Circulação da peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo em junho *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Nitrido significa Ato de Relinchar
Em junho, a peça Nitrido ou a dramaturgia
de Cavalo passa pelo Teatro Arthur Azevedo (12 e
14) e pelo Centro Cultural Penha (18, 20 e 21). A Dramaturgia
e Direção Cênica é de Laís Cafari. O espetáculo provoca uma identificação
territorial com a beleza da cena dramática, o teatro existindo nas bordas e nas
bordas encenadas. Grátis!
Sinopse: a peça intenciona ocupar
as margens como movimento que ganha espaço, e que expande territórios. Os
atuadores Jefferson Silvério, Dante Preto, João Carlos, Abraão Kimberley e o
rapper Janderson Fundação iniciam na plateia com o brilho de sua encenação,
proporcionando ao público uma pequena proporção da experiência do que seria
estar nas margens de forma ativa. Instrumentos musicais compõem a encenação
trazendo rezas e batuques.
Nitrido significa Ato de Relinchar e esse nome não
foi escolhido à toa. Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo nasce
da periferia, das margens e é na borda que a encenação acontece.
Laís Cafari fez uma ampla pesquisa sobre a
alimentação na periferia, com foco em sua região, no Jardim Romano, onde a
falta de tempo e dinheiro dificulta a ingestão de alimentos frescos e feitos na
hora, como frutas, verduras, legumes e a absorção maior de ultraprocessados,
mais baratos e mais práticos para o consumo. Também as frutas, verduras e
legumes que chegam na periferia nem sempre tem o mesmo aspecto que bairros
nobres.
No palco, os atores retratam os cavalos com uma
intensa coreografia em meio aos alimentos, caixas de feira e objetos de
locomoção.
O EU corpo- humano, tem uma forte presença de cena,
assim como o corpo-cavalo ambos sendo revezado por todes atuadores do drama,
assim como as luzes brincando com o que é o atuador, o que é o cavalo e o que é
o público. O lugar do “palco” será o centro, ocupado por lixos em montanhas no
breu, que apenas é revelado no segundo ato. A ocupação do espaço é uma
composição com a dramaturgia, pois a estética e o território é o próprio drama
encenado. Encenamos as margens periféricas não só em palavras, mas com os rappers,
mandando a letra ao vivo, os tambores, o trompete, o corpo negro e indígena, a
pele exposta, a pichação.
Essa justificativa está sendo narrada, pois a
vivenciadora em pesquisa territorial tomou para si a própria narrativa.
"Cavalo" é uma dramaturgia que deriva da vida e o olhar sobre ela.
Como se aprende com a rua: não é possível trabalhar sozinho. Assim, a montagem
dessa peça possibilitou juntarmos narrativas com vozes ativas, sendo de fato a
própria voz, o corpo em cena a estrutura do drama, da música, a estética, o
figurino, a produção, a direção. Nos juntamos como potências para criar e falar
de políticas, de direitos, de territórios roubados, e de terrenos semeados.
Cavalo: “Chegamos até aqui, o rio é a borda desse
bairro e a linha férrea também. Navegando por esses espaços chegamos até o lado
de cá. Cestas básicas foram nos oferecidas com bastante óleo de soja e açúcar
refinado, entupindo nossas veias, deixando nossos batimentos cardíacos cada vez
mais lentos", de Laís Cafari.
Estamos escolhendo o seu teatro para fazer nossa
feira, para desmontar nossa cerca e na relação com espaço relinchar também a
palavra textual que nesse momento, chamamos dramaturgia, mas que, no texto,
chamamos de portal. Nosso povo tem morrido pela boca, ingerindo aquilo que
nunca se estraga, mas é também pela boca que enfeitiçamos. Se a palavra é o
alimento da alma, a cena alimenta nosso desejo.
É pelo desejo de comer que a gente alimenta a
visceralidade que é emoção, que é teatro. Estrear nesse espaço nos traz a
dimensão da corrida contra o vento, da corrida pelo vento a favor da pele, onde
correm bolas e os pés desachuteirados e patas deferidas. Esperamos que o olhar
de quem nos assistir possa invadir a realidade com o sonho da corrida
voluntária. Crianças, adultos, cavalos, éguas e potros em velocidades trotadas.
Nossas subjetividades foram unidas da forma mais originária, em uma esquina de
quebrada, junto aos postes, aos troncos e raízes. Como exemplo dessa parceria,
a escrita desse texto pôde ser desenvolvida no projeto "Jardim de
narrativas" do Coletivo Estopô Balaio, que proporcionou espaço para que
sementes pudessem brotar e nutrir o território, com a criação da dramaturgia
"Cavalo". Do encontro do texto com a produção, nasce a criação
"Morango sem doce" um grupo-esquina que inicia sua trajetória dos
encontros de duas estudantes da cena na F26 da Escola livre de Teatro de Santo
André, Laís e Trinity desenvolveram juntas o projeto Cavalo, contemplado pelo
ProAC 2025. Que hoje tem como propósito a estreia junto a uma temporada
de Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo.
Laís Cafari, nascida, criada e crescida na
periferia do extremo leste de São Paulo, especificamente no Jardim Romano,
território de Ururay. Desde cedo, envolvida nas cenas artísticas de rua,
atuadora compondo ativamente como parte do elenco de "Reset Brasil",
um espetáculo itinerante do Coletivo Estopô Balaio que percorre as ruas de São
Miguel Paulista. Se reconhecendo como pessoa originaria em retomada, ganhando
essa identificação através do seu trabalho e da arte, circulando pelos espaços
culturais da Grande São Paulo e colaborando com o coletivo Estopô Balaio na
intervenção provocativa "Algum desses é seu parente?". Paralelamente,
participou da oficina "Cinema no Romano - Oficina de Elaboração de
Projetos de Curta-Metragem", promovida pela Arenga Filmes, onde está
desenvolvendo seu primeiro roteiro intitulado "Na Faca". É criadora
da dramaturgia de "Cavalo", um projeto originado no edital Jardim de
Narrativas do Coletivo Estopô. Cia Livre Cia Livre - Marcha Das Mulheradxs no
Período: 2024 - 2025 atuante da residência artística no projeto Marcha das
Mulheradxs representando o Coletivo Estopô Balaio. Atualmente, está aprendiz do
quarto ano na Escola Livre de Teatro de Santo André, integrando o corpo
discente da Formação 26 e participando ativamente como parte do Grupo de
Produção Geral do "Sarau da Permanência", um evento idealizado e
realizado pelas aprendizes da escola. Gravação do filme tamanduateí: rio de
muitas voltas no meio de 2025. Anteriormente, dedicou mais de seis anos ao
Teatro Vocacional no Céu Três Pontes, onde recebeu orientação de diversos
artistas orientadores. Essa jornada enriquecedora proporcionou participar de
projetos de conclusão de curso que circularam pela região, proporcionando suas
primeiras experiências como atriz em formação. Diretora do espetáculo de
teatro Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo. “Desejo continuar a
contribuir de maneira significativa para a cena cultural e artística, expandido
novas formas de expressão e ampliando meu território e repertório criativo”.
Ficha técnica
Elenco: Abraão Kimberley, Dante Preto, Janderson
Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos.
Coordenação de Produção: Trinity.
Dramaturgia e Direção: Laís Cafari.
Orientaçao de Direção: Lúcia Kakazu.
Preparação corporal: Gisele Calazans.
Preparação vocal: Tâmara David.
Provocadora de elenco: Jhonnã Bao
Provocação corporal: Nina Giovelli, Verônica
Corpo Santos
Coreografia “Das trocas”: Claudiana Honório
Coreografia “Capoeira”: Rafael Oliveira e Laís
Cafari
Criação e operação de som: Mica Matos
Criação e operação de Luz: Nayka Alexandre
Produção Executiva: Lisa Ferreira
Assistente de produção: Jéssica Oliveira e Vini
Ranieri
Cenógrafo: Wanderley Wagner da Silva.
Arte caixotes: Julia Morinaga
Figurinista: Mara Carvalho.
Orientação de dramaturgia: Jessica Nascimento
Olaegbe
Nutricionista: Melissa Tarrão.
Acessibilidades: Regiane Eufrausino, Dienani e
Natália Belo
Intérpretes de Libras: Ricieri Palha e Will
Belarmino
Designer: Tamii e Melissa Centurion
Fotógrafia: Trinity, David Rodrigues e Trinity
Comunicação: Isabela Escudeiro
Filmaker: Gustrago
Criação de Músicas: Abraão Kimberley, Dante Preto,
Janderson Fundação, Jefferson Silvério, João Carlos e Laís Cafari
Faixa das "trocas": Lucas F Paiva
Assessoria de Imprensa: Miriam Bemelmans.
Agradecimentos: Coletivo Estopô Balaio, Cia Quatro
Ventos, Luzia Andrade, Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.
Serviço
Peça Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo
@cavaloteatro
Circulação por data
Junho
12 de junho, sexta-feira, às 21h
14 de junho, domingo, às 18h com Libras
Teatro Arthur Azevedo -
Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo - 03115-020
18 de junho, quinta-feira, às 20h
20 de junho, sábado, às 20h com Libras
21 de junho, domingo, às 19h
Largo do Rosário, 20 - Penha de França, São Paulo - SP, 03634-020
Classificação indicativa: Livre
Duração: 90 minutos
Grátis!
Créditos: Miriam Bemelmans
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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