No mês do Documentário Brasileiro, Apan indica 10 obras que discutem racismo, identidade e pertencimento *
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| Foto meramente ilustrativa. |
A lista reúne produções que abordam memória, ancestralidade, cultura e resistência da população negra brasileira
O cinema documental tem se consolidado como uma
importante ferramenta de preservação da memória, reflexão e transformação
social ao registrar histórias, culturas e vivências que ajudam a compreender o
Brasil sob diferentes perspectivas. No mês de agosto, quando é celebrado o Dia Nacional do
Documentário Brasileiro, a Associação
dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) reuniu uma
seleção de produções do país que abordam temas como
racismo, ancestralidade, identidade, pertencimento, cultura, religiosidade e
resistência, conectando obras de diferentes gerações de cineastas e ampliando o
debate sobre a experiência da população negra no país.
Os filmes indicados retratam diferentes dimensões
dessa trajetória, passando pela representação da população negra na televisão,
pelos movimentos sociais, pela cultura popular, pelas tradições quilombolas e
pelas marcas deixadas pela escravidão na sociedade brasileira. Mais do que
denunciar desigualdades, as obras preservam memórias, valorizam patrimônios
culturais e revelam caminhos de resistência, reafirmando o papel do audiovisual
na construção de narrativas que fortalecem a identidade e a diversidade do
Brasil.
10
filmes que convidam à reflexão sobre memória, cultura e resistência
Abolição
(1988)
Na produção assinada por Zózimo Bulbul, o filme
investiga os impactos da abolição da escravidão no Brasil, reunindo depoimentos
de intelectuais, artistas e ativistas para refletir sobre racismo estrutural e
desigualdades históricas.
Ôrí
(1989)
A obra de Raquel Gerber acompanha a trajetória da
historiadora e militante Beatriz Nascimento e dos movimentos negros brasileiros
entre 1977 e 1988, abordando identidade, quilombos, ancestralidade e as
conexões entre Brasil e África.
A
Negação do Brasil (2000)
Com direção e roteiro de Joel Zito Araújo, a
produção analisa a representação da população negra nas telenovelas brasileiras
entre 1963 e 1997, revelando estereótipos, exclusões e os impactos do racismo
na construção dessas narrativas.
Cavalo
(2000)
Assinado por Rafhael Barbosa e Werner Salles, o
filme acompanha sete jovens dançarinos em um processo de descoberta de suas
ancestralidades, investigando corpo, memória, espiritualidade e identidade.
Memórias
Afro-Atlânticas (2020)
Gabriela Barreto conduz uma investigação sobre as
pesquisas do linguista Lorenzo Turner em terreiros de candomblé na Bahia,
explorando as conexões culturais e históricas entre Brasil e África.
Escasso
(2022)
Com direção de Clara Anastácia e Gabriela Gaia
Meirelles, o mockumentary aborda, com humor e crítica social, temas como
moradia, desigualdade e ocupação dos espaços urbanos a partir da história de
Rose, uma passeadora de pets que realiza o sonho da casa própria.
Ginga
Reggae: na Jamaica Brasileira (2023)
Sob a direção de Naýra Albuquerque, a produção
musical percorre a história do reggae no Maranhão a partir da trajetória de
Célia Sampaio, destacando a música, a dança e a cultura regueira como
expressões de resistência negra.
João
de Una Tem um Boi (2024)
Pelas lentes de Pablo Monteiro, o filme acompanha a
tradição do Bumba Meu Boi na zona rural de São Luís (MA), revelando a fé, os
rituais e os saberes ancestrais presentes na celebração do Boi Estrela.
Aqui
Não Entra Luz (2025)
O filme de Karoline Maia parte da memória familiar da
cineasta para investigar como a arquitetura brasileira ainda carrega marcas da
escravidão e da segregação social.
Vozes
e Vãos (2025)
A produção de Edileuza Penha de Souza e Edymara
Diniz acompanha jovens quilombolas de Goiás que reinventam tradições e fortalecem
sua identidade cultural por meio da preservação dos saberes ancestrais.
Sobre
a APAN
Criada em 2016, a APAN
(Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro) é uma
organização da sociedade civil, sem fins lucrativos e apartidária, com atuação nas
cinco regiões do país. A entidade trabalha pelo fortalecimento das ações
afirmativas e pela ampliação da participação da população negra no setor
audiovisual, articulando profissionais, incidindo na formulação de políticas
públicas e promovendo iniciativas que contribuam para um mercado mais diverso,
representativo e comprometido com o enfrentamento ao racismo.
Créditos: Priscila
Belchior Freitas | Sí Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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