Estopô Balaio estreia “Reset América Latina” no Sesc Belenzinho *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Inédito, o trabalho transforma um cruzeiro de luxo em alegoria da formação latino-americana
A
montagem investiga colonialidade, identidade e pertencimento a partir da
metáfora da travessia
O Coletivo Estopô Balaio estreia no dia 14
de maio, no Sesc Belenzinho, o espetáculo "Reset América
Latina, terceiro e último trabalho da Trilogia da Amnésia, iniciada
com Reset Nordeste (2020) e seguida por Reset Brasil
(2023). A temporada segue até 28 de junho, com sessões de sexta
à domingo.
Premiado
ao Shell na categoria Inovação por “A Cidade dos Rios Invisíveis” em
2020, conhecido por suas criações em ruas, praças e trens da CPTM, o
grupo da zona leste de São Paulo realiza, agora, um movimento inédito: ocupar
um espaço fechado. Entre os nove espetáculos de sua trajetória, apenas um havia
sido concebido para palco. A decisão marca uma inflexão estética e estratégica
na história do coletivo.
“Estamos
trocando de pele em todos os sentidos”, afirma a diretora e atriz Ana
Carolina Marinho. “A trilogia é um mergulho para dentro. Investigamos o que
esquecemos de lembrar quando inventamos identidades que nos homogeneizam. O
nordestino, o brasileiro e agora o latino-americano são construções que
encobrem camadas étnicas, raciais e territoriais muito mais complexas.”
A
mudança de linguagem dialoga também com o contexto das políticas culturais
atuais. Diante de dificuldades crescentes de circulação e financiamento para
trabalhos itinerantes, o grupo opta por experimentar um formato que dialogue
com os mecanismos institucionais vigentes, sem abrir mão de sua perspectiva
crítica.
Ao
mesmo tempo, o coletivo prepara a inauguração de sua nova sede no Jardim
Romano, também na zona leste, instalada em um antigo salão religioso que está
sendo transformado em teatro. A abertura está prevista para julho, logo após o
encerramento da temporada no Sesc.
Um cruzeiro chamado “Sangue Latino”Em cena, Reset América Latina se inicia dentro de um
cruzeiro de luxo — metáfora do próprio teatro. Um “não-lugar” em águas internacionais,
onde passageiros embarcam para viver uma experiência de consumo cultural e
identitário.
O
primeiro ato assume a forma de um musical: canções populares do imaginário
brasileiro conduzem um espetáculo que revisita simbolicamente as grandes
navegações e o projeto colonial. Aos poucos, surgem fissuras. Conflitos de
classe, raça e pertencimento atravessam dois núcleos de personagens: um casal
em ascensão social e um grupo de amigos que ganha uma viagem premiada.
“O
cruzeiro atravessa o Atlântico como uma espiral do tempo”, explica o dramaturgo
e ator Juão Nyn. “Caravelas, navios negreiros — tudo ecoa nesse
percurso. A ideia é questionar essas identidades criadas pelos invasores da
terra e perguntar: o que somos antes de sermos latino-americanos?”
No
segundo ato, o espetáculo desloca o olhar para os bastidores da embarcação —
cozinha, limpeza e maquinário. Trabalhadores exaustos, ainda que
financeiramente recompensados, confrontam a sensação de esvaziamento e saque
simbólico. Uma disputa em torno de um prato — a “língua” servida aos
passageiros — torna-se alegoria da violência histórica sobre território,
cultura e linguagem.
Já
o terceiro momento rompe com a narrativa realista e avança para uma dimensão
imagética e pós-dramática. A figura da cobra — demonizada na tradição cristã e
reverenciada em diversas cosmologias indígenas — torna-se eixo simbólico da
transformação. Trocar de pele, aqui, é abandonar camadas coloniais para acessar
outras temporalidades e cosmovisões.
Ancestralidade críticaA Trilogia da Amnésia parte da provocação: o que apagamos quando adotamos
identidades nacionais ou regionais como essência? Se o conceito de Nordeste tem
menos de um século e o de América Latina nasce de projetos coloniais, que
histórias anteriores ficam soterradas?
O
grupo propõe o que chama de “ancestralidade crítica”: reconhecer que toda
identidade é atravessada por disputas e que honrar o passado pode implicar
também trair legados violentos. A discussão inclui a branquitude
latino-americana e suas estratégias de pertencimento simbólico, tensionando a
ideia de uma experiência homogênea no continente.
Elenco e criação coletivaPela primeira vez, o Estopô inicia um processo tendo todo o elenco fixo do
grupo em cena — Ana Carolina Marinho, Juão Nyn, Dandara Azevedo, Kelly Andrade
e Dunstin Farias — acompanhados por quatro intérpretes convidados. Integrantes
que não atuam assumem funções de produção, figurino e secretariado.
A
dramaturgia é assinada por Lara Duarte, com colaboração do coletivo,
assistência de direção de Bárbara Freitas e Direção de Eliana Monteiro. A
preparação vocal, corporal e direção de movimentos é de Dudu Galvão e produção
de Wemerson Nunes.
A
identidade visual do espetáculo incorpora desenhos produzidos por crianças do
Jardim Romano em oficina artística, reforçando o diálogo territorial que marca
a trajetória do coletivo.
Montado
com recursos do ProAC, Reset América Latina tem previsão de 30
apresentações públicas.
Marcando
a segunda experiência do coletivo na caixa cênica, Reset América Latina desloca
para o espaço fechado do teatro uma pesquisa antes realizada em diálogo direto
com a cidade, e se pergunta como trazer o território para dentro do cruzeiro,
convidando o público a embarcar em uma viagem satírica sobre o que constitui a
identidade Latino Americana.
FICHA
TÉCNICA
DIREÇÃO
GERAL: Eliana Monteiro
DIRETORA
ASSISTENTE: Bárbara
Freitas
IDEALIZAÇÃO
E CRIAÇÃO: Coletivo
Estopô Balaio
DRAMATURGIA: Lara
Duarte com Colaboração do Coletivo Estopô Balaio
TEXTOS: Ana Carolina
Marinho, Bárbara Freitas, Eliana Monteiro, Dandara Azevedo, Dunstin Farias,
Juão Nyn, Keli Andrade, Lara Duarte, Wescritor
DIREÇÃO
DE MOVIMENTOS E PREPARADOR CORPORAL: Dudu Galvão
DIREÇÃO
E PRODUÇÃO MUSICAL: Dani Nega
CRIAÇÃO
MUSICAL: Coletivo
Estopô Balaio e Dani Nega
PRODUÇÃO
MUSICAL - SHOW DE ABERTURA: Dani Nega e Pipo Pegoraro
CANÇÕES
ORIGINAIS: Elenco
ARRANJOS
DE VOZ: Dudu
Galvão
ELENCO
ESTOPÔ BALAIO: Ana Carolina Marinho, Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Keli
Andrade, Juão Nyn
ELENCO
CONVIDADO: Adyel Kariú Kariri, Hayla Cavalcanti, Potira Marinho, Wescritor
DESENHO
DE LUZ: Guilherme Bonfanti
OPERAÇÃO
DE LUZ: Yasmin
Ebere
OPERAÇÃO
E DESIGN DE SOM: André Papi
VIDEOGRAFIA: Bianca Turner
OPERAÇÃO
DE VÍDEO MAPPING: Julia Ro, Laura do Lago e Bianca Turner
CONCEPÇÃO
DE CENOGRAFIA: Eliana Monteiro
ASSISTENTE
DE CENOGRAFIA E DESENHO TÉCNICO: José Fernando Bicudo
CENOTÉCNICO: Zé Valdir
CRIAÇÃO
E CONCEPÇÃO DE FIGURINOS: Mara Carvalho
CONFECÇÃO,
MODELAGEM E COSTURA: Silvana Carvalho
ADEREÇOS: Rafa Giz e Zé
Valdir
IDENTIDADE
VISUAL: Daniel Torres
CONTRA-REGRAS: Lisa
Ferreira, Muri Palma, Mauro José e Rafael Alcantara
MONTADORES: Mauro José,
Rafael Alcantara
ASSESSORIA
DE IMPRENSA: Márcia Marques - Canal Aberto
SECRETARIA: Lisa Ferreira
MÍDIAS
SOCIAIS: Jorge Ferreira
FOTOGRAFIA
E CÂMERA: Cassandra Mello
DIREÇÃO
DE PRODUÇÃO: Wemerson Nunes
ASSISTENTE
DE PRODUÇÃO: Muri Palma
PRODUÇÃO
: WN
Produções e Bela Filmes Produções
REALIZAÇÃO: Coletivo
Estopô Balaio e Sesc São Paulo
ACESSIBILIDADE: LIBRAS
e AUDIODESCRIÇÃO (Consulte datas)
AGRADECIMENTOS: Teatro de Contêiner Mungunzá (Cia Mungunzá), Cia Antropofágica (Teatro Pyndorama), Cia Livre (Casa Livre), Cooperativa Paulista de Teatro, Casa Faroffa, Galpão do Folias, Complexo Funarte, Teatro Flávio Império, SP Escola de Teatro, Teatro da Vertigem e aos moradores do Jardim Romano.
SERVIÇO
Reset
América Latina
Data:
14 de maio a 28 de junho, às sextas e aos sábados, às 20h30, e, aos domingos,
às 17h30
Estreia
14 de maio, quinta-feira às 20h30.
|Sessões
especiais nos dias 16 e 17 de maio, durante a Semana S: retirada de ingressos
dia 15/5 a partir das 14h online. Gratuito
|Sessões especiais nos dias 23 e 24 de maio, durante a Virada Cultural retirada de ingressos um dia antes a partir das 15h online. Gratuito
Acessibilidade
Interpretação
em Libras nos dias: 24/05, 29/05, 06/06, 14/06, 20/06 e 28/06.
Audiodescrição
nos dias: 07/06, 12/06 e 21/06.
Local:
Sesc Belenzinho - R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho, São Paulo, SP
Ingressos:
R$60,00 (inteira); R$30,00 (meia-entrada); R$18,00 (Credencial Plena).
Vendas
no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das
unidades Sesc.
Local:
Sala de Espetáculos I (130 lugares). Duração: 120 min. Classificação: A partir
de 12 anos.
SESC
BELENZINHO
Endereço:
Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone:
(11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho
Estacionamento:
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores:
Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora
adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora
adicional.
Transporte
Público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)
Sesc
Belenzinho nas redes
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| Instagram | YouTube: @sescbelenzinho
Créditos: Daniele Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo
foi enviado pela assessoria de imprensa

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