#FicaMemphis soma 43 mil menções e transforma renovação de jogador em crise de gestão no Corinthians *

 

Foto meramente ilustrativa.

Levantamento de social listening mostra que 16% das manifestações também pediam a saída do presidente Osmar Stábile

A discussão sobre a permanência de Memphis Depay no Corinthians ultrapassou o futebol e se transformou em uma crise de imagem para a direção do clube. Levantamento de social listening realizado a partir de dados da Brandwatch identificou cerca de 43 mil menções relacionadas ao movimento #FicaMemphis nas redes sociais. A análise mostra que parte relevante das manifestações deixou de tratar apenas da renovação do atacante e passou a questionar diretamente a gestão do clube.

O movimento ganhou força depois que o Corinthians decidiu, inicialmente, não renovar o contrato do jogador. Em 11 de agosto, o clube informou que a decisão havia sido tomada por razões financeiras, apesar de as negociações estarem avançadas. Memphis reagiu publicamente, disse estar decepcionado com a condução do caso e alegou que havia um acordo previamente acertado com a presidência. A partir daí, uma negociação inicialmente concentrada nos bastidores do futebol passou a incorporar discussões sobre a situação financeira do clube, riscos jurídicos e críticas à administração.

Os dados das redes ajudam a dimensionar essa mudança. Das aproximadamente 43 mil manifestações analisadas, quase 7 mil, ou 16% do total, também utilizaram #ForaStabile. Outras hashtags, como #IntervençãoJudicialJá, #RenúnciaStábile, #ForaTuma e #ForaArmandoMendonça, apareceram associadas à mobilização.

Para a autora do estudo, Lilian Carvalho, PhD em Marketing e professora da FGV/EAESP, a mudança nas associações mostra como uma crise pode rapidamente ultrapassar o fato que a originou. “Quando #FicaMemphis começa a aparecer associada a hashtags que questionam dirigentes e a própria administração do clube, a conversa muda de natureza. O jogador continua sendo o gatilho, mas o que passa a estar em discussão é a confiança na gestão. Para quem acompanha reputação, esse deslocamento é tão importante quanto o volume de menções”, afirma.

Outro dado do levantamento chama atenção: o volume de manifestações não ficou concentrado em poucos perfis de grande alcance. Entre os cem autores mais ativos no período, o perfil que mais publicou foi responsável por 599 menções, o equivalente a apenas 1,4% do total. Somados, os dez maiores autores responderam por menos de 7% das manifestações analisadas. A pulverização indica que a repercussão foi distribuída entre diferentes perfis, sem depender de um pequeno número de grandes influenciadores para ganhar escala.

“Esse é um elemento relevante porque muda a forma de administrar uma crise. Quando a insatisfação está concentrada em alguns influenciadores, a organização consegue identificar claramente os principais polos da conversa. Quando milhares de pessoas passam a reproduzir espontaneamente a mesma cobrança, estamos diante de um fenômeno muito mais descentralizado e difícil de conter apenas com uma resposta pontual”, explica Lilian.

Entre os usuários cujo gênero pôde ser identificado, 68,6% eram homens e 31,4% mulheres, mostrando também participação feminina relevante na discussão.

A escalada digital coincidiu com manifestações fora das redes sociais. Durante o período, um associado protocolou pedido de afastamento e expulsão do presidente Osmar Stábile e do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. O Movimento Libertação Já também lançou um abaixo-assinado defendendo intervenção judicial no clube, enquanto torcedores realizaram protestos contra a administração.

Em 16 de agosto, o Corinthians reabriu as negociações com Memphis. No entanto, não é possível estabelecer uma relação causal entre a pressão digital e a retomada das conversas, já que decisões dessa natureza envolvem fatores esportivos, jurídicos, financeiros e administrativos. De toda forma, o levantamento permite identificar que a repercussão ganhou escala e ampliou significativamente seu escopo durante o período analisado.

“O social listening não serve apenas para dizer quantas pessoas falaram sobre determinado assunto. O mais relevante é entender sobre o que elas passaram a falar. Nesse caso, acompanhamos uma conversa que começou com a permanência de um jogador e evoluiu para questionamentos sobre a capacidade de gestão do clube”, afirma Lilian.

Crises podem mudar de natureza em poucos dias
Para a especialista, o episódio ajuda a mostrar por que organizações expostas à opinião pública precisam acompanhar não apenas o volume, mas também as associações que surgem durante uma crise. Uma decisão pontual pode funcionar como catalisador de insatisfações anteriores e incorporar rapidamente questões que vão além do episódio original.

“No ambiente digital, a crise que começa hoje não necessariamente será a mesma amanhã. O gatilho pode ser uma contratação, uma decisão empresarial ou um problema de atendimento, mas a conversa pode migrar para governança, liderança ou confiança na organização. Identificar esse deslocamento cedo é fundamental para definir uma resposta adequada”, diz.

No caso do Corinthians, os dados capturam justamente essa passagem. #FicaMemphis começou como uma mobilização pela permanência de um atleta e, em poucos dias, tornou-se também um canal para manifestações sobre a administração do clube.

“Para quem trabalha com reputação, essa talvez seja a principal lição do episódio: não basta monitorar se uma decisão foi bem ou mal-recebida. É preciso entender o que aquela decisão passou a representar para o público. Quando o significado muda, a crise também mudou”, conclui Lilian.

Sobre o levantamento
A análise foi realizada a partir de dados da plataforma Brandwatch, considerando buscas relacionadas às hashtags #FicaMemphis, #FicaMemphis10 e #VoltaMemphis, no período de 10 a 18 de agosto de 2026.

Créditos: Caíque Rocha | Compliance Comunicação

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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