Oposições Geométricas: Paulo Kuczynski aproxima obras de Mavignier e Piza em nova exposição *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Maio de 2026 - A Paulo Kuczynski Galeria inaugura, no dia 16 de maio, a exposição Oposições Geométricas, que reúne obras de Almir Mavignier e Arthur Luiz Piza. Com texto curatorial de Paulo Venancio Filho, a mostra coloca em relação duas trajetórias fundamentais da abstração construtiva que, embora tenham na geometria um ponto de partida comum, se desenvolvem a partir de princípios distintos.
Esse
contraste também se manifesta em seus percursos: Piza atuou em Paris, em um
momento de deslocamento de sua centralidade no circuito moderno, enquanto
Mavignier se formou na Alemanha do pós-guerra, em meio à renovação das
vanguardas e à emergência de uma nova geografia artística europeia, mais
dispersa e interconectada.
Na
obra de Arthur Luiz Piza, desenvolvida entre colagens, relevos e gravuras, a
geometria se manifesta como matéria e relação. Seus relevos partem do recorte
manual de pequenos quadrados de papel, montados um a um, compondo superfícies
que, à primeira vista, parecem regulares. Um olhar mais atento revela
assimetrias deliberadas, deslocando o interesse da forma ideal para a
comunicação entre os elementos.
Essa
investigação tem início nas colagens sobre papel e se desdobra em
experimentações com suporte e materialidade. Após anos de trajetória, o artista
encontra nos carpetes de sisal um suporte que amplia as possibilidades do
relevo, incorporando posteriormente recortes metálicos. Seu processo se
desenvolve de modo contínuo, em que cada etapa contém, em potência,
desdobramentos futuros.
Em
Almir Mavignier, a geometria se organiza a partir do controle e da precisão.
Sua trajetória é marcada por um processo de redução formal que culmina na
adoção do ponto como elemento constitutivo. A partir do final dos anos 1950,
desenvolve um procedimento técnico no qual a tinta é depositada em pequenos
volumes que se organizam em tramas rigorosas.
A
repetição controlada do gesto confere à sua pintura um caráter sistemático, no
qual cada ponto resulta de uma operação precisa. Inserida no contexto das
pesquisas ópticas do pós-guerra, sua obra se articula em torno de efeitos
visuais que se revelam na percepção do conjunto, produzindo vibrações e deslocamentos
na leitura da forma.
Como
observa Paulo Venancio Filho no texto curatorial, “A impregnação visual nas
obras de Piza é mais lenta e densa, mais introvertida que extrovertida, mais de
profundidade que de superfície, resultado de uma tensão entre o efeito
puramente óptico, característico de Mavignier e a lentidão da absorção
pictórica. Entretanto, em Piza como em Mavignier, realiza-se a mesma
experiência de indagação sobre a persistência e as possibilidades de uma
racionalidade estritamente visual […] a construção geométrica vai se prolongar
em ambos de maneira divergente, mas correlata.”
Oposições Geométricas constrói um diálogo entre Mavignier e Piza, que começa muito antes de sua concepção. Amigo de Piza, em Paris, e admirador à distância da obra de Mavignier, Paulo Kuczynski vem, há cerca de 15 anos, colecionando trabalhos de ambos, adquirindo-os na Europa, onde viveram e produziram algumas de suas obras mais importantes. Hoje, ao reunir um conjunto de grande relevância, a galeria tem a satisfação de conceber esta mostra — acompanhada de um catálogo — e, finalmente, apresentar ao público esse acervo de obras cuidadosamente garimpadas.
Sobre a galeria
A
arte brasileira do século passado — em particular o modernismo, o concretismo e
o neoconcretismo — constitui o foco de interesse do marchand e
colecionador Paulo Kuczynski, que há cinquenta anos vem
contribuindo para a formação de coleções privadas e institucionais no Brasil e
no exterior.
Kuczynski
aprimorou seu olhar para identificar, no período mais fértil de cada artista,
as melhores obras. E foi graças a esse olhar que alguns dos trabalhos mais
relevantes de Volpi, Pancetti, Segall, Frans Krajcberg, Lygia Clark, Cildo
Meirelles, Tarsila, Ismael Nery, Di Cavalcanti e Guignard,
entre outros, passaram a integrar importantes acervos.
Marco
zero do percurso de Kuczynski, a obra de Alfredo Volpi o acompanharia a partir
da década de 1960, quando o marchand vendeu uma tela sua. Encarregado de
comercializar outros quadros do pintor, ele se apaixonou pelas obras e as
comprou, iniciando assim sua coleção particular. Volpi, com quem manteve uma
relação muito próxima, frequentando seu ateliê por vinte anos, foi, pois, o
estopim da dupla atividade de Kuczynski, a de colecionador e a de marchand.
Incontáveis
aquisições e vendas, mostras e publicações de Paulo Kuczynski em suas cinco
décadas de atividade incluíram, em 2019 — apenas as mais recentes
—, a venda ao MoMA de A Lua, de Tarsila do Amaral. Em 2023, com A coleção
imaginária, exposição no Instituto Tomie Ohtake, nos apresentou um
panorama da arte brasileira a partir de peças que passaram por suas mãos. E em
2024 trouxe ao Brasil o quadro A viúva, de Segall, que, confiscado pelos nazistas em
1937 é dado por perdido, reaparecera em Paris.
Comandada
por Paulo Kuczynski, Anita Kuczynski e Alexandre Santos Silva, a PK Galeria de
Arte segue oferecendo obras que sublinham seu protagonismo ao garimpar as
melhores produções de artistas que marcaram a história da arte brasileira.
Serviço
Oposições Geométricas
Texto curatorial: Paulo Venancio Filho
Endereço: Alameda Lorena, 1661 - Cerqueira César, São
Paulo
Período expositivo: 16 de maio a 22 de agosto de 2026
Horário: Segunda a sexta, das 9h30 às 18h e aos sábados, das 11h às
15h
Entrada
gratuita
Classificação: livre
Mais informações: pkgaleria.com/
Créditos: Edgard França | Cor
Comunicação
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Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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