Dire Straits: 40 anos de "Brothers In Arms"
![]() | |
| “Brothers In Arms”: clássico do Dire Straits, que completa 40 anos em 2025. |
O play foi
um dos primeiros discos a serem gravados em uma máquina de fita digital da Sony
de 24 faixas. A ideia de mudar as gravações para o formato digital veio por
conta dos esforços constantes de Mark Knopfler em melhorar a qualidade de som.
E, antes de chegar aos estúdios, o guitarrista/vocalista já tinha composto
todas as faixas do álbum e ensaiado com a banda que, além dele, era formada por
Alan Clark (piano e Hammond), John Illsley (baixo) e Guy Fletcher (sintetizador
e teclados), além de Terry Williams na bateria.
E, por conta do espaço limitado do estúdio, Mark e Neil Dorfsman, para
obter melhor efeito nas gravações, fizeram algumas adaptações, como a colocação
do kit de bateria em frente à sala de controle, um piano em uma cabine apertada
no canto do estúdio, os sintetizadores de Fletcher na sala de controle e por aí
vai. Contudo, de acordo com o produtor Neil Dorfsman, o desempenho do baterista
Terry Williams foi considerado inadequado para a sonoridade desejada para o
disco durante o primeiro mês das sessões de gravação e, com isso, ele foi
substituído temporariamente por Omar Hakim, um baterista de jazz, que regravou
as partes da bateria do álbum durante a estadia de dois dias antes de continuar
outros compromissos. Porém, tanto ele quanto Williams foram creditados no
disco, embora a única participação efetiva de Terry Williams foi na introdução
de “Money For Nothing“, mas ele esteve presente nos
videoclipes e na turnê mundial de promoção do disco.
O álbum começa com a clássica “So Far Way“, com
seus versos sofríveis (no sentimento de apaixonante, dolorido) faz dela um soft
rock que cativa até quem não curte rock. Em seguida, outro petardo: “Money For Nothing“, que foi o primeiro single da obra e
que apresenta o seu simples, mas genial riff. a inspiração da música aconteceu
quando Mark e o baixista John Illsley estavam em uma loja de eletrodomésticos
e, enquanto olhavam para os televisores, que estavam ligados em um canal
musical, um vendedor resmungava da situação pela qual passava e que poderia ter
uma “vida fácil” de músico. E, com o auge da MTV norte-americana, a música
descreveu essa “vida fácil” e o videoclipe foi marcante na época por conta do
pioneirismo na utilização da animação computadorizada. Aliás, a faixa tem a
participação especialíssima de Sting, que é o co-autor desse hit. O terceiro
tema é mais um clássico: “Walk Of Life” (que
foi a primeira música do Dire Straits que conheci ainda na minha infância na
década de 1980). Depois da ‘intro’ com teclados, a banda manda ver em uma
pegada que mistura rockabilly com country. Gosto bastante da condução do baixo
na música. E, para contrastar a faixa anterior, a boêmia “Your Latest Trick“, e o seu memorável fraseado de
saxofone, que protagoniza na música, a melosa canção é marcada pela sutileza e,
claro, tem “um quê de Kenny G”. E o disco chega à metade com a longa balada”Why Worry“, que celebra a amizade verdadeira, em uma
faixa em que o dedilhado de Mark Knopfler na guitarra age em contraponto ao
piano em um formato acústico intimista.
A segunda parte do play se dá com “Ride Across The River“,
que faz uma abordagem sobre um soldado mercenário doutrinado pelo sistema que
não se importa com a razão do combate com aquela máxima de “matar ou morrer”. A
música possui uma percussão um tanto abusiva, estrutura influenciada pela
música latina e guitarra que, em certos momentos, lembra Carlos Santana. Já na
country “The Man’s Too Strong“, começa com Knopfler dedilhando o
violão e, antes que o restante do grupo apareça na canção, ele segue cantando
até os demais aparecerem no refrão. A penúltima faixa é o blues “One World“, que merece atenção pela contribuição de
Tony Levin, que manda muito bem no groove nos slaps. E, para finalizar, a
faixa-título, um hino anti-belico, cuja atmosfera inicial apresenta ruídos de
batalha, que fala da história de um soldado ferido na batalha em que ele divaga
seus últimos momentos sobre a lealdade de seus “irmãos de batalha”. Aqui, Mark
Knopfler mostra porque é um dos guitarristas mais respeitados de sua geração ao
associar as notas rápidas e curtas com outras longas, e merece atenção a
“cozinha” econômica e necessária da música para finalizar essa obra-prima em
grande estilo.
O violão de
aço que aparece na capa do álbum, um National Style, modelo Ressonador, de
1937, é do próprio Mark Knopfler. Aliás, o disco foi lançado em CD, fita
cassete e duas versões em LP: simples e duplo. Enquanto na versão simples do
vinil contém as mesmas nove músicas, porém, boa parte delas editadas, situação
diferente na edição em LP duplo.
Em “Brothers In Arms“, o Dire Straits mostrou como nunca a
sua essência em mesclar Blues e Pop, em um disco repleto de canções que viraram
hits e, não é à toa, que o êxito de Mark Knopler e companhia se deu por conta
da inspiração do grupo e, além do número expressivo de cópias vendidas, os
caras foram receberam dois Grammys: um em 1986 na categoria “Melhor Gravação Projetada – Não Clássica“, outro em
2006 na categoria “Melhor Álbum de Som Surround“, além
de ter sido indicado na mesma premiação na categoria “Álbum do Ano“; ainda em 1986, recebeu o Juno Awards,
premiação canadense, na categoria de “Álbum Internacional Mais
Vendido“; e, em 1987, a obra foi eleita como “Melhor Álbum Britânico” pelo Brit Awards. Além de ter
aparecido naqueles rankings da Rolling Stone dos “500 Melhores Álbuns de Todos os
Tempos“, no “100 Maiores Álbuns Britânicos
de Todos os Tempos“, da Revista Q, ou, ainda, no livro “1001 Discos que Você Tem que Ouvir Antes de Morrer“.
Para encerrar, “Brothers In Arms” é tão obrigatório
para quem gosta de rock quanto a presença da Seleção Brasileira na Copa do
Mundo para quem curte futebol.
A seguir, a
ficha técnica e o tracklist da obra.
Por Jorge
Almeida

Comentários
Postar um comentário