Deep Purple: 15 anos de “The BBC Sessions 1968-1970”
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| "The BBC Sessions", do Deep Purple, completa 15 anos de lançamento em 2026. |
Hoje, 7 de novembro, o álbum duplo “The BBC Sessions 1968-1970”, do Deep Purple, completa 15 anos de lançamento. Com gravações realizadas entre 18 de junho de 1968 e 23 de setembro de 1970, nos estúdios da BBC, em Londres, o material saiu pela EMI. O compilado foi originalmente transmitido em diferentes programas da emissora britânica e representa um extraordinário registro de uma fase fundamental da trajetória da banda. São 27 temas distribuídas em dois CDs, que documentam a transição da primeira formação, conhecida como Mark I, para a clássica Mark II, responsável por consolidar o Deep Purple como um dos grandes nomes do hard rock.
A grande importância deste lançamento está na possibilidade de seguir a evolução musical do grupo através de gravações que apresentam a banda em plena fase de experimentação e maturação. Apesar de boa parte do repertório tenha circulado anteriormente em coletâneas e outros relançamentos, esta edição traz as sessões sobreviventes da BBC em ordem cronológica, propiciando uma concepção mais completa daquele período.
Vale ressaltar que as gravações são em mono, ou seja, não têm o isolamento de canais esquerdo e direito característica do som estéreo. No entanto, isso não chega a prejudicar a experiência, mas determina que o ouvinte inclua o contexto em que esse material foi produzido. Naquela época, as sessões de rádio eram efetivadas de forma bastante direta, com pouco tempo para preparação e gravação. As bandas entravam no estúdio, executavam algumas músicas, participavam de entrevistas e logo davam lugar à próxima atração. Mais ou menos o que a extinta Transamérica fazia com o seu “Estúdio Ao Vivo”. Por isso, que o material apresentado reúne performances espontâneas, com algumas imperfeições técnicas, mas que resguardam a energia e a personalidade dos músicos.
O primeiro CD é focado na primeira formação do Deep Purple, a MK I, com Rod Evans nos vocais, Ritchie Blackmore na guitarra, Jon Lord nos teclados, Nick Simper no baixo e Ian Paice na bateria. Esse período mostra um Deep Purple ainda procurando sua identidade musical, provando diferentes influências e estabelecendo as bases do som que se tornaria sua marca registrada. Entre os principais destaques estão as duas versões de "Hush", cover de Joe South e que a banda toca até hoje, a envolvente "Emmaretta" e o excelente instrumental "Wring That Neck", no qual Jon Lord e Ritchie Blackmore demonstram nitidamente a força de suas relativas contribuições musicais.
Também merecem atenção faixas como "Hey Bop A Re Bop" e "The Painter", que apresentam influências de funk e soul, além de "One More Rainy Day", que contém um clima mais psicodélico, bastante característico do final dos anos 1960. Outro momento atraente é a interpretação de "Help!", dos Beatles, que recebe uma abordagem bastante distinta da versão original dos Fab Four. Já "Hey Joe", conhecida na versão de Jimi Hendrix, mantém uma base mais próxima da interpretação que popularizou a música, oferecendo a Blackmore uma excelente chance para mostrar sua personalidade na guitarra.
O primeiro disco também traz uma breve entrevista com Rod Evans, com duração de aproximadamente um minuto e meio. Embora não apresente informações muito aprofundadas, é um registro interessante para quem deseja conhecer melhor a primeira formação da banda. O CD termina com novas versões de "The Painter" e "Hush", extraídas de uma transmissão de rádio e acompanhadas pela apresentação do locutor, proporcionando uma boa ideia de como o Deep Purple era divulgado naquela época.
Já o segundo CD apresenta as primeiras performances da Mark II, a formação clássica do Deep Purple que todos nós conhecemos: Ian Gillan nos vocais e Roger Glover no baixo, ao lado de Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Paice. A entrada de Gillan e Glover concebeu uma transformação importante na sonoridade do grupo. Com uma voz muito mais potente e versátil e uma base rítmica mais consistente, o Deep Purple passou a elaborar um som mais pesado, intenso e próximo daquele que seria apresentado no clássico álbum “In Rock” (1970).
Essa mudança fica manifesta logo na abertura, com "Ricochet", uma faixa que já assinala para a direção musical que a banda seguiria nos anos seguintes. Na sequência, "Bird Has Flown" faz uma breve ligação com o passado, antes de o novo estilo ganhar força em "Speed King". Outros grandes destaques são "Hard Lovin' Man", "Bloodsucker" e "Black Night", tocadas em versões registradas antes de suas gravações definitivas e do sucesso que alcançariam posteriormente.
Ouvir essas interpretações é sobretudo atraente porque possibilita acompanhar o método de desenvolvimento das músicas e compreender como alguns temas foram sendo aprimoradas até chegarem às versões que conhecemos. Entre as faixas menos conhecidas, "Living Wreck" chama a atenção pela qualidade da execução, enquanto "Grabsplatter" se destaca como um instrumental rápido e bastante intenso, demonstrando a habilidade técnica dos músicos.
O segundo CD também inclui uma entrevista com Jon Lord, consideravelmente mais extensa e interessante do que a conversa apresentada no primeiro disco. Nela, o tecladista comenta principalmente aspectos relacionados à produção de "Black Night". Entretanto, o grande momento dessa parte do álbum fica reservado para o encerramento, com "Child in Time". A faixa aparece em uma de suas primeiras versões, revelando toda a força interpretativa de Ian Gillan e a perfeita combinação entre os teclados de Jon Lord e a guitarra de Ritchie Blackmore. Mesmo sendo uma gravação inicial, a execução já demonstra a grandiosidade que transformaria a música em um dos maiores clássicos da história do Deep Purple e do rock.
Outro fator positivo desse material com um livreto de dez páginas, bastante detalhado e bem ilustrado, com informações sobre as sessões e as músicas apresentadas. A qualidade sonora varia um pouco no primeiro CD, principalmente em razão das diferentes fontes utilizadas nas gravações, mas as limitações são pequenas. O segundo disco apresenta uma qualidade de áudio ainda melhor, tornando a audição bastante agradável.
No geral, o play é não é uma mera coletânea de gravações antigas. É um registro histórico que possibilita conhecer de perto duas fases distintas do Deep Purple e testemunhar a transformação de uma banda ainda em busca de sua identidade em um dos maiores nomes do hard rock mundial. As versões alternativas, os covers, os registros raros e as primeiras interpretações de músicas que se tornariam clássicos fazem deste álbum duplo um lançamento especialmente valioso. Para os fãs do Deep Purple, um material obrigatório. Para quem não é, mas gosta de rock, vale pela curiosidade.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Álbum: The BBC Sessions 1968-1970
Intérprete:
Deep Purple
Lançamento:
7 de novembro de 2011
Gravadora/Distribuidora:
EMI
Ritchie
Blackmore: guitarra
Jon
Lord: órgão, teclados e backing vocal
Ian
Paice: bateria
Rod
Evans: voz (CD 1)
Nick
Simper: baixo e backing vocal (CD 1)
Ian
Gillan: voz (CD 2)
Roger
Glover: baixo (CD 2)
CD
1 - Mark I:
1. Hush
(South)
2. One
More Reiny Day (Lord / Evans)
3. Help!
(Lennon / McCartney)
4. And
The Address (Blackmore / Lord)
5. Hey
Bop a Re Bop (Evans / Blackmore / Lord /
Paice)
6. Emmaretta
(Evans / Blackmore / Lord)
7. Wring
That Neck (Blackmore / Simper / Lord /
Paice)
8. Brian
Matthew Interviews Rod Evans
9. Hey
Joe (Roberts)
10. It's
All Over (King / Berns)
11. The
Painter (Evans / Blackmore / Simper /
Lord / Paice)
12. Lalena
(Donovan)
13. The
Painter (Evans / Blackmore / Simper /
Lord / Paice)
14. I'm
So Glad (James)
15. Hush
(South)
CD
2 - Mark II:
1. Rocochet
(Blackmore / Gillan / Glover / Lord /
Paice)
2. The
Bird Has Flown (Evans / Blackmore / Lord)
3. Speed
King (Blackmore / Gillan / Glover / Lord
/ Paice)
4. Jam
Stew (aka John Stew)
5. Hard
Lovin' Man (Blackmore / Gillan / Glover /
Lord / Paice)
6. Bloodsucker
(Blackmore / Gillan / Glover / Lord /
Paice)
7. Living
Wreck (Blackmore / Gillan / Glover / Lord
/ Paice)
8. Jon
Lord Interview
9. Black
Night (Blackmore / Gillan / Glover / Lord
/ Paice)
10. Grabsplatter
(Blackmore / Gillan / Glover / Lord /
Paice)
11. Into
The Fire (Blackmore / Gillan / Glover /
Lord / Paice)
12. Child
In Time (Blackmore / Gillan / Glover /
Lord / Paice)
Por
Jorge Almeida

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