Avó Inventada estreia no Sesc Vila Mariana e fábula uma nova vida para a avó que a atriz nunca conheceu *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Dirigida por Kenia Dias, montagem estreia em 11 de novembro, com
Ana Paula Lopez e Tâmara David em cena; texto será publicado em três idiomas
por editora italiana
Aos
45 anos, mesma idade em que morreu sua avó paterna, Maria, Ana Paula decidiu
reconstruir a história dessa mulher do norte de Minas Gerais, que nunca
conheceu. Vítima de esquistossomose, sem acesso a tratamento médico, analfabeta
e casada ainda adolescente, Maria deixou poucos registros de sua existência. A
partir dos relatos do pai, a neta mistura fatos e ficção para imaginar outras
possibilidades: e se Maria tivesse aprendido a ler, se tornado professora,
escolhido não ter filhos ou vivido para conhecer a neta?
“Eu
queria inventar um passado novo para ela, como um tipo de reparação mesmo.
Queria que ela tivesse uma oportunidade de ser alfabetizada, de se tornar
professora, como a maioria das netas dela são. Queria que ela tivesse
esperança”, conta Ana Paula.
A
dramaturgia aborda casamento infantil, maternidade compulsória, desigualdade
social e violência patriarcal, relacionando a trajetória de Maria à realidade
de muitas mulheres brasileiras.
“Estou
olhando para um Brasil profundo, para a realidade de milhões de mulheres que
ainda vivem essas situações. Por mais que eu queira inventar um novo passado,
ela vem e traz toda essa dor, toda essa violência que mulheres ainda estão
sofrendo neste instante”, afirma a autora.
A
equipe também considera as necessidades sensoriais de artistas e espectadores
neurodivergentes, com atenção ao desenho de luz e à intensidade sonora,
evitando estímulos que possam provocar desconforto.
“A
gente tem falado que é um duo de presenças. Nenhuma está a serviço da outra,
mas são as duas traçando, falando esse texto pelo movimento, pela palavra, pelo
som, pela música, pela relação entre as duas que se estabelece em cena”,
explica Kenia.
A
diretora destaca ainda a convivência entre humor e tragédia. A avó imaginada
não fica restrita à condição de vítima: retorna, reivindica outras
possibilidades e chega a confrontar a neta.
Sobre
a relação entre as artistas, ela observa que "às vezes vejo duas avós, às
vezes não vejo avó nenhuma, nem neta nenhuma. Às vezes são avó e neta, às vezes
são duas irmãs”.
O
espetáculo também marca a estreia da Mira Teatro, companhia fundada por
Ana Paula e Kenia, parceiras artísticas há mais de uma década. Ana Paula é
professora da Escola de Arte Dramática da USP, e Kenia leciona na Universidade
de Brasília (UnB).
Ao
fabular uma vida que sua avó não pôde ter, Ana Paula questiona as heranças
transmitidas entre gerações e a possibilidade de transformar destinos.
O
analfabetismo, o casamento forçado, a maternidade compulsória e tantas outras
privações de direitos vem à tona. Ao lado dela, Tâmara David também escava
memórias pelas cordas vocais, ampliando essa travessia atemporal e ressaltando
a perspectiva política da obra.
A
montagem investiga a neurodiversidade como linguagem cênica e criação de
presença. Um dos eixos da dramaturgia é a hereditariedade neurodivergente entre
neta e avó. Concebida de forma acessível para a artista DEF e neurodivergente
Ana Paula Lopez, a peça também pesquisa formas de acessibilidade para o público
neurodivergente, que é muito bem-vindo em todas as sessões.
Arrobas
da equipe: @anapaulalopezzz
@taamara_david_a @keniadiasteatro @corporastreado @mira.teatro
@perereca.producoes @luca.s.brandao @monica.montenegro @luquethyy @gylez_
@bolellireboucas
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana
Metrô Ana Rosa
Estacionamento: 125 vagas - R$ 10 a primeira hora + R$ 4 a
hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e
turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 20 a primeira hora + R$ 5 a hora
adicional (outros).
Paraciclo: 16 vagas - gratuito (obs.: é necessário a
utilização de travas de seguranças).
Informações: (11) 5080-3000
Créditos: Dani Valério | Canal Aberto
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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