Dia Nacional do Livro: a literatura precisa resistir à IA, por Lara Ferry*
Foto meramente ilustrativa. Eu realmente odeio escrever. O processo todo é solitário. É como fazer terapia com uma página, só que a página nem sequer pergunta: “Então, como isso faz você se sentir?” Ela simplesmente fica ali, encarando você. Coloca as coisas diante de você antes que esteja pronto para admiti-las, às vezes antes mesmo de compreendê-las. Publiquei meu primeiro livro há um ano e só agora o reli pela primeira vez. Ele não estava pronto. Não está claro, é confuso, é difícil de explicar. Escrevi com papel e caneta, em sete dias, numa cafeteria em frente a uma pequena padaria judaica perto de casa. Não dormi, não falei com ninguém. Não consigo lembrar a sequência exata dos dias; foi um transe, algo que precisava sair de mim, todo dia o mesmo ritual: acordar, café, escrever sem parar, dormir. Café e picles, olhos inchados, cabelo bagunçado, e eu continuava porque não sabia parar. Vomitei tudo ali, no caos e no cansaço. Muita gente acha que escrever é terapia, desabaf...