Exposição "Colectivo Acciones de Arte: democracia radical” no MASP
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| A obra "Gran marcha de mujeres diciendo no mas, porque somos más" (1985) em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida |
Em cartaz até o próximo domingo, 2 de agosto, no MASP a mostra ‘Colectivo Acciones de Arte: Democracia Radical”, a primeira exposição destinada ao Colectivo Acciones de Arte (CADA), um dos mais relevantes coletivos de arte e ativismo político da América Latina. Com curadoria de André Mesquita, a exposição traz cerca de 180 obras e documentos, entre fotografias, filmes, desenhos, cartazes, publicações e materiais de arquivo que registram as oito intromissões realizadas pelo grupo entre 1979 e 1985, durante a ditadura militar chilena.
O CADA surgiu em Santiago, em 1979, seis anos depois o golpe
militar que derrubou o governo de Salvador Allende e levou Augusto Pinochet ao
poder. Em um dos períodos mais sangrentos da história do Chile, o grupo congregou
os artistas Lotty Rosenfeld e Juan Castillo, a escritora Diamela Eltit, o poeta
Raúl Zurita e o sociólogo Fernando Balcells. Seus atos transformaram ruas,
praças e outros espaços públicos em locais de resistência, usando a arte como ferramenta
de denúncia, participação popular e enfrentamento à censura estabelecida pelo
regime.
As intervenções eram concretizadas de forma célere e, muitas
vezes, inominada, tática que possibilitava burlar a vigilância das autoridades.
Ao longo de sua trajetória, o coletivo originou ações que abordavam assuntos
como fome, violência, desigualdade e repressão, sugerindo novas maneiras de tomar
a cidade e estreitar a arte da vida cotidiana.
Entre as obras mais conhecidas está “NO+” (1983), criada para lembrar os dez anos do golpe
militar. A intervenção consistia na inscrição da expressão "NO+"
("Não mais") em diferentes cantos da cidade, deixando a frase em
aberto para que fosse finalizada pela população. A iniciativa deu procedência a
mensagens como "NO+ dictadura", "NO+ hambre", "NO+
tortura" e "NO+ muerte", tornando-se um importante símbolo de
mobilização social. Décadas depois, o slogan persiste sendo usado por
movimentos sociais e manifestações em diferentes contextos políticos na América
Latina.
Segundo o curador André Mesquita, a força de NO+ está justamente em sua
capacidade de ser constantemente apropriada pela sociedade. A expressão
ultrapassou os limites da ação artística e consolidou-se como uma linguagem de
protesto, sendo utilizada tanto nos últimos anos da ditadura chilena quanto em
mobilizações posteriores, incluindo manifestações feministas e reivindicações
por direitos sociais.
Outro destaque da mostra é “¡Ay Sudamérica!”
(1981), ação em que seis aviões sobrevoaram Santiago lançando cerca de 400 mil folhetos
com a mensagem de que todas as pessoas são artistas. A intervenção
ressignificava simbolicamente o bombardeio ao Palácio de La Moneda, ocorrido em
11 de setembro de 1973, quando as forças militares atacaram a sede do governo
chileno. Em vez de bombas, o coletivo minou mensagens que abordavam arte,
liberdade e participação coletiva.
A exposição também apresenta registros de “Inversión de escena” (1979), um
dos primeiros atos do grupo. Na ocasião, caminhões carregados de leite seguiram
em direção ao Museo Nacional de Bellas Artes, cuja entrada havia sido coberta
por um grande pano branco. A cena chamava a imagem de tanques militares
desfilando pela cidade, enquanto o leite representava o carecimento de
alimentos encarada pela população naquele período. Ao bloquear a entrada do
museu, o CADA sugeria deslocar o espaço da arte das instituições para as ruas,
reforçando o conceito de que a experiência artística poderia ocorrer no dia-a-dia
e abranger toda a sociedade.
Também
merecem atenção as obras "Gran marcha de mujeres diciendo no mas, porque
somos más" (foto), de 1985, de autoria desconhecida, um bordado sobre
tecido, que faz uma referência à arpilera a respeito de uma manifestação de
mulheres ocorrida em 30 de outubro de 1985, que acabou com uma repressão violenta
pelos militares; e "Para no morir de hambre em el arte" (1979).
A mostra
integra a programação anual do MASP dedicada ao tema Histórias latino-americanas, que
reúne exposições voltadas à produção artística e às transformações sociais do
continente.
SERVIÇO:
Exposição: Colectivo Acciones de Arte: Democracia Radical
Onde: Museu de
Arte de São Paulo (MASP) – Edifício Pietro Maria Bardi - Avenida Paulista, 1510
– Bela Vista
Quando: até 02/08/2026;
terça-feira e sexta-feira, das 10h às 22h; quarta, quinta, sábado e domingo,
das 10h às 18h
Quanto: R$ 75,00
(inteira); R$ 37,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras e
sextas-feiras (após às 18h)
Por Jorge Almeida

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