Guerra dos Românticos: entre Wagner e Brahms, fique com os dois *
![]() |
| Foto meramente ilustrativa. |
Maestro Roberto Minczuk desfruta do melhor de dois rivais históricos da música. E quem ganha é o público
Imagine que um marqueteiro de grande talento tenha
sido contratado ao mesmo tempo pelos maiores rivais de uma eleição, e assim
precise se dividir entre dois pensamentos e estilos diferentes, no mesmo dia,
durante toda uma temporada.
Em tempos de polarização, esse exemplo extraído da
política pode até soar perigoso, mas, transposto para o mundo da música,
torna-se um deleite para os ouvidos e para a alma.
É assim, dividido entre a ópera vigorosa de Wagner e
as monumentais sinfonias de Brahms, que o maestro Roberto Minczuk passará
este mês de julho.
Titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São
Paulo, ele voltou a dirigir o festival de inverno de Campos do Jordão, e o
acúmulo de funções coincidiu exatamente com os ensaios de um antigo sonho do
maestro: trazer uma montagem de Tristão e Isolda, a ópera mais famosa de Wagner,
ao palco do Teatro Municipal de São Paulo.
Em Campos do Jordão, por sua vez, ele estará à
frente do grande destaque do evento, o ciclo com as quatro sinfonias de
Brahms, também do século XIX.
“Wagner e Brahms foram rivais históricos, os dois
compositores mais famosos de sua época, quando a música clássica vivia o auge
do Romantismo. Não por acaso, as discordâncias entre os dois passaram para a
história como a Guerra dos Românticos. Foi um conflito estético. Wagner tinha
uma visão de vanguarda, enquanto Brahms era um legítimo representante da melhor
tradição da orquestra sinfônica”, conta Minczuk.
Um exemplo de como o maestro terá que se dividir
entre as obras dos dois compositores acontecerá no dia 2 de
agosto, domingo. Pela manhã, no Teatro Municipal, ele rege a 3ª
e 4ª Sinfonia de Brahms. À tarde, volta ao mesmo palco para a maratona de cinco
horas da última récita de Tristão e Isolda na capital paulista.
A superprodução de Tristão e Isolda é a primeira no
Brasil após um hiato de 48 anos, e está sendo tratada como um acontecimento
histórico para a cena lírica nacional. Minczuk conta que tentava programá-la há
pelo menos uma década no Municipal.
“Ela é o Monte Everest dos maestros. Exige um preparo
físico e mental fora do comum”, afirma o maestro, que considera o atual
momento, entre Brahms e Wagner, um dos pontos altos de sua carreira de mais de
30 anos como maestro.
Créditos: Manu Vergamini | Agência Em Foco
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

Comentários
Postar um comentário