Sepultura em sua "última cerimônia" no Cine Joia (05.11.2026)

 

Sepultura em ação no penúltimo show da carreira. Foto: Jorge Almeida

Na noite desta quinta-feira (5), o Sepultura promoveu no Cine Joia, em São Paulo, o que chamou de "The Last Cerimony", um show intimista realizado antes do último ato de sua carreira, que ocorrerá neste sábado (7) no Suhai Music Hall. No repertório, o período abordado foi desde 1989, com clássicos de "Beneath The Remains" até o seu último lançamento, o EP "The Cloud Of Unknowing", que saiu neste ano.

O público foi chegando aos poucos. Alguns postaram nas redes sociais imagens do local, levando os seus seguidores a acreditar que o show seria 'flopado'. Ledo engano. Pois, um pouco antes de iniciar o show, os fãs encheram a casa quase na sua totalidade.

E, por volta das 21h10, as PA’s começaram a ecoar “War Pigs”, do Black Sabbath, o público já se aquecia cantarolando junto com Ozzy o clássico ‘sabático’, seguido de “Polícia”, dos amigos dos Titãs. Logo em seguida, apareceram no palco Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo), Derrick Green (voz) e Greyson Nekrutman (bateria) para começar com tudo com uma trinca absurda: “Arise”, “Dead Embryonic Cells” e “Desperate Cry”, todas do icônico álbum de 1991. Na primeira interação com o público, Andreas Kisser reforçou que iniciou o show com três temas de “Arise” e que era a primeira vez que o Sepultura tocava no Cine Joia.

Em seguida, mais uma trinca, mas de outro disco tão bom quanto: “Beneath The Remains” (1989), a começar com a faixa-título, seguida de “Inner Self” e “Mass Hypnosis”, essa última que os caras não tocavam desde 2019. Enquanto isso, entre um clássico e outro, praticamente em todas as músicas, rolou o stage diving (aquela ‘xaropice’ de fã que sobe no palco durante o show e se joga sobre o público).

Se a apresentação começou com seis temas da era Max Cavalera, nada mais justo que trazer ao repertório outras seis músicas da fase Derrick Green. A começar pela boa “All Souls Rising”, do mais recente lançamento do grupo, o EP “The Cloud Of Unknowing” (2026), acompanhada de “Kairos”, do disco de mesmo nome. Andreas Kisser, em tom de brincadeira, disse que foi “voto vencido” na banda, mas teve de aceitar Derrick Green tocar guitarra e, assim, veio “Mind War”, de “Roorback” (2003); “Against”, do play que marcou a entrada do vocalista norte-americano “mais brasileiro que existe”, de 1998. Andreas Kisser aproveitou para agradecer o vocalista por ter aceitado ingressar no grupo em seu momento mais difícil e, de forma respeitosa, o público ovacionou Green.

Então, veio outra música do material mais recente: “The Place”, acompanhada de “Means To An End”, do ótimo “Quadra” (2020). Só uma pequena interrupção: para quem não conhece esse álbum, recomendo, pois, particularmente, considero o melhor trabalho do Sepultura com Derrick Green nos vocais. E, de volta às trincas, dessa vez, o play contemplado foi o “Roots”, com “Bleed Apart”, “Attitude” e “Dusted". E, terminando a relação dos temas recentes da noite, a “balada do Sepultura”: “Beyond The Dream”, parceria feita com os amigos dos Titãs.

Na reta final, a casa veio abaixo com uma sequência avassaladora de clássicos de “Chaos A.D.” (1993), a começar pelo hino “Territory”, que foi uma das mais celebradas da noite, acompanhada pelas pedradas de “Biotech Is Godzilla”, de Jello Biafra, e “Orgasmatron”, do eterno Motörhead, e “Refuse/Resist”.

O Sepultura faz aquela pausa e, para o bis, o baterista Grevson Nekrutman fez o seu solo de bateria, esbanjando muita técnica e feeling. Os demais retornaram e, evidentemente não poderiam deixar de fora, as obrigatórias “Rathamahatta” e “Roots Bloody Roots”. E, quando as caixas de som começaram a tocar "Easy Lover", clássico fruto da parceria entre Philip Bailey e Phil Colins, para quem não irá ao show de sábado no Suhai Music Hall, a “ficha caiu”: foi o último show do Sepultura. E, assim, o público foi deixando o Cine Joia enquanto os músicos jogavam palhetas e baquetas.

E, se nomes como Pelé e Ayrton Senna fazem o Brasil ser reconhecido mundo afora, com certeza e muito orgulho, o Sepultura também se enquadra nesse quesito: afinal, ontem, hoje e sempre, “SEPULTURA DO BRASIL!”.

A seguir, o setlist do show da noite desta quinta-feira.

1. Arise (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)
2. Dead Embryonic Cells (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)
3. Desperate Cry (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)
5. Inner Self (Letra: Max Cavalera / Andreas Kisser / Música: Sepultura)
6. Mass Hypnosis (Letra: Max Cavalera / Andreas Kisser / Música: Sepultura)
7. All Souls Rising (Letra: Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Derrick Green / Greyson Nekrutman)
8. Kairos (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
9. Mind War (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Igor Cavalera / Música: Sepultura)
10. Against (Letra: Andreas Kisser / Música: Andreas Kisser / Igor Cavalera)
11. The Place (Letra: Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Derrick Green / Greyson Nekrutman)
12. Means To An End (Letra: Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Eloy Casagrande)
13. Breed Apart (Letra: Andreas Kisser / Max Cavalera / Música: Sepultura)
14. Attitude (Letra: Max Cavalera / Dana Wells / Música: Sepultura)
15. Dusted (Letra: Andreas Kisser / Música: Sepultura)
16. Beyond The Dream (Letra e Música: Andreas Kisser / Derrick Green / Sérgio Britto / Tony Bellotto)
17. Territory (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)
18. Biotech Is Godzilla (Jello Biafra)
19. Orgasmatron (Kilmister / Burston / Gill / Campbell)
20. Refuse/Resist (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)
Bis:
21. Drum Solo (Greyson Nekrutman)
22. Rathamahatta (Letra e música: Sepultura / Carlinhos Brown)
23. Roots Bloody Roots (Letra: Max Cavalera / Música: Sepultura)

Por Jorge Almeida, com agradecimentos a Costábile Salzano

 

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