Em nova exposição, Japan House São Paulo explora a simbologia das nuances da cor branca na cultura japonesa *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Inédita e gratuita na Japan House São Paulo, a mostra "Shiro: uma escala de nuances" aborda a cor branca apresentando suas nuances e simbologias por meio de quatro elementos: a neve, o papel, a seda e o sal
São
Paulo, junho de 2026 – No Japão, existe uma cultura cromática única -
conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do
Japão”, em tradução livre) - e dentre essas cores, o branco envolve a
sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no
imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta
cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma
escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do
japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A
mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de
outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha
Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão,
passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas
relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da
obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de
Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas
paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na
neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética
e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como
ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e
sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas
não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças
do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a
cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances
simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19
tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma
única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista
Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica
de kiri-ê e
amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do
mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a
relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste
núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani
Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a
colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste
elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem
ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também
estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra
produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de
roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco
de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de
sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na
instalação “untitled-grandmother". A delicada obra site-specific de
quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos
(e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do
bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na
produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma
breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com
seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como
descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram
selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na
paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando
o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista
compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir
caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado
apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse
processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos,
possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as
“Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada.
“Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante,
enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes
estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para
compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma
mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os
japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas
formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a
um mochi (bolinho
de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos
japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é
propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é
feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar
em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método
permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente
de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o
sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de
criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas,
estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os
maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre
as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco
tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes
características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo
WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e
japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para
proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Créditos: Raisa Scandovieri | Suporte Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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