Viva a Vida, por Deborah Dubner*

 

Foto meramente ilustrativa.

Peça estrelada por Regina Casé inspira uma reflexão sobre o que significa estar vivo em tempos de pressa e desconexão 

Todos sabem que vida é tudo o que temos. Basta a ameaça de perder para rapidamente darmos valor. Mas a questão principal não é essa. O que nós, enquanto humanidade, precisamos aprender é, de fato, viver a vida, dar valor ao miúdo dos dias, absorver a beleza dos momentos. 

Primeiro, vamos alinhar o que estou chamando de "vida". 

Vida é coração que pulsa, olhar que conecta, abraço que aconchega. Vida é ter vontade de levantar da cama e fazer valer cada instante. 

Vida é vento nas árvores, sombra fresca, saborear o doce da fruta e respirar perfume de flor. É o impulso vital que insiste em nascer nos solos mais áridos e se espalha nas sementes polinizadas. Vida é comunhão com todas as formas de vida. No encontro da terra com o sol, ela brilha. Na alquimia entre o hidrogênio e o oxigênio, ela se faz água. No sorriso de uma criança ela se revela. Nas florestas, ela reina. 

Vida é faísca que move dentro e acende fora. É uma força poderosa de sustentação e preservação. É tudo o que vibra em movimento e respira em cores. 

Eu assisti em São Paulo a peça de teatro Viva a Vida, com a Regina Casé. Espetacular! Saí de lá mais viva, pensativa e intrigada. Tanta verdade que ouvi, e através do humor cheguei na dor. A dor da pressa, da desconexão. A dor de ver tão claramente a vida sendo desperdiçada nas mãos da urgência, da indiferença, da ganância e da ignorância. Dor de ver os corações anestesiados por uma consciência adormecida, que não vê, não sente, não percebe. 

A Terra existe há bilhões de anos. A vida chegou muito depois. O verde que hoje destruímos e que justamente foi o que tornou possível a nossa existência, floresce neste planeta há milhões de anos. E o homo sapiens, que se acha melhor do que todos, é um hóspede recém chegado nessa história.  

Como diz o texto da peça, “somos um pequenino grão de areia”. Mas é aqui, na Terra, que a vida pulsa. É aqui que temos o privilégio de viver o amor. Não precisamos ir para a Lua, ou chegar a Marte. As condições deste planeta azul nos permitiram chegar aonde chegamos, mas não valorizamos. Vivemos como se a engrenagem que sustenta a vida na Terra fosse eterna. Grande ilusão. 

Se nos destruirmos, a Terra permanecerá. A memória ancestral que a habita seguirá. Não temos o poder de salvar a Terra. Mas temos o poder de nos salvar, enquanto humanidade. 

Se a vida é tudo o que temos, por que não sabemos viver? 

*Deborah Dubner é psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência, Psicologia Positiva e Ciência da Felicidade, é professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência e conduz cursos e grupos de prática sobre amor e gratidão no cotidiano. 

Agradecimentos: Luísa Santini | LC Agência de Comunicação

** Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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