Escritor utiliza ficção científica para discutir desigualdades sociais no Brasil *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Em entrevista, o escritor Eliander A. Costa reflete sobre a importância da literatura para pensar temas como preconceito racial e exploração do trabalho
Eliander A. Costa apresenta O
Homem-Máquina de Taruã como uma forma de questionar as estruturas
que sustentam a sociedade contemporânea. A partir da ficção científica, ele
narra um mundo marcado pela desigualdade social, pelo preconceito racial e pela
exploração do trabalho.
Na obra, um condomínio separado entre o “Lado de
Lá”, ocupado pelos ricos e poderosos, e o “Lado de Cá”, onde vivem os
trabalhadores. Nesse cenário, Taruã surge como uma voz dissonante. Morador do
lado mais pobre, o protagonista se destaca por suas habilidades intelectuais e
pela capacidade de criar soluções tecnológicas, mas é sua indignação diante das
injustiças que o impulsiona a agir. Ao planejar uma invenção capaz de
transformar o contexto em que vive, ele percorre uma trajetória marcada por
descobertas, conflitos e alianças
A escolha desses temas dialoga com a própria
trajetória de Eliander, que transita entre a ciência, a educação e as artes.
Biólogo, mestre em Ensino de Ciências, ator, roteirista e escritor, ele reúne
diferentes campos de conhecimento em uma produção literária que busca provocar
reflexões sobre a sociedade e as relações humanas.
Nesta entrevista abaixo, o autor fala sobre a
construção de O Homem-Máquina de Taruã, as críticas sociais
presentes na obra e os caminhos encontrados para discutir as desigualdades
sociais por meio da literatura.
1. O Homem-Máquina de Taruã
apresenta uma sociedade dividida entre privilegiados e explorados. Como essa
ficção dialoga com o Brasil atual?
Eliander A. Costa: A ficção dialoga com o Brasil
atual porque aponta que esse problema social ainda continua vigente em nosso
país. A obra conclama à reflexão e mostra de que forma podemos trazer luz à
essa situação. É preciso que retiremos a venda da cegueira social que tanto nos
aprisiona e nos acomoda.
2. O condomínio onde a história
se passa funciona como uma metáfora bastante evidente da desigualdade social.
Como surgiu esse olhar durante a escrita?
E. C.: Esse olhar nasceu da minha observação e
inquietação diante de situações que marginalizam os menos favorecidos. Meu
desejo por justiça social existe desde a infância, quando comecei a trabalhar
muito cedo em condições indignas. De certa maneira, esse trabalho me privou de
uma vivência saudável nos primeiros anos de vida.
3. Podemos perceber paralelos
entre o condomínio de Taruã e diferentes formas de segregação presentes nas
cidades brasileiras. Você buscou referências específicas para construir esse
cenário?
E. C.: Não. Toda a narrativa partiu de
observações cotidianas de segregações marcadas por fortes injustiças e da minha
própria experiência de vida.
4. Na história, o poder se
mantém por meio da violência e da naturalização das injustiças. Na sua
perspectiva, qual a importância de desnaturalizar o contexto que estamos
inseridos?
E. C.: Desnaturalizar o contexto que estamos
inseridos é de suma importância para promovermos a dignidade humana. Cada
sujeito da sociedade tem um papel primordial para romper com as algemas da
opressão. A naturalização desse sistema opressor se deu e ainda se dá com
discursos baratos vindos de camadas privilegiadas da sociedade. Nesse contexto,
o livro vem como uma bússola, apontando que o caminho para transformar essa
realidade é a educação.
5. A exploração do trabalho é
outro eixo importante da narrativa. O que você espera que os leitores percebam
com esse tema?
E. C.: Espero que os leitores percebam que esse tema
ainda é latente em nossa sociedade e que estamos avançando para mudar essa
triste realidade, mas há muito o que se fazer para que possamos alcançar níveis
de excelência.
6. A obra valoriza a poesia como
instrumento de humanização. Por que você considera a poesia tão necessária
hoje?
E. C.: A poesia acende os apagões de nossa
humanidade, traz provocações, que vão de encontro aos nossos sentimentos. Nesse
sentido, ela nos exercita para a mudança, funcionando como um filtro
humanizador frente às impurezas sociais.
7. Existe um contraste interessante
entre a figura do "homem-máquina" e a defesa da sensibilidade. Como
você trabalhou essa tensão ao longo da narrativa?
E. C.: Em "O Homem-Máquina de Taruã",
há uma tensão entre o desejo de construir uma máquina e os princípios e valores
humanitários. Taruã busca promover justiça social, mas a sua sensibilidade não
se perde, mesmo imbuído do desejo de construir seu homem-máquina.
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Sobre o autor: Eliander
Antônio Costa é biólogo pela Universidade do Estado de Minas Gerais,
com especialização em Biologia Geral pela Universidade Federal de Lavras e
mestrado em Ensino de Ciências pela Universidade Cruzeiro do Sul. Trabalhou por
quase duas décadas na rede estadual mineira e publicou o livro “Ciências e
Poesia, Amantes da Informação” para a área educacional. Agora, tem uma carreira
como artista: é ator formado pelo Centro de Capacitação Profissional em Artes
Cênicas do Rio de Janeiro, roteirista de peças de teatro e escritor. Na
literatura, publicou o romance “O menino que não dorme” e O Homem
Máquina de Taruã.
· Instagram: @elianderantoniocosta
· Facebook: Eliander Antônio Costa
Créditos:
Victória Gearini | LC Agência de Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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