Thin Lizzy: 55 anos de seu ‘debut’
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| Capa do ‘debut’ do Thin Lizzy, que completa 55 anos em 2026. |
O Thin Lizzy foi formado em 1970 depois que o guitarrista Eric
Bell e do organista Eric Wrixon, que faziam parte do grupo psicodélico Them, do
irlandês Van Morrison, viram o baixista e vocalista Phil Lynott e o baterista
Brian Downey tocando com a banda Orphanage e, pouco tempo depois, os quatro
resolveram formar uma banda. Mas, antes de iniciarem os trabalhos, Wrixon pulou
do barco, mas, os três seguiram adiante e formaram o Thin Lizzy.
Muito antes da agressividade de suas duas guitarras que se
tornaria uma marca registrada do grupo, o Lizzy era inicialmente um power trio
no estilo do Cream ou como o The Jimi Hendrix Experience, guardadas as devidas
proporções. Diferentemente dos citados, Eric Bell não tinha a mesma presença de
palco, carisma e talento nas seis cordas como Eric Clapton e Jimi Hendrix, mas
o protagonismo do grupo estava na figura do baixista: Phil Lynott que, além de
ser o principal compositor do grupo, se destacava pela sua personalidade,
carisma e também por ser um negro irlandês alto. Antes de se consagrarem como a
maior banda de rock da Irlanda (que me desculpem os fãs do outro grupo pop
famoso irlandês), o Thin Lizzy não estava muito ao certo sobre como o grupo
deveria ser portar: uma banda de hard rock com inclinações folk ou uma banda de
folk irlandês de blues.
Em 1970, o Thin Lizzy assinou com o selo
Decca, por onde lançaram três discos, compactos e EP’s. Os dois primeiros
discos do grupo, “Thin Lizzy” (1971) e “Shades Of Blue Orphanage” (1972), mantendo um estilo
mais focado entre o folk e o Blues, além de uns toques de experimentalismo.
Mas, o primeiro disco do grupo soa um tanto confuso e de difícil ter um
conceito específico da obra por conta dessa ‘mistureba’ de sons feitos pelo
trio Phil Lynott, Eric Bell e Brian Downey.
Mas, vamos falar um pouco do ‘debut’ dos
caras. O disco começa com “The Friendly Ranger At Clontarf
Castle”, que apresenta uma ‘intro’ poética falado por Lynott,
misturado com um relaxante trecho acústico atmosférico, antes de aparecer em um
trecho mais folk. O estilo peculiar de cantar de Phil surge aqui pela primeira
vez. Em seguida, aparece “Honesty Is No Excuse”,
a balada comovente, acompanhada do mellotron (tocado por Ivor Raymonde), em um
estilo bem anos 1960. A faixa três é a épica “Diddy Levine”, onde
tem um surpreendente número progressivo que se encaixa perfeitamente com as
influências do folk e do Blues. Repare bem que aqui tem o tradicional riff
marcado entre baixo e guitarra, outra marca registrada da banda.
Posteriormente, em “Ray-Gun”, Eric Bell conduz o
wah-wah em um funk estonteante. E o lado A termina com “Look What The Wind Blew In“, que tem uma pegada bem
interessante e traz uma ótima performance de Brian Downey.
A segunda parte do disco começa com “Eire”, uma faixa lenta em que Lynott mostra todo o seu
talento vocal que o consagraria, enquanto a guitarra, baixo e bateria dão o
suporte mais que apropriado ao vocal. Ótima faixa, seu “defeito” é ser muito
curta (cerca de 2’10” de duração). O tema seguinte é “Return Of The Farmer’s Son“, que tem uma letra
emocionante de Lynott, um ótimo solo de Eric Bell e Downey castigando a sua
bateria. Na sequência, em “Clifton Grange Hotel“,
apresenta aquela ideia inicial que foi comentado sobre o conceito a respeito do
som do grupo nesse disco, cuja ‘intro’ lembra vagamente “Stand By Me”, mas se mantém o estilo de balada
cinquentista, mas com guitarras sobrepostas de Eric Bell. A penúltima faixa é “Saga Of The Ageing Orphan“, começa com sutis dedilhados
de violões, seguido pelos vocais suaves e uma simples linha de baixo. A triste
canção ainda tem a presença marcante do chimbal da bateria de Downey. E, para
finalizar, “Remembering“, outra música em que Eric Bell se destaca
no wah-wah e na sobreposição das guitarras, além do baixo ‘cavalgado’ de
Lynott.
Em 1990, a obra foi relançada em CD com quatro
faixas bônus extraídas do EP “New Day” (1971) – “Dublin”, “Remembering Pt. 2 (New Day)”,
“Old Moon Madness” e “Things Ain’t Workin’ Out Down
At The Farm”. E, em 2010, o play ganhou uma nova versão
remasterizada e expandida, com nove faixas bônus, incluindo as quatro do EP
citado.
Apesar de o disco soar um pouco estranho para
quem conheceu o Thin Lizzy na fase áurea (metade da década de 1970), “Thin Lizzy”, o álbum, é um trabalho bem interessante de
ouvir e deixa bem claro que os caras estavam no caminho certo.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão relançada em 1990)
da obra.
Ivor Raymonde: mellotron
em “Honesty Is No Excuse”
Por Jorge Almeida

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