Engenheiros do Hawaii: 35 anos de “Várias Variáveis”

 

"Várias Variáveis", do Engenheiros do Hawaii, completa 35 anos de lançamento em 2026.

Neste mês, o quinto disco de estúdio do Engenheiros do Hawaii, “Várias Variáveis”, completa 35 anos de lançamento. Gravado durante o inverno de 1991 nos estúdios da BMG, no Rio de Janeiro, o material foi produzido pela própria banda, assim como o álbum anterior, e lançado pela BMG.


Depois do sucesso arrebatador de “O Papa É Pop“, o Engenheiros do Hawaii partiu para a gravação do novo disco, deixando uma sonoridade mais crua e com menos influência eletrônica. O resultado é que, para alguns, a obra saiu menos inspiradas em termos de sonoridade, embora contenha temas que viraram clássicos na trajetória da banda, especialmente àquelas que foram regravadas com arranjos diferentes, como “Piano Bar“, por exemplo.


O álbum abre com “O Sonho É Popular“, uma música curta, com menos de dois minutos de duração, tendo como base instrumental “Nunca É Sempre“, que encerra a obra, e nos vocais, Gessinger grava duas vozes, uma sobrepondo a outra, e citando frases de outras músicas. Depois, aparece “Herdeiro da Pampa Pobre“, música do conterrâneo Gaúcho da Fronteira, em que a banda apresenta um instrumental em ritmo acelerado e uma letra com uma tonalidade sociopolítica e se tornou um clássico do grupo. A faixa três é “Sala Vip“, que traz uma desordenada ligação de ideias em uma faixa tipicamente rock, com guitarra-baixo-bateria e com alguns efeitos implantados nas falas no trecho final. Posteriormente, uma das melhores baladas do grupo: a ótima “Piano Bar“, que começa com piano (ah vá!) com um belo solo de Licks, fortes marcações e virada de Carlos Maltz e um vocal alucinado de Gessinger que fala sobre um amor condicional. Particularmente, essa música me traz uma recordação muito boa em um momento pessoal da minha vida. Na sequência, “Ando Só“, que começa com uma voz feminina dizendo: “Driver, follow that car!“, e o barulho do motor do carro dando partida para, em seguida, guitarra e bateria aparecerem com tudo. Uma música bem construída e que ganhou uma releitura no disco ao vivo seguinte dos caras, “Filmes de Guerra, Canções de Amor” (1993). Já em “Quartos de Hotel“, que começa no violão e depois aparece os três mandando muito bem na canção que fala a respeito da solidão na estrada (afinal, os Engenheiros do Hawaii estavam excursionando de forma absurda por conta do sucesso do disco anterior). O play chega ao meio com a sua faixa-título, um tema instrumental curto que remete um dial em busca de uma estação de rádio específica.


Na sequência da obra, a clássica “Sampa no Walkman“, que faz uma alusão à icônica “Sampa“, de Caetano Veloso (sim, aquela que fala que acontece alguma coisa no coração dele quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João), com direito a mencionar a um grande símbolo da cidade de São Paulo: os Demônios da Garoa. Outro tema com uma letra forte vem em seguida: “Muros e Grades“, que trata da alienação da vida que temos nas grandes cidades, nos distanciando cada vez mais de uma vida saudável, aliás, bem atual. Tocou bastante nas rádios e foi bastante aclamada pelos fãs. A música dez é “Museu de Cera“, que tem uma letra que trata do senso crítico e traz uns trechos narrados por Cid Moreira, na época, âncora do Jornal Nacional. Em seguida, em “Curtametragem“, faixa capitaneada no piano, com uns solos de violão e que visa “resumir” o Brasil com menções a “termos genuinamente brasileiros”, como “Tropicalismo, Bossa Nova, Rei Pelé“, parece ter sido feita durante um ensaio da banda. O tema seguinte é “Descendo a Serra“, que mantém o estilo piano, violão e, depois, aparece a parte percussiva e que, aparentemente, o interlocutor parece ir sem o destino certo. A penúltima música é “Não É Sempre“, uma faixa bem Hard Rock com destaque total para a guitarra de Augusto Licks, exalando solos que perpetuaram a cabeça dos fãs do grupo gaúcho. E, para fechar, “Nunca É Sempre“, que é uma continuação da faixa anterior, com uma história bem ligada à canção que a antecedeu e a melodia da faixa de abertura e que termina com um seco “fim”, dito sem rodeios por Humberto Gessinger.


A capa do disco foi criada pelo próprio Humberto Gessinger, que apresenta uma imensa engrenagem em forma de serpente o próprio rabo com o grupo dentro, além de várias outras referências, como “O Homem Vitruviano” (de Leonardo da Vinci), o trocadilho “Beba Chimarrão” em uma alusão ao logotipo da Pepsi, os emblemas de Grêmio e do Internacional (embora seja gremista assumido, Gessinger provavelmente não quis causar problemas com a “outra metade” do Rio Grande do Sul), só para citar alguns.


Contudo, mesmo não tendo o mesmo apelo comercial que “O Papa É Pop”, em “Várias Variáveis” foi mostrada a capacidade musical que GLM tem de se reinventarem e não decepcionarem quem curte o genuíno rock gaúcho. Um clássico ‘noventista’ com louvor e que vale a aquisição.


A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Várias Variáveis
Intérprete: Engenheiros do Hawaii
Lançamento: 4 de novembro de 1991
Gravadora/Distribuidora: BMG
Produtor: Engenheiros do Hawaii


Humberto Gessinger: voz, baixo, piano e midi pedalboard
Augusto Licks: guitarras de seis e 12 cordas, violão e midi pedalboard
Carlos Maltz: bateria e percussão


1. O Sonho É Popular (Humberto Gessinger)
2. Herdeiro da Pampa Pobre (Gaúcho da Fronteira / Vaine Darde)
3. Sala Vip (Humberto Gessinger)
4. Piano Bar (Humberto Gessinger)
5. Ando Só (Humberto Gessinger)
6. Quartos de Hotel (Humberto Gessinger)
7. Várias Variáveis (Humberto Gessinger / Augusto Licks / Carlos Maltz)
8. Sampa no Walkman (Humberto Gessinger)
9. Muros e Grades (Humberto Gessinger / Augusto Licks / Carlos Maltz)
10. Museu de Cera (Humberto Gessinger / Augusto Licks / Carlos Maltz)
11. Curtametragem (Humberto Gessinger / Augusto Licks / Carlos Maltz)
12. Descendo a Serra (Humberto Gessinger)
13. Não É Sempre (Humberto Gessinger)
14. Nunca É Sempre (Humberto Gessinger)

Por Jorge Almeida

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lula reeleito!

Elymar Santos reúne público no Tokio Marine Hall em show de quatro horas com participação de Moacyr Franco *

Renegado lança MargeNow *