Sede da Cia de Teatro Heliópolis recebe espetáculos de grupos de territórios periféricos *

Foto meramente ilustrativa.

 

Companhia de Teatro Heliópolis segue com temporada gratuita com de espetáculos convidadas até o dia 24 de maio. Cada companhia realiza duas sessões, um workshop sobre seus processos criativos e roda de conversa após a primeira sessão. As apresentações ocorrem aos sábado, às 20h, e domingos, às 18h, com ingressos gratuitos, além de interpretação em Libras em uma sessão de cada espetáculo.

A companhia O Bonde apresenta Desfazenda - Me Enterrem Fora Desse Lugar, nos dias 9 e 10 de maio, e a Cia Os Crespos entra em cena com duas montagens: Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas, dia 16 de maio, e A Solidão do Feio, dia 17 de maio. Já a Cia Dos Inventivos apresenta Maria Auxiliadora, nos dias 23 e 24 de maio, fechando a série de grupos convidados.

Sobre as rodas de conversa com o público, participam os seguintes artistas: Lucas Moura, dramaturgo, por O Bonde (9/5); Lucelia Sérgio, diretora (16/5) e Sidney Santiago Kuanza, diretor/dramaturgo/ator, e Gabi Costa, diretora (17/5), pela Cia Os Crespos; e Flávio Rodrigues, diretor, pela Cia Dos Inventivos (23/5).

Os workshops serão ministrados por integrantes das companhias: O Bonde O Corpo Negro e o Teatro (10/5) e Cia Dos Inventivos - Oficina Inventiva (24/5), aos domingos, das 14h às 16hApenas a Cia Os Crespos - Teatros Negros em (P)erspectivas realiza a atividade na quinta-feira (14/5), das 19h às 21h. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por meio do link disponível na Bio da Cia. de Teatro Heliópolis no Instagram - @ciadeteatroheliopolis.

Estas apresentações de grupos convidados integram a programação do projeto Manutenção e Modernização Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho - Sede da Companhia de Teatro Heliópolis, contemplado no Edital Nº 38/2024, Fomento CULTSP PNAB Módulo I, Nº de Inscrição: 38/2024-1725.0501.7433. Esta ação busca aprofundar a relação com coletivos que desenvolvem seus trabalhos nos territórios periféricos da cidade ou estado de São Paulo, por meio do intercâmbio artístico.

Serviço | Programação

Companhia de Teatro Heliópolis apresenta espetáculos convidados
Até 24 de maio de 2026
Ingressos: Gratuitos – Bilheteria 1 hora antes das sessões.
Reservas online: Sympla
Programação, informações e inscrições para workshops (20 vagas):
https://www.instagram.com/ciadeteatroheliopolis/
Local: Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1.533 - Ipiranga. São Paulo/SP.
Tel.: (11) 2060-0318 (WhatsApp).
Transporte público: Metrô e Terminal de Ônibus Sacomã.
IG: @ciadeteatroheliopolis | FB: @companhiadeteatro.heliopolis

Espetáculo: Desfazenda - Me Enterrem Fora Desse Lugar
Grupo: O Bonde
Datas: 9 e 10 de maio - Sábado, às 20h, e domingo, às 18h
Roda de conversa: 9/5 - com Lucas Moura
Workshop - O Corpo Negro e o Teatro: 10/5 - das 14h às 16h - com O Grupo
Sessão com Libras: 10/5. Classificação: 16 anos | Workshop: 18 anos.

Espetáculo: Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas
Grupo: Cia Os Crespos
Data: 16 de maio - Sábado, às 20h
Roda de conversa: Após apresentação - com Lucelia Sergio
Sessão com Libras. Classificação: 14 anos | Workshop: 18 anos.

Workshop - Teatros Negros em (P)erspectivas: 14/5 - das 19h às 21h - com O Grupo 
Espetáculo: A Solidão do Feio
Grupo: Cia Os Crespos
Data: 17 de maio - Domingo, às 18h

Roda de conversa: Após apresentação - com Sidney Santiago e Gabi Costa
Sessão com Libras. Classificação: 14 anos | Workshop: 18 anos. 

Espetáculo: Maria Auxiliadora
Grupo: Cia dOs Inventivos
Datas: 23 e 24 de maio - Sábado, às 20h, e domingo, às 18h

Roda de conversa: 23/5 - com Flávio Rodrigues.

Workshop - Oficina Inventiva: 24/5, das 14h às 16h - com O Grupo.
Sessão com Libras: 24/5. Classificação: 14 anos | Workshop: 18 anos. 

SOBRE OS GRUPOS, ESPETÁCULOS E ATIVIDADES 

O Bonde

Desfazenda - Me Enterrem Fora Desse Lugar 
Quatro pessoas pretas - 12, 13, 23 e 40 - foram salvas, quando crianças, de uma guerra por um padre branco. Desde então elas vivem em sua fazenda cuidando das tarefas diárias, supervisionadas por Zero, um homem preto um pouco mais velho. O padre nunca sai da capela, a guerra nunca atingiu a fazenda, e sempre que os porquês são questionados, o sino soa e tudo volta a ser como antes (quase sempre). Ou quase sempre. Segunda montagem d’O Bonde e primeiro espetáculo adulto do coletivo teatral paulista, a peça-filme Desfazenda - Me Enterrem Fora Desse Lugar concentra sua ação na história das personagens. Esta é a primeira direção da Roberta Estrela D’Alva fora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, e a direção musical é da atriz, compositora e DJ Dani Nega.

Desde 2017, O Bonde é um grupo de teatro negro com pesquisa cênica em São Paulo. Nominalmente referenciados a ajuntamentos negros e periféricos com o objetivo de aquilombar-se, são também as próprias singularidade em movimento conjunto, podendo se constituírem como um núcleo, um grupo, um coletivo ou um Bonde. São artistas negros e periféricos, formados na Escola Livre de Teatro de Santo André. Tem como pesquisa de linguagem a palavra e a narratividade como ferramenta de acesso, denúncia e discussões afrodisapóricas. A abordagem épica da palavra como distanciamento dramático e aproximação narrativa é eixo fundante dos pensamentos, desejos e mergulhos no fazer teatral em São Paulo.

Ficha técnica - Direção: Roberta Estrela D'Alva. Dramaturgia: Lucas Moura. Elenco: Ailton Barros, Filipe Celestino, Jhonny Salaberg e Joy Catarina/Marina Esteves. Vozes Mãe e Criança: Grace Passô e Negra Rosa. Direção musical: Dani Nega e Roberta Estrela D'alva. Produção Musical: Dani Nega. Músicas "Saci" e "Tocar o Gado": Dani Nega e Lucas Moura. Sample "Menino 23": Belisário Franca. Treinamento e desenho de Spoken Word: Roberta Estrela D'Alva. Cenografia e figurino: Ailton Barros. Desenvolvimento de figurino: Leonardo Carvalho. Desenho de luz: Matheus Brant. Montagem de luz: Matheus Brant e Leticia Nanni. Operação de luz: Matheus Brant e Leticia Nanni. Técnico de som: Hugo Bispo. Cenotecnia: Douglas Vendramini e Helen Lucinda. Produção: Corpo Rastreado. Realização: O Bonde.

Roda de Conversa - Lucas Moura (dramaturgo) - Lucas cursa Filosofia pela USP, é formado em dramaturgia pela SP Escola de Teatro, pela Escola Livre de Teatro e pelo Núcleo de Dramaturgia do Sesi. É também ator formado pela Cia. do Nó de Teatro. Como roteirista e diretor de podcast, foi um dos vencedores do edital Sound Up Brasil, do Spotify, que premiou 20 podcasters negros e indígenas do Brasil. Seu podcast ficcional para crianças negras, Calunguinha, o Cantador de Histórias, lançado em 2022, é um dos podcasts infantis mais escutados do Brasil, e conta com nomes como Lázaro Ramos, Yuri Marçal, Solange Couto, Douglas Silva, Theresa Cristina, Babu Santana, Ìcaro Silva, Naruna Costa, Luedji Luna e Margareth Menezes. 

Workshop - O Corpo Negro e o Teatro - Investiga como o corpo negro foi historicamente representado na tradição ocidental e como pode se afirmar como produtor de suas próprias narrativas. A partir de jogos de improvisação, práticas corporais, jogos de narratividade, exercícios de memória e partilhas orientadas, a oficina propõe o resgate de histórias individuais e coletivas, promovendo reconhecimento, olhar crítico, autoestima e autonomia criativa. Organizada em quatro etapas - ativação e roda de chegada; improvisações e práticas corporais; narrativas pessoais e coletivas; e debate e elaboração crítica - a oficina dialoga diretamente com os procedimentos de criação do coletivo O Bonde, que pesquisa a palavra, a narratividade, e a necropolitica aos corpos negros - lendo esse corpo como arquivo vivo atravessado por tempo, memória, território e ancestralidade.

Cia Os Crespos

Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas
Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar, revelando seus medos, dores, amores e sonhos. O espetáculo investiga as relações entre afetividade, Negritude, gênero e o impacto da escravidão na nossa maneira de amar. Nesse trabalho a Cia Os Crespos se debruça sobre temas como relações familiares, alteridade, direitos reprodutivos, sexo e violência contra a mulher. Em um jogo, no qual a plateia acompanha a transformação da atriz em diferentes personagens, a peça cruza fragmentos de vidas, sem necessariamente confrontá-las, entregando para o público a linha que costura seus caminhos.

Ficha técnica - Direção e atuação: Lucelia Sergio. Co-direção: Aysha Nascimento e Sidney Santiago Kuanza. Texto: Cidinha da Silva. Dramaturgia: Os Crespos e Cidinha da Silva. Atrizes colaboradoras processo criativo: Dani Nega, Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto e Nádia Bittencourt. Direção de arte: Mayara Mascarenhas. Desenho de luz: Edu Luz. Trilha sonora: Dani Nega. Músicas compostas: Miriam Bezerra ("O Tempo Não Estanca" e "Quando o Carnaval Chegar") e Darlene (“O que é o amor depois da dor?”). Vídeo final: Renata Martins. Vídeo Mapping e edição de vídeo: Ramon Zago. Produção: Rafael Ferro.

Workshop - Teatros Negros em (P)erspectivas - Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza, cofundadores da Cia. Os Crespos, propõem, por meio de múltiplos materiais, um mergulho na historicidade do teatro negro brasileiro, a partir de uma leitura crítica desse movimento e de seus ecos.

A Solidão do Feio
Monólogo performático, A Solidão do Feio é encenado e escrito pelo multiartista Sidney Santiago Kuanza, apresenta trajetória do romancista carioca Lima Barreto. Um ator em um estúdio improvisado e uma equipe fazem o exercício ficcional de recriar fragmentos da trajetória da vida e obra do escritor Afonso Henrique de Lima Barreto. O personagem, é contado em primeira pessoa com suas certezas, contradições e sonhos de futuro. Partindo de um velório em área externa da encenação, a história é contada em fragmentos não cronológicos da vida de Lima e passeia por diferentes gêneros teatrais. Sob a perspectiva performática do teatro panfletário - resultado da pesquisa continuada da Cia Os Crespos - Lima Barreto ganha, de acordo com Sidney Santiago, face do herói nacional. "Quando penso em Lima Barreto, penso em recontar a história de um homem insubmisso, que pensou o seu tempo e o seu país em profundidade”, afirma Sidney. Em direção compartilhada com a atriz Gabi Costa, Sidney, cujos estudos sobre o romancista remontam 2009, escolheu ampliar a representação do autor, ao sair da biografia comum, que reduz Lima ao homem negro, literato que foi parar no sanatório por problemas com bebida.

Ficha técnica - Concepção, dramaturgia e atuação: Sidney Santiago Kuanza. Direção: Gabi Costa e Sidney Santiago Kuanza. Direção de produção: Rafael Ferro e Sidney Santiago Kuanza. Direção de arte e produção executiva: Jandilson Vieira. Dramaturgia de imagens e desenho de som: Eduardo Alves. Iluminação: Denilson Marques. Cenografia: Wanderley Wagner. Figurino e trilha sonora: Sidney Santiago Kuanza. Figurino especial Lima Barreto: Zebu. Fotografia: Pedro Jackson e Fredo Peixoto. Adereços e desenho de traje: Thiago Figueira. Vozes off: Darília Ferreira, Heitor Goldflus e Pedrão Guimarães.

Fundada em 2005, a Cia. Os Crespos é um coletivo de artistas negros que se consolidou como um dos principais expoentes do teatro negro no Brasil. Conquistando espaço em espaços e mostras culturais pelo Brasil e exterior. A companhia é reconhecida por valorizar o protagonismo negro e promover debates sobre questões raciais, culturais e sociais. Entre seus projetos mais importantes está a trilogia Dos Desmanches aos Sonhos, composta por Além do PontoEngravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas e Cartas à Madame Satã ou Me Desespero Sem Notícias Suas, que investiga as relações afetivas e a construção de subjetividades negras. Atualmente, circula com seus recentes espetáculos, De Mãos Dadas com Minha Irmã e A Solidão do Feio, indicado ao Prêmio Shell na categoria Melhor ator 2024.

Roda de Conversa -  Gabi Costa é atriz e diretora negra com pesquisa cênica que considera diversidade e inclusão, investigando as relações entre dramaturgia e psicanálise. Sidney Santiago Kuanza é ator e diretor graduado pela EAD/ECA/USP com vasta atuação no cinema, teatro e TV.

Cia dOs Inventivos

Maria Auxiliadora
São Paulo, final da década de 1930. Maria Auxiliadora, João, Vicente, Conceição e demais irmãs(os) formam uma grande família de artistas negras/os que migram para a zona norte de São Paulo (SP). Em meio aos desafios da cidade, a família Silva vai tecendo a sua história e exercendo o seu protagonismo junto a outras famílias que construíram a metrópole paulistana. Pelas veredas do teatro popular, a Cia dOs Inventivos convida o público a pensar sobre ética comunitária, famílias alargadas e práticas ancestrais herdadas e reatualizadas na cidade. Uma reverência à vida e obra da artista plástica Maria Auxiliadora da Silva (1935 - 1974). São Paulo, final da década de 1930. Maria Auxiliadora, João, Vicente, Conceição e demais irmãs(os) formam uma grande família de artistas negras/os que migram para a zona norte de São Paulo (SP). Em meio aos desafios da cidade, a família Silva vai tecendo a sua história e exercendo o seu protagonismo junto a outras famílias que construíram a metrópole paulistana. Pelas veredas do teatro popular, a Cia dOs Inventivos convida o público a pensar sobre ética comunitária, famílias alargadas e práticas ancestrais herdadas e reatualizadas na cidade. Uma reverência à vida e obra da artista plástica Maria Auxiliadora da Silva (1935 - 1974). Duração: 120 minutos Classificação etária: 14 anos

Ficha técnica - Concepção e direção geral: Flávio Rodrigues. Assistência de direção: Aysha Nascimento. Artistas-criadora(es): Adilson Fernandes, Aysha Nascimento, Carol Nascimento, Danilo de Carvalho, Dirce Thomaz, Flávio Rodrigues, Marcos di Ferreira, Natali Santos (stand-in), Taynã Azevedo e Val Ribeiro. Dramaturgia: Dione Carlos. Dramaturgia da cena: Cia dOs Inventivos. Direção musical: Jonathan Silva. Músicas originais: Adilson Fernandes, Bruno Garcia, Carol Nascimento, Dani Nega, Flávio Rodrigues e Jonathan Silva. Cenografia: Flávio Rodrigues e Wanderley Wagner. Desenho de luz: Wagner Pinto. Instalação e adereços: Marcos di Ferreira e Taynã Azevedo. Figurino: Silvana Marcondes. Fotografia: Zé Barretta. Produção Geral: Cia dOs Inventivos.

Workshop - Oficina Inventiva - Com 22 anos de trajetória, o núcleo da Cia dOs Inventivos tem como objetivo a partilha das experiências adquiridas nas montagens de seu repertório. São mais de duas décadas dedicadas às pesquisas sobre o teatro popular e teatro de rua, voltados aos princípios fundamentados nos modos de criação com base no processo colaborativo e no teatro épico-narrativo, às distintas manifestações no tempo/histórico e ao rigor corporal com treinamentos específicos para as montagens. A oficina, ministrada por Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues e Marcos di Ferreira, tem como premissa a partilha dessas experiências e a revisitação de fundamentos e a continuidade na pesquisa coletiva.

 

Créditos: Eliane Verbena | Verbena Comunicação


* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

 

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