Charanga do França reúne 43 mil pessoas em dois cortejos e reafirma o Carnaval como experiência coletiva de cidade *
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| Imagem meramente ilustrativa. |
Ao reunir 40 mil pessoas na segunda-feira de Carnaval e outras 3 mil na Charanguinha, a Charanga do França reafirma a força do encontro nas ruas e provoca uma reflexão que ultrapassa a festa: que cidade se constrói quando caminhamos juntos?
Charanga do França: da banda ao bloco, um projeto que vive o ano inteiro e que pensa a cidade
Na manhã de 16 de fevereiro de 2026, segunda-feira de Carnaval, o bairro de Santa Cecília recebeu a 11ª saída de O Espetacular Bloco da Charanga do França. A concentração começou às 9h e, ao longo do cortejo, cerca de 40 mil pessoas ocuparam as ruas da região central, consolidando o bloco entre os maiores do carnaval paulistano.
Fiel à sua proposta desde a
criação, o desfile ocorreu sem trio elétrico, sem palco e sem qualquer tipo de
amplificação. A orquestra de sopros e percussão caminhou no mesmo nível do
público, reafirmando a característica que distingue a Charanga: música feita no
chão, lado a lado com os foliões, em contato direto com a cidade.
À
frente, Thiago França — saxofonista, maestro e fundador do bloco —
conduziu os músicos de A Espetacular da Charanga do França: Anderson
Quevedo (sax barítono), Allan Abbadia (trombone), Amilcar
Rodrigues (trompete), Filipe Nader (sousafone), Samba Sam
(surdo), Sthe Araújo (agogô, ganzá, xequerê, conga) e Welington
Moreira “Pimpa” (caixa, pandeiro, afoxé), ao lado de cerca de 120
instrumentistas.
Durante
o trajeto, insistiu em um gesto simples e radical: devolver o som à escala
humana. O canto partiu dos próprios foliões, formando um coro espontâneo que
atravessou marchinhas, composições autorais e referências que vão de Nelson
Cavaquinho a Só Pra Contrariar, além de axé dos anos 1990 e funk. O
repertório refletiu a diversidade musical que compõe a cidade e dialogou com
diferentes gerações presentes no cortejo.
O cortejo é a expressão mais visível de um trabalho contínuo. O bloco nasce da atuação permanente da banda A Espetacular Charanga do França, núcleo responsável pela criação dos arranjos, condução dos ensaios e organização das oficinas de sopro e percussão realizadas ao longo do ano. Com circulação constante por espaços culturais e festivais no Brasil e, em 2025, com a realização da primeira turnê internacional, o grupo sustenta uma prática artística que tem no Carnaval seu desdobramento natural. Atualmente, cerca de 80 participantes integram as oficinas, formando o corpo ampliado de músicos que ganhou as ruas em fevereiro e reforçou o caráter formativo e coletivo do projeto.
Cinco dias depois, em 21 de fevereiro, às 10h, a proposta se expandiu para outro público. A festa ganhou outra escala. Não menor, mas mais miúda, na altura dos olhos das crianças. A Charanguinha do França saiu pela Vila Buarque reunindo cerca de 3 mil pessoas, entre pequenos foliões, mães, pais, avós e curiosos. Em seu sexto cortejo, o bloco infantil manteve o formato acústico e a proximidade com o público, combinando repertório adaptado, intervenções lúdicas e brincadeiras conduzidas pelos músicos.
Criada a partir de uma iniciativa pessoal de Thiago França em 2018, a Charanguinha se consolidou como porta de entrada para o carnaval de rua, como experiência de convivência intergeracional e confirmou que o futuro do carnaval também se constrói no presente, quando a rua vira quintal e a cidade se apresenta como possibilidade de encontro. Um primeiro contato com a ideia de que o espaço público pode ser lúdico e coletivo.
Essa coerência entre discurso e prática é o que sustenta a força simbólica da Charanga. Criada em 2013 como um baile de pré-carnaval, ela cresceu junto com a retomada do carnaval de rua paulistano. Em 2023, foi reconhecida com o Prêmio APCA na categoria Projeto Especial. Em 2024, França esteve no centro do debate cultural ao participar do Roda Viva, em edição dedicada ao Carnaval.
Patrocinado pela CAIXA e pelo Governo do Brasil, com produção da Jasmim Produção Cultural, o bloco reafirmou em 2026 sua vocação pública: ocupar o espaço urbano como experiência compartilhada. Não se trata apenas de atravessar ruas, mas de habitá-las. De criar pertencimento onde antes havia apenas passagem.
Em um cenário urbano marcado pela pressa e pela segmentação, a Charanga propõe outra lógica: mistura, permanência e convivência. Ao reunir 40 mil pessoas na segunda-feira e 3 mil na Charanguinha, o projeto reforça a ideia de um carnaval acessível, plural e construído no encontro — um convite para experimentar a cidade como espaço comum.
Patrocínio: CAIXA e Governo do
Brasil - Tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil.
Créditos: Luciana Gandelini
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de imprensa

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