O luto e a escrita literária, por Maria Carolina Amendolara*
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| Foto meramente ilustrativa. |
Muito se fala de novas maneiras das
pessoas lidarem com o luto. Coisas que, antigamente, não
eram relacionadas a esse estado de espírito. O luto era, em tempos remotos,
imaginado como uma forma de depressão em que o isolamento, a apatia e o
uso das roupas pretas por períodos prolongados eram os seus principais
Não que isso tudo ainda seja incomum,
mas o luto pode existir para além dessa caracterização um tanto quanto
caricatural e ser mais um processo em que a pessoa elabora a perda de
um ente querido, debruçando-se sobre algo que possa dar um
destino ao vazio ocasionado por essa perda.
Uma dessas formas é a arte. A
arte desponta como um meio de externalizar o que as palavras já
não conseguem quando a pessoa sofre perdas importantes.
A escrita literária emerge como sendo a
manifestação artística em que o luto pode ser ressignificado, já
que ela permite que sejam traçados caminhos e destinos diversos para
esse sentimento que, na maioria das vezes se desdobra para além da morte
propriamente dita. Porque a morte, enquanto fim sem retorno, aprisiona o
luto.
Mas a arte, e nesse caso, a escrita, em
contrapartida, o expande e viabiliza uma transformação da perda
que originou o luto. Isso é possível graças ao trabalho de recuperação da
memória que a experiência literária promove por meio da reconstrução de
cenários, diálogos, momentos e sentimentos que passam a ter um novo
lugar: um romance, um poema, uma história escrita. Todo esse processo
traz a sensação de que aquela pessoa que partiu será sempre
lembrada, e isso pode amenizar a falta, a saudade.
Escrever sobre o luto revela as suas
entranhas, as suas diversas faces, as suas diversas camadas,
retirando o peso de ser unicamente a perda de alguém a questão preponderante.
Isso faz com que esse mesmo luto encontre novo abrigo à
Quando alguém morre, a partida
leva junto outras partes importantes da vida da pessoa que fica.
A rotina ao lado daquela pessoa, um pedaço da sua própria
história – são exemplos de coisas que a escrita
se presta a recuperar com bastante sucesso e, com
isso, ela pode apaziguar o vazio deixado por essa perda. Pois, quando
escrevemos, estamos mergulhados em algo que está fora de nós mesmos,
que toma corpo e, assim, passa a ter vida novamente.
* Maria Carolina
Amendolara é administradora e autora de “Você vai ver que eu tenho
razão”, romance que reflete sobre saúde mental e luto
Agradecimentos: Maria Clara Menezes | LC
Agência de Comunicação
** Este conteúdo foi enviado pela assessoria
de imprensa

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