Motörhead: 35 anos de “1916”
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| "1916", do Motörhead, completa 35 anos de lançamento em 2026. |
Gravado
em Hollywood, EUA, nos últimos meses de 1990, “1916” foi o primeiro álbum do Motörhead lançado pela WTG Records. O
disco, o nono de sua vasta discografia, foi lançado em 26 de fevereiro de 1991.
Esse trabalho foi lançado após a resolução de uma batalha judicial com a GWR
Records.
No
estúdio, Lemmy e cia. gravaram apenas quatro faixas com o produtor Ed Stasium,
conhecido por seus trabalhos com os Ramones. Isso porque o vocalista não se
entendeu com o produtor durante a produção do álbum. Segundo Stasium, a trinca
Lemmy-drogas-álcool excedeu os limites de sua paciência, fazendo com que ele “abandonasse
o barco”. O que se sabe também é que Stasium foi demitido e Pete Solley foi
contratado em seu lugar.
Logo
de cara, em “The One To Sing The Blues”,
os caras já deixavam evidente que o Motörhead ainda sabia muito bem fazer o que
sempre fez: riff direto, pesado e sem frescura. Na sequência, “I’m So Bad (Baby I Don’t Care)” segue
essa pegada crua e funciona como um dos momentos mais imediatos do disco. “No Voices In The Sky” mantém a mesma linha,
com força e uma levada com assinatura do grupo.
Quando
chega em “Going To Brazil”, a atmosfera
muda um pouco: é mais solta, quase divertida, com aquela energia de estrada que
acabou virando um hino entre os fãs brasileiros. A banda a compôs após a sua
primeira visita ao nosso país. E, evidentemente que, toda vez que eles vinham
ao Brasil, a execução desta era obrigatória. É a mesma coisa se o Deep Purple
ir ao Japão em relação a “Woman From Tokio”.
Já “Angel City” também destoa um
pouco do padrão, com um toque mais Rock ‘N’ Roll clássico e até metais no
arranjo, algo infrequente para eles.
Porém,
“Love Me Forever” é um ponto de virada. É uma balada — coisa rara no repertório
do Motörhead — e traz um movimento mais carregado e arrastado, com um
instrumental bem estabelecido, apesar da voz do Lemmy não ser a mais apropriada
para esse tipo de música. Enquanto isso, “Make My Day” retoma o peso, com rapidez
e agressividade, com destaque para a bateria acelerada do saudoso Phil “Philthy Animal” Taylor e riffs bem marcantes.
A
homenagem aparece em “R.A.M.O.N.E.S.”,
curta, direta e sincera, refletindo a admiração da banda pelos Ramones — algo
que sempre foi recíproco -, que foi posteriormente gravada pelos próprios
Ramones no álbum “Greatest Hits Live”,
como uma das duas faixas bônus do álbum e também, os punks novaiorquinos a
executaram em seu último show, com participação de Lemmy, essa performance pode
ser vista e ouvida no CD/vídeo, “We’re
Outta Here”, de 1997, o que comprova que o Motörhead agrada a “gregos e
troianos”, ou seja, tanto punks quanto metaleiros curtem as obras de Lemmy e
sua gangue. Além da homenagem aos amigos, “Shut
You Down” também manteve o espírito punk e cru que contribuiu para o lado
mais simples e direto do disco.
Mas
é no final que o álbum ostenta de vez o conceito. “Nightmare/The Dreamtime” já traz um clima diferente, mais
atmosférico, com uso de teclados — algo não usual na sonoridade da banda. E a
faixa-título, “1916”, encerra a obra
de maneira intrinsecamente anômala para os padrões Motörhead: lenta, quase
minimalista, com violoncelo e um tom fúnebre que remete diretamente às
tragédias da guerra, especialmente batalhas como a Batalha do Somme. É uma
música mais contemplativa do que impactante, mas cumpre o papel de encerrar o
disco com essa carga histórica.
O
disco alcançou a 24ª posição nas paradas britânica e foi indicado para o Grammy
na categoria de Melhor Performance de Metal, em 1992, mas perdeu para o
Metallica, que lançou o álbum homônimo em 1991, também conhecido como “Black Album”.
No
saldo, “1916” é um álbum de mudança.
Tem experimentações que nem sempre funcionam, mas também tem muitos momentos
que apresentam o Motörhead como ele realmente era. Um belo registro de Lemmy e seus
parças.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Por
Jorge Almeida

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