Até onde vai a busca pela mente perfeita? Neurocientista sérvio debate limites do aprimoramento cognitivo *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Em obra inédita no Brasil publicada pela PUCPRESS, neurocientista sérvio debate os limites éticos e o impacto social do aprimoramento cognitivo
O uso de tecnologias para ampliar memória, foco e
desempenho cognitivo vem crescendo em todo o mundo. Estudantes universitários,
executivos de alto escalão e atletas de elite recorrem cada vez mais a
diferentes recursos em busca de produtividade e foco máximos. O debate sobre os
limites éticos do uso de tecnologias para manipulação da mente humana é o foco
do novo livro do neurocientista e filósofo sérvio Veljko Dubljević, "Neuroética,
Justiça e Autonomia: A razão pública no debate sobre o aprimoramento cognitivo".
Tradução inédita publicada pela PUCPRESS - editora
da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) -, a obra oferece uma
análise profunda e atua como uma bússola em um cenário onde a intervenção
farmacológica para ampliar a cognição deixou de ser ficção científica para se
tornar uma realidade silenciosa e onipresente. “Os medicamentos estimulantes,
apelidados de “drogas inteligentes”, oferecem o potencial de aprimorar a
cognição, o que por si só é uma “promessa” ou uma “ameaça” em razão das mudanças
drásticas na vida de toda a sociedade. A atual falta de regulamentação adequada
pode levar a uma violação generalizada dos direitos e da justiça, especialmente
porque a coerção direta e indireta pode ser exercida sobre muitos indivíduos
como resultado dos cálculos de utilidade dos empregadores e de outros agentes
corporativos”, explica Dubljević.
O pesquisador constrói uma ponte sólida entre a
complexidade biológica do cérebro e as dinâmicas da vida cotidiana. Em vez de
simplesmente condenar ou celebrar o uso de fármacos estimulantes, Dubljević
disseca o fenômeno sob a ótica inovadora da "razão pública". Ele
instiga o leitor a questionar não apenas os riscos e benefícios médicos dessas
substâncias, mas os impactos morais de seu uso indiscriminado. Afinal, até que
ponto a busca pelo aumento artificial do desempenho intelectual fere a nossa
capacidade de escolha livre? E, de forma ainda mais contundente: o acesso
desigual a essas inovações estaria aprofundando o abismo da desigualdade social
e criando uma casta de "super-humanos"?
Dubljević adverte que a atual ausência de diretrizes
sobre o uso de neurotecnologias deixa a sociedade perigosamente vulnerável à
coerção. Cria-se um ambiente onde a pressão competitiva do mercado de trabalho
e do ambiente acadêmico força indiretamente os indivíduos a
"turbinarem" seus cérebros apenas para não ficarem para trás.
“Tecnologias de aprimoramento, como drogas estimulantes e dispositivos de
estimulação, poderiam ter uma influência profunda na vida cotidiana da maioria
dos cidadãos, à medida que as expectativas em relação ao dia de trabalho e aos
prazos mudam conforme as novas pressões sociais e econômicas”.
Em um momento em que a tecnologia promete redesenhar os limites biológicos humanos, “Neuroética, Justiça e Autonomia: A Razão Pública no Debate sobre o Aprimoramento Cognitivo” chega ao Brasil como um convite à reflexão sobre o custo real e ético da mente “perfeita”. Uma obra essencial para a compreensão do futuro do cérebro humano - tanto para profissionais da saúde, como médicos, psiquiatras e psicólogos, quanto para tomadores de decisão e formuladores de políticas públicas.
Sobre Veljko Dubljević
Veljko Dubljević figura entre os pensadores mais
influentes da Neuroética e da Filosofia da Ciência e Tecnologia. Neurocientista
e filósofo sérvio, professor associado na North Carolina State University,
conduz pesquisas pioneiras sobre as implicações éticas do aprimoramento
cognitivo, das neurotecnologias e da inteligência artificial. Além da produção
acadêmica, Dubljević tem orientado governos, profissionais de saúde e
organizações da sociedade civil na construção de marcos que assegurem o avanço
da neurociência em consonância com a justiça social e o respeito à autonomia
humana.
Sobre a PUCPRESS
A PUCPRESS, editora da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUCPR), é referência no mercado editorial brasileiro, com
mais de 40 anos de história e um catálogo diversificado de títulos acadêmicos e
científicos em áreas como Filosofia, Educação, Direitos Humanos, Inovação e
Tecnologia, Bioética, Cidades, Saúde e Biotecnologia, Energia, Tecnologia da
Informação e Comunicação. Alinhada aos valores do Grupo Marista e às áreas
estratégicas da PUCPR, a editora busca disseminar conhecimento de qualidade,
promover o avanço da ciência e impactar positivamente a sociedade. Com
publicações que abrangem desde livros impressos a e-books e audiobooks, a
PUCPRESS também colabora com iniciativas globais, como o SDG Publishers Compact
da ONU, reafirmando seu compromisso com a educação, inovação e
sustentabilidade. Outras informações: www.pucpress.com.br
Créditos: Aline Anile
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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