Às vésperas da Copa 2026, IA muda o futebol do campo à tela do torcedor *
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| Foto meramente ilistrativa. |
Tecnologias de monitoramento, dados em tempo real e realidade aumentada prometem transformar partidas, transmissões e a experiência dos fãs
A poucas semanas da Copa do Mundo 2026, inteligência
artificial, sensores e análise de dados em tempo real já começam a redefinir a
experiência do futebol dentro e fora de campo. De bolas inteligentes conectadas
ao VAR até monitoramento físico dos atletas e transmissões com realidade
aumentada, o torneio deve marcar uma das edições mais tecnológicas da história.
A movimentação acompanha o interesse do público. Segundo a pesquisa “O jogo fora
de campo: decisões, marcas e consumo do brasileiro na preparação para a Copa do
Mundo 2026”, realizada pela MindMiners, 83% dos brasileiros
pretendem acompanhar o torneio, enquanto 69% enxergam a competição como um
momento de entretenimento que vai além do futebol.
Enquanto torcedores organizam encontros, acompanham as partidas
e discutem lances nas redes sociais, uma transformação acontece dentro e fora
de campo. Sensores, inteligência artificial e sistemas de análise de dados em
tempo real vêm alterando não apenas a forma como o jogo é arbitrado, mas também
como atletas se preparam e decisões são tomadas durante as partidas.
“O futebol se tornou um ambiente altamente orientado por dados,
com informações sendo processadas em tempo real a partir de múltiplas fontes”,
afirma o palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados,
professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro
‘Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes
Inteligentes’, Kenneth Corrêa.
Da bola ao VAR: decisões mais rápidas e menos
subjetivas
Um dos exemplos mais visíveis dessa mudança está na própria bola
utilizada na competição. Para a Copa de 2026, a tendência é o uso de bolas
conectadas, com chip de IA e sensor de movimento de 500 Hz embutido. Elas
transmitem dados precisos de posição, rotação e até o momento exato do impacto
da chuteira em tempo real para as equipes de arbitragem.
“Essas informações serão combinadas com sistemas de rastreamento
óptico, baseados em múltiplas câmeras instaladas nos estádios, que capturam
milhares de pontos do corpo dos atletas ao longo da partida. O cruzamento
desses dados permite a operação de tecnologias como o impedimento
semiautomático, que reduz o tempo de análise de lances e padroniza decisões”,
explica Corrêa.
Bastidores mais analíticos
Fora das quatro linhas, o impacto da tecnologia também é
crescente. Comissões técnicas têm acesso a plataformas que analisam, em tempo
real, padrões de jogo, redes de passes e ocupação de espaços em campo.
Essas ferramentas permitem ajustes táticos durante a partida com
base em dados atualizados constantemente, um contraste com o modelo
tradicional, baseado principalmente em observação e experiência.
Além disso, sensores acoplados a equipamentos dos jogadores
ajudam a monitorar indicadores físicos, como carga muscular e sinais de fadiga.
A partir desses dados, equipes conseguem antecipar riscos de lesão e tomar
decisões mais informadas sobre substituições.
Segundo o especialista, o uso dessas tecnologias tende a ampliar
a capacidade de leitura do jogo pelas comissões técnicas. “Os dados oferecem
suporte à decisão, mas o contexto e a interpretação continuam sendo
fundamentais”, diz Kenneth.
A experiência do torcedor também muda
A digitalização do futebol não se limita ao campo. Hoje, o
torcedor também passou a ter acesso a esse "centro de comando" na
palma da mão. Esse comportamento também é coletivo: 57% dos brasileiros
pretendem assistir aos jogos em casa com amigos ou familiares, segundo a
pesquisa da MindMiners. Nos estádios e nas transmissões, o uso de gráficos
avançados, replays em 3D e recursos de realidade aumentada vem se tornando mais
comum.
A experiência de ir ao estádio deixou de ser apenas
contemplativa e passou a ser interativa. “Na Copa do Catar, por exemplo, o
aplicativo FIFA+ introduziu o Stadium Experience, uma funcionalidade de
Realidade Aumentada. O torcedor apontava o celular para o gramado e via,
sobrepostos na tela, estatísticas ao vivo, a velocidade de um atleta em tempo
real e revia os lances do VAR pelo próprio aparelho, reduzindo a incerteza
sobre as decisões do árbitro”, relembra o professor.
Para quem assiste de casa, a mudança na transmissão vem da mesma
fonte de dados: o rastreamento óptico e o impedimento semiautomático. Em vez
daquelas linhas desenhadas manualmente que geravam discussões intermináveis, as
emissoras agora recebem gráficos 3D automáticos e replays volumétricos que
explicam visualmente e com precisão a decisão da arbitragem, ampliando a
transparência das decisões.
"Este ano, com a robusta infraestrutura de 5G dos Estados
Unidos, México e Canadá, a expectativa é que essa camada de ‘estádio
inteligente’ e realidade mista (aumentada + virtual) se torne o padrão
absoluto", pontua Kenneth.
Segundo o especialista, o entretenimento visual no entorno das
arenas também mudou. "O uso de tecnologias aéreas está em alta, com
empresas como a Cyberdrone realizando shows com centenas ou até milhares de
drones perfeitamente coordenados para criar narrativas e escudos de times no
céu. Este é o tipo de tecnologia que certamente vai dominar as Fan Fests e as
cerimônias de abertura e encerramento em 2026", completa.
Entre eficiência e debate
Apesar dos avanços, a incorporação de tecnologia ao futebol
ainda levanta questionamentos. Há discussões sobre o custo dessas soluções, o
acesso desigual entre diferentes ligas e o risco de dependência excessiva de
sistemas automatizados.
Além disso, parte dos torcedores e analistas defende que o
excesso de intervenções pode impactar a fluidez do jogo ou reduzir seu caráter
imprevisível, uma das marcas do esporte. Por outro lado, entidades esportivas e
desenvolvedores de tecnologia argumentam que o uso de dados contribui para
maior transparência, segurança dos atletas e consistência nas decisões.
Um caminho sem volta
Quando há ferramentas operando nos bastidores com precisão
milimétrica, como a bola TRIONDA com sensor calculando o ponto exato do chute,
ou os sistemas de visão computacional cravando a linha de impedimento
semiautomático, a margem para o erro diminui.
Para garantir que essa justiça matemática seja percebida por
todos e as polêmicas diminuam, o foco total agora está nas soluções de
transparência. Enquanto isso, para o torcedor, grande parte dessa transformação
segue invisível, ainda que cada vez mais presente em cada lance decisivo.
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Créditos: Grazielle Franca | Agência Temma
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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