Ozzy Osbourne: 45 anos de “Diary Of A Madman”

 

"Diary Of A Madman", de Ozzy Osbourne, completa 45 anos de lançamento em 2026. 

Neste 7 de novembro, o segundo álbum solo de Ozzy Osbourne, “Diary Of A Madman”, completa 45 anos de lançamento. Gravado entre 9 de fevereiro e 23 de março de 1981, no Ridge Farm Studio, em Rusper, na Inglaterra, o disco saiu pela Jet e foi produzido por Max Norman, Ozzy Osbourne, Randy Rhoads e Bob Daisley.

Com a participação crucial do guitarrista Randy Rhoads, responsável por grande parte de sua identidade musical, com riffs marcantes, melodias elaboradas e solos extraordinários, o material também contou com Bob Daisley no baixo e Lee Kerslake na bateria, além de Johnny Cook nos teclados.

O álbum abre com “Over The Mountain”, uma faixa pujante, marcada pela bateria intensa e pela guitarra inspirada de Rhoads. Na sequência, “Flying High Again” apresenta um dos grandes momentos do disco, com um riff pesado, melódico e um solo espetacular. Enquanto isso, “You Can’t Kill Rock And Roll” traz uma construção mais suave e melódica, alternando momentos suaves com passagens de maior magnitude, celebrando o espírito de liberdade do rock. Já “Believer”, Ozzy e companhia investem em uma sonoridade mais pesada e arrastada, com um riff poderoso e uma atmosfera misteriosa.

A quinta música, “Little Dolls”, sustenta a essência do Heavy Metal clássico, assentando peso e melodia, enquanto apresenta uma temática ligada ao ocultismo e ao vodu. Em contraste, “Tonight” é uma bela balada, conduzida pelas linhas suaves de guitarra de Randy Rhoads e por um refrão que ganha amplitude sem perder sua delicadeza. “S.A.T.O.” retoma o peso e a velocidade, com guitarras agressivas e uma letra que sugere mudança e renovação. Encerrando o trabalho, a faixa-título “Diary Of A Madman” proporciona uma composição sofisticada, que alterna momentos suaves e explosões de intensidade, acompanhando uma temática de confusão mental e loucura. Uma canção épica, absolutamente fantástica. Uma das melhores da carreira solo de Ozzy Osbourne.

Em 22 de agosto de 1995, o álbum foi relançado e, em 2002, houve mais um novo lançamento, que teve a parte da bateria e baixo regravados pelos então músicos da banda de Ozzy na época: Robert Trujillo e Mike Bordin, baixista e baterista, respectivamente. Tal atitude foi alvo de críticas por parte dos fãs, que ficaram insatisfeitos pela substituição da gravação original feita por Bob Daisley e Lee Kerslake. E também na época do lançamento do disco, em 1981, o baixista Rudy Sarzo e o baterista Tommy Aldridge foram creditados e tiveram suas fotos no encarte, mas Daisley e Kerslake foram os responsáveis pelas gravações no estúdio.

Ainda, segundo Daisley, o atual integrante do Deep Purple, Don Airey, foi creditado como tecladista, mas quem gravou foi um músico de estúdio chamado Johnny Cook, já que Airey não estava disponível por estar excursionando com o Rainbow de Ritchie Blackmore.

Depois de todo o imbróglio em torno da versão lançada em 2002, que não continha nenhum comunicado que a gravação foi alterada, a gravadora passou a colocar um adesivo nas capas dos CDs com os dizeres: “contém regravações do baixo e da bateria”.

Curiosamente, algumas músicas contam com intros com guitarras acústicas, como “You Can’t Kill Rock And Roll”, “S.A.T.O.”, “Tonight”, além da faixa-título. E o disco é o trabalho favorito de Ozzy Osbourne dentre todos os seus lançamentos.

Apesar do bom momento do Madman, nem tudo foi às mil maravilhas para Ozzy na época. Pois foi durante a “Diary Of A Madman World Tour”, que o vocalista sofreu uma das maiores tragédias: em 19 de março de 1982, durante uma parada na viagem que levaria Ozzy a Orlando (Flórida) para um show, parte da banda decidiu descansar a bordo do ônibus e o motorista, que também tinha licença para pilotar, convidou Jake Duncan e Don Airey para fazer um passeio aéreo e ao aterrissar, estendeu o convite a Randy Rhoads e Rachel Youngblood (maquiadora). E entre uma manobra e outra, o piloto resolveu lançar o avião contra o veículo a fim de assustar, mas o que era para ser uma brincadeira virou uma tragédia: a asa esquerda do avião raspou no teto do ônibus, bateu num pinheiro e caiu na garagem de Jerry Calhoun explodindo e destruindo tudo, matando o piloto, a maquiadora e Randy Rhoads.

Como fã incondicional e confesso de Ozzy Osbourne, só digo uma coisa: ouça o disco e não o empreste a ninguém.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Diary Of A Madman
Intérprete: Ozzy Osbourne
Lançamento: 7 de novembro de 1981
Gravadora: Epic Records
Produtores: Max Norman, Ozzy Osbourne, Randy Rhoads e Bob Daisley

Ozzy Osbourne: voz
Randy Rhoads: guitarra
Bob Daisley: baixo, gongo, guitarra e backing vocal
Lee Kerslake: percussão, bateria, sinos e tímpano
Johnny Cook: teclado

Robert Trujillo: baixo (no relançamento de 2002)
Mike Bordin: bateria (no relançamento de 2002)

1. Over The Mountain (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
2. Flying High Again (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
3. You Can’t Kill Rock And Roll (Osbourne / Rhoads / Daisley)
4. Believer (Osbourne / Rhoads / Daisley)
5. Little Dolls (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
6. Tonight (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
7. S.A.T.O. (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
8. Diary Of A Madman (Osbourne / Rhoads / Daisley / Kerslake)
Faixa bônus:
9. I Don’t Know (live) (Osbourne / Rhoads / Daisley)

Por Jorge Almeida

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