um disco que pode ser considerado
“regular” ou “bom”, dependendo do estado de humor do ouvinte. Não é algo
imperdível, mas também não é algo desprezível. De 0 a 10, um 5,5 está de bom
tamanho.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist (com faixas bônus) da obra.
Paul
McCartney: voz, baixo, violão, guitarra, piano, teclados e
sintetizadores
Por
Jorge Almeida

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