Dire Straits: 40 anos de "Brothers In Arms"

“Brothers In Arms”: clássico do Dire Straits, que completa 40 anos em 2025.

Nesta terça-feira (13), um dos discos mais vendidos do rock faz aniversário de seu lançamento: “Brothers In Arms“, da banda britânica Dire Straits, que completa hoje 40 anos. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas, a obra foi considerada um marco na indústria fonográfica, pois foi um dos primeiros a serem feitos em um processo de gravação, mixagem e masterização totalmente digitais. Produzido por Neil Dorfsman e Mark Knopler, o álbum foi gravado entre outubro de 1984 e fevereiro de 1985 no AIR Studios, em Montserrat, território britânico no Caribe, e foi lançado pela Vertigo no Reino Unido e Warner Bros., nos Estados Unidos.

O play foi um dos primeiros discos a serem gravados em uma máquina de fita digital da Sony de 24 faixas. A ideia de mudar as gravações para o formato digital veio por conta dos esforços constantes de Mark Knopfler em melhorar a qualidade de som. E, antes de chegar aos estúdios, o guitarrista/vocalista já tinha composto todas as faixas do álbum e ensaiado com a banda que, além dele, era formada por Alan Clark (piano e Hammond), John Illsley (baixo) e Guy Fletcher (sintetizador e teclados), além de Terry Williams na bateria.

E, por conta do espaço limitado do estúdio, Mark e Neil Dorfsman, para obter melhor efeito nas gravações, fizeram algumas adaptações, como a colocação do kit de bateria em frente à sala de controle, um piano em uma cabine apertada no canto do estúdio, os sintetizadores de Fletcher na sala de controle e por aí vai. Contudo, de acordo com o produtor Neil Dorfsman, o desempenho do baterista Terry Williams foi considerado inadequado para a sonoridade desejada para o disco durante o primeiro mês das sessões de gravação e, com isso, ele foi substituído temporariamente por Omar Hakim, um baterista de jazz, que regravou as partes da bateria do álbum durante a estadia de dois dias antes de continuar outros compromissos. Porém, tanto ele quanto Williams foram creditados no disco, embora a única participação efetiva de Terry Williams foi na introdução de “Money For Nothing“, mas ele esteve presente nos videoclipes e na turnê mundial de promoção do disco.

O álbum começa com a clássica “So Far Way“, com seus versos sofríveis (no sentimento de apaixonante, dolorido) faz dela um soft rock que cativa até quem não curte rock. Em seguida, outro petardo: “Money For Nothing“, que foi o primeiro single da obra e que apresenta o seu simples, mas genial riff. a inspiração da música aconteceu quando Mark e o baixista John Illsley estavam em uma loja de eletrodomésticos e, enquanto olhavam para os televisores, que estavam ligados em um canal musical, um vendedor resmungava da situação pela qual passava e que poderia ter uma “vida fácil” de músico. E, com o auge da MTV norte-americana, a música descreveu essa “vida fácil” e o videoclipe foi marcante na época por conta do pioneirismo na utilização da animação computadorizada. Aliás, a faixa tem a participação especialíssima de Sting, que é o co-autor desse hit. O terceiro tema é mais um clássico: “Walk Of Life” (que foi a primeira música do Dire Straits que conheci ainda na minha infância na década de 1980). Depois da ‘intro’ com teclados, a banda manda ver em uma pegada que mistura rockabilly com country. Gosto bastante da condução do baixo na música. E, para contrastar a faixa anterior, a boêmia “Your Latest Trick“, e o seu memorável fraseado de saxofone, que protagoniza na música, a melosa canção é marcada pela sutileza e, claro, tem “um quê de Kenny G”. E o disco chega à metade com a longa balada”Why Worry“, que celebra a amizade verdadeira, em uma faixa em que o dedilhado de Mark Knopfler na guitarra age em contraponto ao piano em um formato acústico intimista.

A segunda parte do play se dá com “Ride Across The River“, que faz uma abordagem sobre um soldado mercenário doutrinado pelo sistema que não se importa com a razão do combate com aquela máxima de “matar ou morrer”. A música possui uma percussão um tanto abusiva, estrutura influenciada pela música latina e guitarra que, em certos momentos, lembra Carlos Santana. Já na country “The Man’s Too Strong“, começa com Knopfler dedilhando o violão e, antes que o restante do grupo apareça na canção, ele segue cantando até os demais aparecerem no refrão. A penúltima faixa é o blues “One World“, que merece atenção pela contribuição de Tony Levin, que manda muito bem no groove nos slaps. E, para finalizar, a faixa-título, um hino anti-belico, cuja atmosfera inicial apresenta ruídos de batalha, que fala da história de um soldado ferido na batalha em que ele divaga seus últimos momentos sobre a lealdade de seus “irmãos de batalha”. Aqui, Mark Knopfler mostra porque é um dos guitarristas mais respeitados de sua geração ao associar as notas rápidas e curtas com outras longas, e merece atenção a “cozinha” econômica e necessária da música para finalizar essa obra-prima em grande estilo.

O violão de aço que aparece na capa do álbum, um National Style, modelo Ressonador, de 1937, é do próprio Mark Knopfler. Aliás, o disco foi lançado em CD, fita cassete e duas versões em LP: simples e duplo. Enquanto na versão simples do vinil contém as mesmas nove músicas, porém, boa parte delas editadas, situação diferente na edição em LP duplo.

Em “Brothers In Arms“, o Dire Straits mostrou como nunca a sua essência em mesclar Blues e Pop, em um disco repleto de canções que viraram hits e, não é à toa, que o êxito de Mark Knopler e companhia se deu por conta da inspiração do grupo e, além do número expressivo de cópias vendidas, os caras foram receberam dois Grammys: um em 1986 na categoria “Melhor Gravação Projetada – Não Clássica“, outro em 2006 na categoria “Melhor Álbum de Som Surround“, além de ter sido indicado na mesma premiação na categoria “Álbum do Ano“; ainda em 1986, recebeu o Juno Awards, premiação canadense, na categoria de “Álbum Internacional Mais Vendido“; e, em 1987, a obra foi eleita como “Melhor Álbum Britânico” pelo Brit Awards. Além de ter aparecido naqueles rankings da Rolling Stone dos “500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos“, no “100 Maiores Álbuns Britânicos de Todos os Tempos“, da Revista Q, ou, ainda, no livro “1001 Discos que Você Tem que Ouvir Antes de Morrer“.

Para encerrar, “Brothers In Arms” é tão obrigatório para quem gosta de rock quanto a presença da Seleção Brasileira na Copa do Mundo para quem curte futebol.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Brothers In Arms
Intérprete: Dire Straits
Lançamento: 13 de maio de 1985
Gravadora: Vertigo (Reino Unido) / Warner Bros. (Estados Unidos)
Produtores: Neil Dorfsman e Mark Knopfler

Mark Knopfler: guitarra, violão e voz
John Illsley: baixo e backing vocal
Alan Clark: teclados
Guy Fletcher: teclados e backing vocal
Terry Williams: bateria
Omar Hakim: bateria

Sting: vocal de apoio em “Money For Nothing
Michael Brecker: saxofone em “Your Latest Trick
Jack Sonni: sintetizador de guitarra em “The Man’s Too Strong
Tony Levin: baixo em “One World

1. So Far Away (Knopfler)
2. Money For Nothing (Knopfler / Sting)
3. Walk Of Life (Knopfler)
4. Your Latest Trick (Knopfler)
5. Why Worry (Knopfler)
6. Ride Across The River (Knopfler)
7. The Man’s Too Strong (Knopfler)
8. One World (Knopfler)
9. Brothers In Arms (Knopfler)

Por Jorge Almeida

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