Nadine, novo trabalho de Luiza Romão, chega ao Sesc Avenida Paulista para duas apresentações em junho *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Espetáculo mistura spoken word, narrativa policial e paisagem sonora para discutir violência de gênero, memória e vulnerabilidade
Depois de passar pelo Sesc Belenzinho, o espetáculo Nadine,
idealizado, escrito e interpretado por Luiza Romão, realiza duas apresentações
no Sesc Avenida Paulista, nos dias 26 e 27 de junho de 2026, sexta e
sábado, às 20h. A montagem une spoken word, investigação
policial e experimentação sonora para abordar temas como violência de gênero,
trauma, memória e feminicídio.
Inspirada em reflexões da filósofa canadense Cressida J. Heyes
sobre violência sexual contra vítimas inconscientes, a obra adapta para o palco
o livro Nadine (Quelônio, reeditado em 2025), definido por
Luiza como “uma história de detetive contada em versos”. A narrativa acompanha
uma jovem que, após ser assassinada, decide investigar o próprio crime.
“Nadine é uma jovem terrível: faz barulhos de madrugada, incomoda
as pessoas, rouba correspondências dos vizinhos. Certa noite, na saída do bar,
ela é dopada com flunitrazepam e assassinada. Por considerá-la uma ‘vítima
não-ideal’, a polícia rapidamente descarta o caso e a personagem passa a investigá-lo
no pós-vida com a ajuda dos vizinhos”, conta Luiza.
Com atmosfera inspirada no romance noir e em cineastas como
Quentin Tarantino e Martin Scorsese, o espetáculo aposta na construção sonora
como elemento central da encenação. A peça flerta com a linguagem da
radionovela e reúne participações especiais em áudio, em diversas línguas, com
vozes de Beto Bellinati, Dandá Costa, Daniel Sharp, Eugênio Lima, Ícaro
Rodrigues, Maria Costa, Lilith Cristina, Michael Nazarkovsky, Roberta Estrela
D'Alva, Rodolfo Dias Paes, Tai Veroto, Verónica Colasanto e Yaissa Jimenez.
“Vivemos em um mundo hipermidiatizado, com bombardeamento
constante e avassalador de imagens e vídeos. Neste contexto, o espetáculo
propõe outro tipo de sensibilidade e percepção, calcado principalmente no
ouvido e na escuta”, comenta Luiza.
A direção musical e a trilha sonora original são assinadas por
José Paes de Lira, que desenvolveu uma paisagem sonora composta por vozes,
ruídos cotidianos, registros investigativos e canções originais inspiradas em
poemas do livro e em artistas como Serge Gainsbourg e Tom Waits.
“A trilha original do espetáculo Nadine é
composta por vozes de quase duas dezenas de atrizes e atores convidados e
paisagens sonoras que dialogam intensamente com a personagem em cena. São
gravações investigativas, diários sonoros dos personagens que moram no mesmo
prédio da protagonista, registros de áudios de lugares públicos, depoimentos
radiogravados e música construída com ruídos desse cotidiano ficcional”, afirma
Lirinha.
A luz e o cenário, assinados por Marisa Bentivegna, transitam
entre dois espaços: o ambiente doméstico — local onde frequentemente ocorrem
casos de violência de gênero — e o Museu do Prado, cenário de um estudo
conduzido pela protagonista e sua aliada, Lana Juarez. Neste momento da peça, o
público acompanha um áudio-guia fictício sobre pinturas de artistas como Diego
Velázquez, Francisco de Goya e Tintoretto, observando representações femininas
ligadas ao sono, à vulnerabilidade e ao sofrimento.
“Estamos vivendo um momento em que a misoginia está escancarada e
os casos de feminicídio estão aumentando muito. Nesse cenário, é fundamental
ampliarmos os espaços de debate sobre violência de gênero”, defende Luiza.
Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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