Livros para pensar a finitude: três obras sobre morte, luto e as imprevisibilidades da vida *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Romances, contos e poemas em prosa abordam a perda, a memória e a fragilidade da existência e mostram como a literatura pode nos aproximar de um dos temas mais difíceis da experiência humana
A morte é uma das poucas certezas da vida e, ao
mesmo tempo, uma experiência para a qual dificilmente estamos preparados. A
perda de quem amamos, a consciência da própria finitude e as mudanças
inesperadas que interrompem planos e transformam trajetórias são questões que
atravessam a existência e encontram na literatura um espaço privilegiado para
serem elaboradas.
Em diferentes gêneros e perspectivas, alguns livros fazem da finitude não apenas um tema, mas um ponto de partida para refletir sobre o próprio sentido de estar vivo. É o caso de da morte sua, de Bruno Crispim, Caligrafias, de Adriana Lisboa, e Fronteiras visíveis, de João Anzanello Carrascoza e Juliana Monteiro. As três obras se aproximam da morte, da ausência e da passagem do tempo por caminhos distintos.
1. da morte sua, de Bruno Crispim
Finalista do Prêmio Kindle de Literatura, da morte
sua acompanha Igor nos primeiros dias após a morte devastadora de Bibi, sua
companheira desde a adolescência. Entre o funeral, o hospital, a necessidade de
assumir sozinho os cuidados com o filho e a dificuldade de aceitar a despedida,
o personagem tenta encontrar uma maneira de continuar vivendo depois que aquilo
que sustentava sua existência desaparece.
Construído de forma não linear, o romance alterna o
presente do luto com lembranças da história do casal, reproduzindo
literariamente o movimento da memória diante da perda. Além da morte e da
ausência, Bruno Crispim aborda a masculinidade e a dificuldade dos homens em
demonstrar fragilidade e viver plenamente a própria dor. Como resume o autor,
“a dor é inerente à existência”.
Autor: Bruno Crispim
Editora: Faria e Silva
Gênero: Romance contemporâneo
Páginas: 209
2. Caligrafias, de Adriana Lisboa
Em Caligrafias, a premiada escritora Adriana Lisboa
reúne narrativas curtas e poemas em prosa que transitam pela memória, pela
natureza, pela passagem do tempo e pela efemeridade da vida. Em edição especial
comemorativa dos 20 anos da publicação original, revista e ampliada pela
autora, o livro combina uma escrita delicada às ilustrações do artista visual
Gianguido Bonfanti.
A finitude percorre diferentes momentos da obra,
chegando de maneira especialmente pessoal ao texto inédito “Dia de Iemanjá”, no
qual Lisboa parte da experiência da morte dos pais para refletir sobre o que
permanece essencial diante da perda. Entre cenas cotidianas e reflexões
metafísicas sobre existência e morte, Caligrafias observa a transitoriedade da
vida sem perder de vista sua beleza.
Autora: Adriana Lisboa
Ilustrações: Gianguido Bonfanti
Editora: Maralto Edições
Páginas: 104
3. Fronteiras visíveis, de João Anzanello Carrascoza e
Juliana Monteiro
Em Fronteiras visíveis, literatura e fotografia se
encontram para abordar justamente a fronteira que separa a vida e a morte. João
Anzanello Carrascoza e a artista visual Juliana Monteiro constroem a obra a
partir de sete pares de contos acompanhados por cenas fotográficas, explorando
forças opostas como luz e sombra, contentamento e desencanto, começo e fim.
O próprio projeto visual materializa o ciclo da
existência: enquanto uma criança sai do mar e caminha em direção ao leitor, uma
mulher idosa faz o percurso inverso e retorna às águas. As imagens avançam
pelas páginas como um flipbook, acompanhando simbolicamente o movimento entre
chegar e partir. Nos contos, Carrascoza leva esse diálogo para as relações
afetivas, a perda e as ambiguidades que acompanham a experiência de viver.
Autores: João Anzanello Carrascoza e Juliana
Monteiro
Editora: Maralto Edições
Páginas: 183
Créditos: Iara | Iara Filardi
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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