Rita Lee & Tutti Frutti: 50 anos de "Fruto Proibido"
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| "Fruto Proibido", clássico absoluto de Rita Lee e Tutti Frutti completa 50 anos de lançamento em 2025. |
Hoje, 30 de junho, um clássico do rock nacional completa 50 anos de seu lançamento. Me refiro ao inigualável “Fruto Proibido”, o segundo álbum da parceria entre Rita Lee e a banda Tutti-Frutti. O disco tem a produção assinada por Andy Mills, que trabalhou com Alice Cooper.
Gravado nos estúdios Eldorado em
abril de 1975, o disco se destaca pelo Hard Rock setentista com pitadas de
Blues, soul, pop e MPB e um trabalho primordial de Luís Carlini, que fez os
arranjos juntamente com Rita Lee. Foi nesse trabalho que Paulo Coelho foi
letrista fora da parceria de Raul Seixas. O mago é o co-autor de três faixas do
material.
Depois da saída dos Mutantes, Rita
Lee até tentou montar uma dupla com Lúcia Turnbull, As Cilibrinas do Éden, mas
não deu continuidade. Então, resolveu investir em uma banda de rock. Assim, em
1973, ela se uniu a Luís Carlini, Lee Marcucci, Emilson Colantonio (logo
substituído por Franklin Paolillo) e, posteriormente, o tecladista Paulo
Maurício e, juntos, formaram o Tutti-Frutti. Nessa empreitada, conseguiram
assinar um contrato com a Phillips, que exigiu que o disco de estreia da banda
fosse assinado como “Rita Lee & Tutti-Frutti”. Assim, em 1974, foi lançado
o único trabalho deles com a Phillips, o álbum “Atrás do Porto Tem Uma Cidade”, que traz “Menino Bonito”,
cujo single fez um amplo sucesso nacional.
No
ano seguinte, Rita e a banda trocaram de gravadora e acertaram com a Som Livre.
Com o novo selo, foi lançado “Fruto
Proibido”, que até hoje é considerado a obra-prima de Rita Lee e
que vendeu mais de 200 mil cópias na época e que coroou a cantora como a
“rainha do rock nacional”.
O
álbum traz nove faixas que, juntas, totalizam cerca de 38 minutos de puro rock.
A abertura fica por conta de “Dançar
Pra Não Dançar”, um rockão que se inicia com solo de piano e
uma guita predominadora. Em seguida, a balada hard e clássica de “Agora Só Falta Você”,
considerada um “hino feminista” e que acompanhou Rita Lee por toda a carreira.
Impossível não que tenha gente no Brasil que não conheça essa música!. O
terceiro tema é “Cartão
Postal”, um Blues feito em parceria com Paulo Coelho. Embora
não tenha tanto peso, é uma excelente música. A quarta faixa do disco é a que
dá nome ao disco: um rock básico com direito a gaita. E o play chega a sua
metade com “Esse
Tal de Roque Enrow”, que representa o espírito do rock na
versão desesperada de uma mãe. Outro sucesso que também foi co-escrita com
Paulo Coelho.
O
lado B da versão vinil de “Fruto
Proibido” inicia-se com a “progressiva” “O Toque”, essa é a terceira que traz a assinatura
de Paulo Coelho. Posteriormente, o disco segue com “Pirataria”, em que o trabalho do teclado é muito
bem executado e uma ótima participação do saudoso Manito na flauta à la Jethro
Tull. Na reta final, dois petardos: “Luz Del Fuego”, que começa com um ótimo riff e
traz um grandioso solo. E, finalmente, “Ovelha Negra”, que não poderia encerrar o álbum de
melhor forma. Uma balada atemporal, um clássico eterno. A música fala de uma
experiência de vida pessoal comum, como a saída da casa dos pais. Mas o ponto
alto fica por conta do solo hipnótico de Carlini, que insistiu ao produtor Andy
Mills para incluí-lo no final da faixa.
Como
é de conhecimento de todos, Rita Lee é uma genuína “hitmaker” (especialmente em
temas para novelas), e, mesmo com tantas excelentes composições feitas ao longo
de seus mais de 40 anos de carreira, a “nata” de seu auge criativo está aqui em
“Fruto Proibido”,
que é considerado constantemente um dos melhores álbuns da história do rock (e
da música como um todo) brasileiro. Discaço. Pode conferir sem medo.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.
Por
Jorge Almeida

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