Erasmo Carlos: 50 anos de “Banda dos Contentes”
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| "Banda dos Contentes", de Erasmo Carlos, que completa 50 anos em 2026. |
Aproveitando que nesta sexta-feira (5), o saudoso gigante gentil, Erasmo Carlos, completaria 85 anos, gostaria de falar um pouco sobre os 50 anos de um de seus maiores trabalhos: o disco “Banda dos Contentes”, que saiu pela Polydor e teve direção de produção do próprio Erasmo e de Guti.
Considerado um dos grandes trabalhos da fase mais criativa de Erasmo Carlos, o álbum apresenta o Tremendão mais maduro, capaz de transitar entre rock, soul, MPB e baladas com naturalidade, apoiado pelos refinados arranjos e direção musical de Antonio Adolfo. Além de compositor, Erasmo adquire aqui com entusiasmo o papel de intérprete, dando novas leituras a canções de alguns dos principais nomes da música brasileira como Belchior e Gilberto Gil.
O disco abre com “Filho Único”, carro-chefe da obra e uma das músicas mais tocantes da parceria com Roberto Carlos. A canção fala da relação entre mãe e filho com sensibilidade e se tornou um clássico. Em seguida, “Paralelas”, de Belchior, ganha uma jeitosa aparência blues, assinalada pelo órgão e pela guitarra. Já “Queremos Saber”, cortesia de Gilberto Gil para Erasmo gravar em primeira mão, traz uma reflexão sobre ciência e progresso em um dos momentos mais belos do álbum.
A sequência mantém o alto nível com “Análise Descontraída”, rock contestador assinado por Roberto e Erasmo, enquanto “Dia de Paz”, de Jorge Mautner, apresenta logo de cara um coral que lembra algo do Roupa Nova, um clima singular, encerrando o lado A em grande estilo. Enquanto isso, a faixa-título, “Banda dos Contentes”, inicia o lado B misturando melodia leve e letra amarga, funcionando como síntese do espírito crítico do disco.
Um dos momentos mais arrojados é “Continente Perdido (Terra de Montezuma)”, composição de Ruy Maurity que incorpora influências andinas, percussões elaboradas e experimentações sonoras pouco comuns na obra de Erasmo. Em “Baby”, o cantor volta ao rock para contar, com humor e leve ironia, a história de um romance em conflito com o ativismo político que, se “traduzirmos” para os dias atuais, para a realidade brasileira, seria um relacionamento entre uma progressista/esquerdista e um conversador (não necessariamente um bolsonarista). “Fatos e Fotos”, escrita por Renato Terra, resgata o lado mais romântico e melancólico do artista, enquanto “Billy Dinamite”, parceria com Rick Ferreira, encerra o álbum em clima de rock com influência country e excelente trabalho instrumental.
A capa, ilustrada por Benício, reforça essa multiplicidade ao retratar diferentes versões do artista convivendo e se confrontando, imagem perfeita para um disco tão rico, criativo e ainda subestimado dentro da música brasileira.
Em suma: um belo trabalho do Tremendão que merece ser ouvido com atenção e carinho.
Álbum: Banda dos
Contentes
Intérprete: Erasmo
Carlos
Lançamento: 1976
Gravadora/Distribuidora: Polydor
Produtor: Erasmo
Carlos e Guti
Erasmo Carlos: voz e guitarra
Antônio
Adolfo: violão, arranjos e direção musical
Liminha: baixo
Elder
Bedaque: bateria
Zé Bodega: sax tenor
Genaldo: sax barítono
Jorge Filipe
Ferreira da Silva: sax alto
Gastão
Lamounier e Karma: backing vocal
Miguel
Cidras: regência e arranjos adicionais
1. Filho Único (Roberto
Carlos / Erasmo Carlos)
2. Paralelas (Belchior)
3. Queremos Saber (Gilberto
Gil)
4. Análise Descontraída (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
5. Dia de Paz (Jorge
Mautner / Antonio Adolfo)
6. A Banda dos Contentes (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
7. Continente Perdido (Terra de Montezuma) (Ruy Maurity / José Jorge)
8. Baby (Roberto
Carlos / Erasmo Carlos)
9. Fatos e Fotos (Renato
Terra / Luís Mendes Júnior)
10. Billy Dinamite (Erasmo
Carlos / Rick Ferreira)
E um viva a Erasmo Carlos.
Por Jorge Almeida

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