Exposição “Janis” no Museu da Imagem e do Som

 

"Janis Joplin em São Francisco, Califórnia" (1967/1968). Foto: Ray Andersen 

O Museu da Imagem e do Som (MIS) prorrogou para até o dia 5 de julho exposição inédita “Janis”, dedicada à trajetória de Janis Joplin (1943-1970), uma das vozes mais marcantes da história do rock. Com curadoria de André Sturm, a mostra reúne mais de 300 itens originais cedidos pela família da artista e trazidos diretamente de Los Angeles, muitos deles exibidos pela primeira vez no Brasil.

A exposição percorre a vida e a carreira da icônica cantora por meio de figurinos, fotografias, manuscritos, cartas, bilhetes, objetos pessoais e acessórios que ajudam a revelar não apenas a artista consagrada, mas também a figura feminina por trás da lenda. Em meio aos destaques estão correspondências enviadas à família (especialmente para a mãe), registros de apresentações históricas, como a do antológico Monterrey Pop Festival, em 1967, e itens que faziam parte de seu cotidiano, como joias, broches, óculos, porta-cartões, roupas (como o colete e calça roxa da alfaiataria Nudies Rodeo Tailor, de 1966), instrumentos e até fios de cabelos de Janis Joplin.

Distribuída em mais de dez salas temáticas, a mostra combina aparatos audiovisuais e cenografia imersiva para transportar o visitante desde a infância de Janis, no Texas, até sua ascensão como símbolo da contracultura dos anos 1960. O percurso também destaca as influências do blues, do soul, do gospel e do rock que moldaram sua identidade artística.

Alguns itens chamam atenção como uma sequência de 16 reproduções de desenhos feitos por Janis, espaço dedicado aos seus discos (solo e com banda), com destaques para os compactos. Embora não tivesse uma vasta carreira discográfica (apenas quatro lançamentos), Janis Joplin se consolidou como uma das maiores figuras da história do Rock até hoje.

Outros objetos como a clássica capa da Rolling Stone de 17 de fevereiro de 1972 que mostra a artista nua, além do painel com a reprodução das capas de 32 lançamentos de Joplin (discos, compactos, coletâneas e lançamentos póstumos).

Um dos espaços mais emocionantes é dedicado à relação de Janis com o Brasil. A sala reúne imagens e lembranças de sua passagem pelo Rio de Janeiro durante o Carnaval de 1970, como um belo registro feito pelo fotógrafo Haroldo Silva, poucos meses antes de sua morte, aos 27 anos. E, sim, tem uma reportagem da revista Trip que mostra um registro da cantora com o roqueiro brasileiro Serguei, além de um trecho do documentário “Janis: Little Girl Blue” (2015).

A última sala da mostra aborda a respeito do falecimento da cantora, em 4 de outubro de 1970, na parte final das gravações do álbum “Pearl”. E uma curiosidade bem interessante: no dia 3 de outubro, véspera do falecimento da cantora, Janis Joplin ouviu a base da faixa “Buried Alive In The Blues”, prometendo que voltaria no dia seguinte, mas não apareceu e foi encontrada na noite do dia seguinte caída no chão pelo seu agente, John Byrne Cooke, no quarto 105 do Landmark Motor Hotel. Com isso, mesmo “incompleta”, a música foi inserida no disco como tema instrumental porque “ninguém seria capaz de cantá-la como Janis Joplin”.

Enfim, a exposição propicia uma visão íntima sobre uma artista que transformou a música e continua a influenciar gerações com sua voz intensa, sua personalidade livre e sua força criativa. 

SERVIÇO:
Exposição: Janis
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 05/07/2026; terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até 18h)
Quanto: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras

Por Jorge Almeida

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