O efeito Copa do Mundo no Turismo, por Grazielle Ueno*
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| Foto meramente ilustrativa. |
A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. Durante algumas semanas, bilhões de pessoas voltam seus olhos para países que, muitas vezes, eram pouco conhecidos pelo grande público. Essa exposição global pode gerar impactos econômicos importantes, especialmente no turismo. A histórica classificação de Cabo Verde e seu desempenho durante o torneio exemplifica esse fenômeno: cresceu exponencialmente o interesse pelo destino e as buscas por viagens ao arquipélago, mostrando como o futebol pode despertar interesse por destinos ainda fora do radar internacional.
A relação entre esporte, imagem e turismo não é casual. Segundo a ONU Turismo (UN Tourism), o turismo internacional registrou cerca de 1,4 bilhão de chegadas de turistas em 2024, recuperando praticamente os níveis observados antes da pandemia. Os números evidenciam a relevância econômica do setor e mostram por que eventos globais, como a Copa do Mundo, podem influenciar diretamente a escolha de destinos turísticos e a percepção internacional sobre um país. Nesse contexto, entra em cena o conceito de nation branding, ou imagem-país: a forma como uma nação é percebida internacionalmente a partir de sua cultura, paisagens, hospitalidade, segurança, criatividade e capacidade de receber visitantes.
Quando
uma seleção ganha destaque em uma Copa, ela não promove apenas seus atletas.
Também projeta símbolos, narrativas e curiosidades sobre o país. A Croácia,
vice-campeã em 2018, já contava com atrativos reconhecidos, como Dubrovnik,
Split e o Parque Nacional dos Lagos Plitvice, mas sua campanha esportiva
ampliou a visibilidade global do destino. O Marrocos viveu fenômeno semelhante
em 2022, ao chegar à semifinal e reforçar o interesse por cidades como
Marrakech e Fez, pelo Deserto do Saara e pelas montanhas do Atlas.
Cabo Verde representa um caso particularmente promissor. Formado por dez ilhas no Atlântico, o arquipélago tem no turismo um dos pilares de sua economia. Suas praias de águas cristalinas, o clima agradável e a rica herança cultural, que tornam o destino atrativo para visitantes em busca de experiências autênticas. A participação inédita em uma Copa pode funcionar como uma vitrine global, fortalecendo sua imagem-país e ampliando sua inserção no mercado turístico internacional.
O chamado “efeito Copa” não acontece automaticamente. A atenção conquistada nos gramados precisa ser acompanhada por infraestrutura, conectividade aérea, qualificação dos serviços, presença digital e estratégias consistentes de promoção turística. A curiosidade inicial pode levar o visitante a pesquisar o destino; porém, é a experiência vivida que transforma essa visibilidade momentânea em reputação duradoura.
Mais
do que gols e troféus, a Copa do Mundo pode ser uma ferramenta de projeção
internacional. Para países emergentes ou pouco conhecidos, participar do
torneio significa apresentar sua cultura, suas
*Grazielle
Ueno é professora e coordenadora de curso no Centro Universitário Internacional
Uninter. Administradora e Turismóloga, especialista em Educação, mestre em
Turismo e Doutora em Tecnologia e Sociedade.
Agradecimentos: Elaine D'Avila | NQM
** Este conteúdo foi enviado pela assessoria
de imprensa

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