O GRITO DE HELIÓPOLIS: desmonte cultural e preconceito asfixiam um dos maiores polos artísticos da periferia de São Paulo
À beira da falência por atrasos
em editais públicos, Casa Cultural Alcântara Sampaio corre o risco de fechar as
portas em setembro e deixar mais de 10 mil pessoas órfãs de arte e afeto
São Paulo, agosto de 2026 - O
apagão cultural na periferia de São Paulo ganhou um novo e dramático capítulo.
Após 15 anos de resistência e fomento às artes na comunidade de Heliópolis, o
renomado Impacto Agasias Grupo de Teatro está prestes a perder
sua sede. A Casa Cultural Alcântara Sampaio, inaugurada em 2021
como um símbolo de descentralização e democratização do acesso artístico, corre
o risco iminente de encerrar em definitivo suas atividades ao final de setembro
de 2026. O motivo é um retrato cruel do desmonte cultural silencioso: a asfixia
financeira provocada pela ausência de projetos decorrente de graves atrasos em
editais públicos nas esferas estadual e municipal de São Paulo.
O preconceito geográfico e o
abandono do poder público
Desde novembro do ano passado, os artistas do
coletivo vêm mantendo todas as despesas da sede de maneira totalmente
independente, no limite de suas forças físicas e financeiras. Em nota oficial
publicada nas redes sociais, o grupo denuncia o descaso da classe política e o
preconceito velado da elite cultural paulistana. "Batemos à porta de
vereadores e deputados que, em ano eleitoral, chegaram cheios de promessas.
Depois das eleições, nenhuma delas foi cumprida", desabafa o coletivo.
O grupo relata ainda que convites feitos a
personalidades que discursam publicamente sobre "descentralização" e
"decolonialidade" para conhecer o trabalho em Heliópolis foram
rejeitados sob a mesma justificativa silenciosa: "É muito longe" ou
"É fora de mão". "Ainda existe um preconceito silencioso em
atravessar a cidade para chegar à periferia", pontua a nota do grupo.
O que São Paulo corre o risco de
perder
O fechamento da Casa Cultural Alcântara Sampaio
representa um golpe irreparável na comunidade. Desde sua fundação, o espaço
consolidou-se como um equipamento cultural independente e de atuação
continuada, tendo realizado mais de 120 atividades culturais e
alcançado um público superior a 10 mil pessoas.
O espaço foi o berço de temporadas teatrais
gratuitas de grande repercussão, como as 24 apresentações de Programa
Akáshico em 2025, oficinas continuadas de canto, corpo e teatro
musical, e frentes dedicadas à diversidade de gênero e sexualidade, como
o Bate-Papo e Sarau LGBTQIAPN+ e a Vivência Drag.
Além disso, a casa – carinhosamente apelidada pelo público de "casa de
vó" pelo acolhimento com café e bolo – corre o risco de ver despejados até
os quatro gatinhos adotados pelo grupo (Dandara, Fubá, Sol e Santo Cristo),
cujos nomes homenageiam as peças consagradas do coletivo.
A última cartada de
sobrevivência: feijoada com samba beneficente
Em um ato desesperado de resistência para
tentar angariar fundos urgentes e evitar o encerramento das atividades em
setembro, o grupo realiza, no dia 29 de agosto de 2026, uma ação
beneficente em sua sede: a Feijoada com Samba.
O evento comunitário contará com moradoras de
Heliópolis no comando da cozinha e artistas voluntários que doaram seu tempo
para a roda de samba. O público pode apoiar adquirindo ingressos com valores
variados ou por meio de ingressos de doação voluntária direta. "Se ainda
existir alguém disposto a sonhar junto, nós continuaremos aqui", clama o
grupo.
SERVIÇO DA AÇÃO EMERGENCIAL:
FEIJOADA COM SAMBA
· Data: 29
de agosto de 2026
· Horário: Almoço
das 11h às 16h | Roda de Samba das 14h às 16h
· Local: Casa
Cultural Alcântara Sampaio (Rua Tamuatá, 236 – São João Clímaco – São Paulo/SP)
· Ingressos: 1º
Lote: R$ 40,00 | 2º Lote: R$ 50,00 | 3º Lote: R$ 60,00 | Retirada de Marmitex:
R$ 40,00 | Ingresso Doação: R$ 50,00
· Vendas
e Apoio:
Via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-casa-cultural-alcantara-sampaio/3533349)
SOBRE O GRUPO DE TEATRO IMPACTO
AGASIAS
Fundado em 2011 a partir da fusão de dois grupos de
teatro de escolas públicas (Impacto Arte e Agasias), o coletivo nasceu da
urgência de jovens periféricos em ter voz e produzir arte conectada com sua
realidade. O nome grego "Agasias" significa "digno de ser
admirado", simbolizando a valorização das identidades da periferia.
Tornou-se uma referência nacional em teatro periférico e resistência cultural.
Ao longo de 15 anos de pesquisa, construiu um repertório de espetáculos
aclamados, como: No Ritmo da Realidade (2011); Santo
Cristo – Faroeste Caboclo (2012-2016); A Lenda Sumiu! (2015); Dandara (2017); Cidade
do Sol (2020); Fubá – uma receita para o tempo (2022); Programa
Akáshico [peça jogo] (2025); Aquilo Que Eu Não Disse (2026);
e a Cantata de Natal (2025).
Créditos: Rafaela Manzo
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa
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