Thin Lizzy: 55 anos de seu ‘debut’

Capa do ‘debut’ do Thin Lizzy, que completa 55 anos em 2026.

Nesta quinta-feira, 30 de abril, o primeiro disco do Thin Lizzy, o autointitulado álbum do grupo irlandês, completou 55 anos de lançamento. Gravado entre os dias 4 e 9 de janeiro de 1971, no Decca Studios, em West Hampstead, em Londres, o play foi produzido por Scott English e lançado pela Decca Records e pela London Records (nos Estados Unidos e no Canadá).

O Thin Lizzy foi formado em 1970 depois que o guitarrista Eric Bell e do organista Eric Wrixon, que faziam parte do grupo psicodélico Them, do irlandês Van Morrison, viram o baixista e vocalista Phil Lynott e o baterista Brian Downey tocando com a banda Orphanage e, pouco tempo depois, os quatro resolveram formar uma banda. Mas, antes de iniciarem os trabalhos, Wrixon pulou do barco, mas, os três seguiram adiante e formaram o Thin Lizzy.

Muito antes da agressividade de suas duas guitarras que se tornaria uma marca registrada do grupo, o Lizzy era inicialmente um power trio no estilo do Cream ou como o The Jimi Hendrix Experience, guardadas as devidas proporções. Diferentemente dos citados, Eric Bell não tinha a mesma presença de palco, carisma e talento nas seis cordas como Eric Clapton e Jimi Hendrix, mas o protagonismo do grupo estava na figura do baixista: Phil Lynott que, além de ser o principal compositor do grupo, se destacava pela sua personalidade, carisma e também por ser um negro irlandês alto. Antes de se consagrarem como a maior banda de rock da Irlanda (que me desculpem os fãs do outro grupo pop famoso irlandês), o Thin Lizzy não estava muito ao certo sobre como o grupo deveria ser portar: uma banda de hard rock com inclinações folk ou uma banda de folk irlandês de blues.

Em 1970, o Thin Lizzy assinou com o selo Decca, por onde lançaram três discos, compactos e EP’s. Os dois primeiros discos do grupo, “Thin Lizzy” (1971) e “Shades Of Blue Orphanage” (1972), mantendo um estilo mais focado entre o folk e o Blues, além de uns toques de experimentalismo. Mas, o primeiro disco do grupo soa um tanto confuso e de difícil ter um conceito específico da obra por conta dessa ‘mistureba’ de sons feitos pelo trio Phil Lynott, Eric Bell e Brian Downey.

Mas, vamos falar um pouco do ‘debut’ dos caras. O disco começa com “The Friendly Ranger At Clontarf Castle”, que apresenta uma ‘intro’ poética falado por Lynott, misturado com um relaxante trecho acústico atmosférico, antes de aparecer em um trecho mais folk. O estilo peculiar de cantar de Phil surge aqui pela primeira vez. Em seguida, aparece “Honesty Is No Excuse”, a balada comovente, acompanhada do mellotron (tocado por Ivor Raymonde), em um estilo bem anos 1960. A faixa três é a épica “Diddy Levine”, onde tem um surpreendente número progressivo que se encaixa perfeitamente com as influências do folk e do Blues. Repare bem que aqui tem o tradicional riff marcado entre baixo e guitarra, outra marca registrada da banda. Posteriormente, em “Ray-Gun”, Eric Bell conduz o wah-wah em um funk estonteante. E o lado A termina com “Look What The Wind Blew In“, que tem uma pegada bem interessante e traz uma ótima performance de Brian Downey.

A segunda parte do disco começa com “Eire”, uma faixa lenta em que Lynott mostra todo o seu talento vocal que o consagraria, enquanto a guitarra, baixo e bateria dão o suporte mais que apropriado ao vocal. Ótima faixa, seu “defeito” é ser muito curta (cerca de 2’10” de duração). O tema seguinte é “Return Of The Farmer’s Son“, que tem uma letra emocionante de Lynott, um ótimo solo de Eric Bell e Downey castigando a sua bateria. Na sequência, em “Clifton Grange Hotel“, apresenta aquela ideia inicial que foi comentado sobre o conceito a respeito do som do grupo nesse disco, cuja ‘intro’ lembra vagamente “Stand By Me”, mas se mantém o estilo de balada cinquentista, mas com guitarras sobrepostas de Eric Bell. A penúltima faixa é “Saga Of The Ageing Orphan“, começa com sutis dedilhados de violões, seguido pelos vocais suaves e uma simples linha de baixo. A triste canção ainda tem a presença marcante do chimbal da bateria de Downey. E, para finalizar, “Remembering“, outra música em que Eric Bell se destaca no wah-wah e na sobreposição das guitarras, além do baixo ‘cavalgado’ de Lynott.  

Em 1990, a obra foi relançada em CD com quatro faixas bônus extraídas do EP “New Day” (1971) – “Dublin”, “Remembering Pt. 2 (New Day)”, “Old Moon Madness” e “Things Ain’t Workin’ Out Down At The Farm”. E, em 2010, o play ganhou uma nova versão remasterizada e expandida, com nove faixas bônus, incluindo as quatro do EP citado.

Apesar de o disco soar um pouco estranho para quem conheceu o Thin Lizzy na fase áurea (metade da década de 1970), “Thin Lizzy”, o álbum, é um trabalho bem interessante de ouvir e deixa bem claro que os caras estavam no caminho certo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist (versão relançada em 1990) da obra.

Álbum: Thin Lizzy
Intérprete: Thin Lizzy
Lançamento: 30 de abril de 1971
Gravadora: Decca Records (Reino Unido) / London Records (Estados Unidos e Canadá)
Produtor: Scott English

Phil Lynott: voz, baixo e violão
Eric Bell: guitarra e guitarra de doze cordas
Brian Downey: bateria e percussão

Ivor Raymonde: mellotron em “Honesty Is No Excuse

1. The Friendly Ranger At Clontarf Castle (Bell / Lynott)
2. Honesty Is No Excuse (Lynott)
3. Diddy Levine (Lynott)
4. Ray-Gun (Bell)
5. Look What The Wind Blew In (Lynott)
6. Eire (Lynott)
7. Return Of The Farmer’s Son (Downey / Lynott)
8. Clifton Grange Hotel (Lynott)
9. Saga Of The Ageing Orphan (Lynott)
10. Remembering (Lynott)
Faixas Bônus:
11. Dublin (Lynott)
12. Remembering, Pt. 2 (New Day) (Bell / Downey / Lynott)
13. Old Moon Madness (Lynott)
14. Things Ain’t Workin’ Out Down At The Farm (Lynott)

Por Jorge Almeida

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