A Copa de 2027 eleva a régua do futebol feminino *

 

Foto meramente ilustrativa.

A expectativa de novos investimentos fortalece a modalidade, mas especialistas alertam que apenas projetos profissionalizados conseguirão transformar interesse em recursos

A Copa do Mundo Feminina de 2027 deverá movimentar R$8,8 bilhões na economia brasileira, acrescentar R$3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto e gerar 73,7 mil postos de trabalho, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur. O impacto previsto para a competição, que será realizada pela primeira vez na América do Sul, amplia o interesse de empresas pelo futebol feminino e intensifica a disputa entre projetos esportivos por patrocínios e recursos incentivados.

Para Rafaella Krasinski, advogada especialista em Direito Empresarial, da Assessoria Talento, empresa especializada na estruturação, gestão e captação de recursos para projetos esportivos por meio de leis de incentivo fiscal, a visibilidade trazida pela Copa do Mundo Feminina de 2027 representa uma oportunidade para ampliar os investimentos privados na modalidade. 

O aproveitamento desse movimento, porém, dependerá da capacidade de clubes, institutos e entidades de apresentar projetos bem estruturados, com governança e resultados mensuráveis.  “O futebol feminino passou a reunir interesse esportivo, social e comercial, mas a captação de recursos incentivados exige mais do que visibilidade. As empresas procuram projetos com objetivos definidos, orçamento coerente, indicadores de impacto, segurança jurídica e capacidade de comprovar resultados”, afirma.

Futebol feminino avança como ativo comercial
O crescimento econômico da modalidade já aparece nas receitas dos principais clubes internacionais. A edição de 2026 do levantamento Deloitte Football Money League mostra que as 15 equipes femininas com maior faturamento somaram € 158 milhões na temporada 2024/2025, alta de 35% em relação à edição anterior.

O Arsenal liderou a lista, com € 25,6 milhões, seguido pelo Chelsea, com € 25,4 milhões, e pelo Barcelona, com € 22 milhões. A receita comercial, que inclui patrocínios e contratos com marcas, respondeu por 72% do total. “A exposição aumenta o número de empresas interessadas, mas também eleva o nível de exigência. Projetos que não demonstram como os recursos serão aplicados, quais metas serão acompanhadas e quem será responsável pela execução encontram mais dificuldade para transformar interesse em investimento”, explica a advogada.

Projetos incentivados enfrentam nova disputa
No Brasil, clubes, associações e institutos podem apresentar propostas esportivas para receber recursos direcionados por empresas e pessoas físicas por meio das leis de incentivo. A aprovação, contudo, representa apenas uma etapa.

Depois da aprovação, a entidade precisa captar os valores, executar as atividades previstas, acompanhar metas físicas e financeiras, registrar despesas e prestar contas aos órgãos responsáveis.

Segundo a especialista, parte das iniciativas perde competitividade por tratar a captação como uma ação isolada, sem conexão com planejamento administrativo, governança e relacionamento com patrocinadores. “A empresa incentivadora precisa compreender quem será atendido, como o projeto será conduzido, quais entregas estarão associadas à marca e de que forma o impacto social e esportivo será medido”, diz.

Novo marco aumenta responsabilidade das entidades
Sancionada em novembro de 2025, a Lei Complementar nº 222 transformou o incentivo fiscal ao esporte em política permanente e estabeleceu condições para mecanismos federais, estaduais, distritais e municipais.

A norma manteve a lógica de apoio a projetos previamente aprovados e fortaleceu as exigências de controle, transparência, execução responsável e prestação de contas. “O incentivo ao esporte não deve ser tratado apenas como possibilidade de captação. Ele envolve recursos vinculados a uma política pública e, por isso, exige planejamento, governança e responsabilidade durante todo o ciclo”, afirma a profissional.

Legado depende da continuidade
A Copa do Mundo poderá estimular novas equipes, fortalecer categorias de base e ampliar o interesse de patrocinadores. O desafio será evitar que os aportes fiquem restritos ao período anterior à competição. “Um projeto consistente precisa demonstrar que sua contribuição não termina com um evento ou uma temporada. O patrocinador deve enxergar continuidade, impacto e capacidade de evolução. É isso que permite transformar a atenção gerada pela Copa em investimento recorrente para o futebol feminino”, conclui.

Sobre Rafaella Krasinski
Rafaella Krasinski é advogada especialista em Direito Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mestranda em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e MBA em Gestão de Projetos pela Universidade de São Paulo (USP). Atua na estruturação jurídica e econômica de projetos incentivados, com foco em leis de incentivo ao esporte e na conexão entre empresas, políticas públicas e investimento com impacto.

É Vice-Presidente da Comissão de Direito Empresarial e integrante da Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da OAB Paraná. Também desenvolve pesquisas em Direito e Economia, com foco em análise econômica do direito e políticas públicas.

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Créditos: Carolina Lara | Lara Visibilidade Estratégica

* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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