Nazareth: 55 anos do autointitulado álbum

 

"Nazareth", o autointitulado disco da banda escocesa completa 55 anos de lançamento em 2026.

Hoje, 4 de novembro, o disco de estreia dos escoceses do Nazareth, o autointitulado álbum, completa 55 anos de lançamento. Gravado nos estúdios londrinos AR e Trident, a obra foi produzida por Dave Hitchcock e lançado originalmente pela Pegasus no Reino Unido e pela Warner Bros., nos Estados Unidos.

A história do Nazareth teve início em 1961, na cidade de Dunfermline, na Escócia, quando o grupo ainda se chamava The Shadettes e se dedicava a apresentações de covers em clubes e eventos locais. A entrada do guitarrista Manny Charlton, em 1968, foi essencial para a mudança de direção musical, estimulando a criação de composições próprias e a adoção de uma sonoridade mais pesada. Posteriormente, inspirados pela letra de "The Weight", da banda The Band, os músicos escolheram o nome Nazareth e decidiram se mudar para Londres em busca de melhores ensejos. Com o apoio do empresário Bill Fehilly e a orientação inicial de Roger Glover, baixista do Deep Purple, o grupo conseguiu um contrato com a Pegasus Records e começou a preparar seu primeiro álbum.

Formado por Dan McCafferty (vocais), Manny Charlton (guitarra), Pete Agnew (baixo) e Darrell Sweet (bateria), o quarteto promoveu um trabalho que, apesar de ainda longe do peso e da personalidade que marcariam seus grandes discos nos anos seguintes, o disco já demonstrava algumas virtudes e personalidade própria. Produzido por Dave Hitchcock, o álbum trouxe influências de Blues Rock, Hard Rock, Psicodelia e Folk Rock, despontando uma banda inventiva, disposta a procurar diferentes caminhos musicais.

O disco abre muito bem com "Witchdoctor Woman", uma das melhores composições do repertório. O riff de guitarra de Manny Charlton é marcante, pesado e envolvente, trazendo à memória o trabalho de grandes nomes do rock britânico da época, especialmente o Led Zeppelin. A voz rouca e enérgica de Dan McCafferty também chama a atenção logo nos primeiros minutos, enquanto o baixo de Pete Agnew e a bateria de Darrell Sweet garantem uma base rítmica sólida. Na sequência, "Dear John" apresenta uma sonoridade mais descontraída, com um piano bastante simpático e uma melodia cativante. A faixa foi lançada como single e se tornou um dos destaques do álbum.

Já "Empty Arms, Empty Heart" retoma o lado mais pesado da banda, explorando alternações de andamento e intercalando momentos mais acelerados com passagens cadenciadas. As guitarras de Charlton e a bateria de Sweet regem a composição com envergadura, comprovando que o grupo já tinha uma boa habilidade de desenvolver arranjos convenientes. Em contraste, "I Had a Dream" apresenta um clima mais delicado e melódico, com elementos acústicos e Pete Agnew assumindo os vocais principais. É uma das primeiras demonstrações da sensibilidade musical do grupo, que consegue deixar de lado o peso das guitarras para explorar uma interpretação mais intimista. 

Em "Red Light Lady", a banda volta a mostrar sua força no Blues Rock, com destaque para a linha de baixo de Pete Agnew, simples, firme e bastante presente. A composição apresenta mudanças elogiáveis em sua desenvoltura, congregando elementos de órgão e cordas que enriquecem o arranjo. Já "Fat Man" adota uma direção mais nebulosa, com guitarras pesadas e uma interpretação vocal mais grave de McCafferty. Apesar de ser um dos temas mais peculiares do play, sua proposta é um pouco aleatória quando comparada aos melhores momentos do disco.

Depois, em "Country Girl", os caras seguem por um caminho diferente, misturando elementos de Folk Rock e Country em uma composição mais leve, com destaque para o piano e a melodia. É uma faixa que adianta o acondicionamento do Nazareth em experimentar distintas sonoridades, mesmo que ainda não apresente a mesma força das composições mais pesadas. 

Um dos momentos mais atraentes do álbum aparece em "Morning Dew", um cover de Bonnie Dobson. Com aproximadamente sete minutos de duração, a música recebe uma roupagem psicodélica, marcado pelo baixo pulsante, pelas guitarras carregadas de efeitos e por um clima crescente e hipnótico. A versão do Nazareth transforma a canção em uma experiência musical bastante particular, que também contribuiu a despertar o interesse dos alemães pelo grupo escocês.

Para finalizar, "The King Is Dead" apresenta uma composição de caráter épico, combinando instrumentos acústicos, arranjos de cordas e uma pegada que expede a elementos medievais. É uma escolha importante para finalizar o álbum, mostrando mais uma vez a polivalência do grupo e sua disposição para experimentar diferentes possibilidades dentro do rock.

Portanto, “Nazareth”, o disco, está distante de ser o trabalho mais pesado ou definitivo da banda, especialmente quando comparado a clássicos posteriores como “Razamanaz” (1973) e “Hair Of The Dog” (1975). Ainda assim, é um disco de estreia bastante interessante, que reúne boas composições, arranjos criativos e uma formação já capaz de demonstrar personalidade.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Nazareth
Intérprete: Nazareth
Lançamento: 4 de novembro de 1971
Gravadora/Distribuidora: Pegasus (Reino Unido) / Warner Bros. (Estados Unidos)
Produtor: Dave Hitchcock

Dan McCafferty: voz
Darrell Sweet: bateria e backing vocal
Pete Agnew: baixo, guitarra, backing vocal e voz em "I Had A Dream"
Manny Charlton: guitarra e backing vocal

Dave Stewart: órgão em "Red Light Lady" e harmônio em "I Had A Dream"
Pete York: congas, mandíbula (percussão) e pandeiro em "King Is Dead"
BJ Cole: slide guitar em "Country Girl"
Colin Frechter: arranjos para cordas e metais em "Red Light Lady" e "King Is Dead”
Pete Wingfield: piano em "Dear John" e "Country Girl"

1. Witchdoctor Woman (Charlton / McCafferty)
2. Dear John (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)
3. Empty Arms, Empty Heart (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)
4. I Had A Dream (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)
5. Red Light Lady (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)
6. Fat Man (Agnew / Charlton / McCafferty)
7. Country Girl (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)
8. Morning Dew (Dobson / Rose)
9. King Is Dead (Charlton / McCafferty / Agnew / Sweet)

Por Jorge Almeida


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