Deep Purple: 25 anos de “The Soundboard Series”
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| "The Soundboard Series", box com seis CD's duplos do Deep Purple, completa 25 anos de lançamento em 2026. |
Hoje, 26 de outubro, o boxset “The Soundboard Series”, do Deep Purple, completa 25 anos de lançamento. Lançado pela Thames Trompson, o material que reúne seis CD’s duplos com gravações do grupo durante a sua turnê australiana e asiática foi produzido por Drew Thompson.
O lançamento reúne seis apresentações completas e proporciona um
retrato bastante fiel da banda em uma fase de grande atividade, marcada pela
experiência acumulada nos palcos e pela liberdade de explorar diferentes
caminhos musicais. Nos anos seguintes, o grupo continuou concentrado nas
turnês, mantendo sua presença ativa e consolidando essa formação.
A caixa chama a atenção pela qualidade das gravações, feitas
diretamente da mesa de som, a partir de fitas DAT de oito canais. Ao contrário
de muitos registros não oficiais que circulavam entre os fãs, o material traz
os shows completos, com boa definição dos instrumentos e dos vocais. Essa nitidez
é sobretudo importante para contemplar os arranjos elaborados da banda, que,
naquela época, também contava com participações especiais e instrumentistas
adicionais em algumas apresentações.
Os quatro primeiros shows, realizados em Melbourne, Wollongong,
Newcastle e Hong Kong, apresentam repertórios bastante idênticos. Todavia, isso
não quer dizer que as apresentações sejam idênticas. O Deep Purple sempre se solidificou
pela competência de transformar suas músicas ao vivo, principalmente através
dos solos de Steve Morse e Jon Lord, que variam de uma noite para outra. As
pequenas diferenças de interpretação, os improvisos e as mudanças de dinâmica
tornam cada registro atraente para quem acompanha a trajetória do quinteto.
Um dos grandes destaques do box é “Mary Long”,
faixa do álbum “Who
Do We Think We Are” (1973).
A música ganhou cancha no repertório da turnê e se despontou uma escolha
particularmente feliz, com seu ritmo envolvente e uma interpretação que aprecia
ainda mais a composição original. Outra surpresa é “No One Came”, de “Fireball” (1971), que recebe um arranjo
diferenciado com a participação de uma seção de metais. O resultado dá à música
uma sonoridade incomum na discografia ao vivo do Deep Purple.
O álbum de 1971 também é representado por uma versão interessante
de “Fools”. Outras composições menos
exploradas do tracklist do grupo corroboram como o Deep Purple passou a resgatar
canções que haviam recebido pouca atenção nos anos 1970. Outro momento
importante é “When A Blind
Man Cries”,
clássico lado B de “Machine Head”
(1972) que evidencia o lado mais bluesy do Deep Purple e oferece uma
interpretação particularmente expressiva.
Apesar da presença de material clássico, o Purple também permitiu
brechas para improvisações e referências a outros grupos. Durante a introdução
de “Smoke On The
Water”,
Steve Morse costuma inserir riffs conhecidos do rock, transformando o momento
em uma espécie de brincadeira musical. Entre as referências aparecem “Back In Black”, do AC/DC, “Whole Lotta
Love” e “Heartbreaker”, do Led Zeppelin, além de “Stairway To
Heaven”, “Sweet Home
Alabama”, “Little Wing” e “You Really
Got Me”,
esta última em uma abordagem inspirada na versão do Van Halen. Em Tóquio, Morse
também faz uma breve referência a “To Be With
You”, do
Mr. Big, banda bastante popular no Japão.
Outro aspecto que chama atenção é a presença curta de temas do
álbum “Abandon” (1998). Nos quatro primeiros
shows, apenas “'69” aparece, e somente na
apresentação de Melbourne. A faixa foi retirada dos repertórios seguintes,
enquanto outras músicas tiveram sua posição alterada ao longo da turnê. Essa
decisão evidencia que a banda preferiu empregar boa parte do show em seus
clássicos célebres, sem deixar de lado algumas escolhas menos óbvias.
As apresentações australianas também merecem atenção por conta das
participações do cantor Jimmy Barnes, que dividiu os vocais com a banda em “Highway Star” e “Smoke On The
Water”. Aliás,
curiosamente, Barnes foi um dos cotados para assumir os vocais do grupo após a
segunda saída de Ian Gillan, no final da década de 1980, fez alguns testes, mas
foi preterido (possivelmente por Ritchie Blackmore) e o contemplado foi Joe
Lynn Turner. Sua presença nos palcos, portanto, adiciona um elemento histórico
interessante às gravações. Em “Highway Star”, sua interpretação intensa acerta
com a energia da música, enquanto Ian Gillan demonstra estar em ótima forma
vocal.
Os dois shows realizados em Tóquio, nos dias 24 e 25 de março de
2001, são os pontos altos do material. Pois, diferentemente das apresentações
anteriores, esses concertos contam com a participação da New Japan Select
Orchestra, sob a regência de Paul Mann. A colaboração deu continuidade à
proposta apresentada no álbum “Live at the Royal Albert Hall” (2000), e possibilitou que o
Deep Purple executasse novamente uma das obras mais importantes de sua
história: o Concerto for Group and Orchestra,
composto por Jon Lord.
As apresentações japonesas incluem os três movimentos completos do
“Concerto for
Group And Orchestra”,
transformando a segunda metade dos espetáculos em uma experiência musical
bastante distinta dos shows convencionais da banda. A orquestra também
participa de outras músicas, como “Watching The
Sky”, do
álbum “Abandon”, presente apenas na primeira
noite. A combinação entre o rock do Deep Purple e os arranjos orquestrais desenvolve
as possibilidades das composições e comprova a autoridade entre Jon Lord e os
músicos convidados.
A participação de Ronnie James Dio torna esses concertos ainda
mais especiais. O cantor interpreta “Sitting In A
Dream” e “Love Is All”, composições atreladas à
carreira solo de Roger Glover, enquanto Ian Gillan assume os vocais em “Pictured
Within”, de
Jon Lord. Dio também divide os vocais com Gillan em “Smoke On The
Water”, em
uma apresentação que ganha força com a troca de interpretações entre os dois
cantores.
Além disso, o Deep Purple surpreendeu todo mundo ao inserir dois temas
do “Pavarotti do Metal”: “Fever Dreams”, do álbum “Magica” (2000), e o clássico atemporal
“Rainbow In The
Dark”.
Embora tenham estilos bem diferentes das composições características do Deep
Purple, as duas faixas recebem versões persuasivas, acomodadas à sonoridade do
grupo. Particularmente, a performance de “Fever
Dreams” merece atenção especial à parte pela ousadia dos caras em
representar uma escolha menos previsível e por apreciar um álbum que, na época,
ainda não havia recebido o reconhecimento que merecia.
Os shows de Tóquio também resgatam “Wring That Neck” e “Pictures Of
Home”,
duas músicas que raramente apareciam nos repertórios. A primeira ganha um
tratamento próximo ao apresentado em “Live at the Royal Albert Hall”, com os metais assumindo papel
importante no arranjo. Ainda assim, o principal acontecimento é a execução do “Concerto for
Group And Orchestra” (1969) que,
durante muito tempo, permaneceu fora do repertório.
A recuperação da partitura exigiu um trabalho abundante. O
compositor holandês Marco de Goeij dedicou anos à reconstrução da obra, com a
colaboração de Jon Lord, permitindo que o concerto voltasse a ser executado
integralmente. A versão japonesa apresenta diferenças em relação à gravação de
Londres, o que torna esses registros especialmente valiosos para os admiradores
do compositor e da fase mais experimental do Deep Purple.
A caixa está organizada em seis apresentações, distribuídas da
seguinte maneira: os discos 1 e 2 trazem o show de Melbourne, realizado em 9 de
março de 2001; os discos 3 e 4 apresentam Wollongong, em 13 de março; os discos
5 e 6 registram Newcastle, em 14 de março; os discos 7 e 8 correspondem a Hong
Kong, em 20 de março; os discos 9 e 10 apresentam a primeira noite em Tóquio,
em 24 de março; e os discos 11 e 12 registram a segunda noite japonesa,
realizada em 25 de março.
No conjunto, “The Soundboard Series” é um lançamento especialmente condescendente para
colecionadores e admiradores mais dedicados do Deep Purple. A repetição dos
repertórios nos quatro primeiros shows pode ater o interesse de quem procura
apenas uma coletânea de grandes sucessos ao vivo. Em contrapartida, a qualidade
sonora, as variações nas interpretações, as participações especiais e,
sobretudo, os registros orquestrais de Tóquio justificam a importância histórica
do box.
Portanto, para o fã mais dedicado, é um documento precioso de uma
turnê que reuniu repertório clássico, surpresas musicais e momentos únicos da
história da banda.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Álbum: The
Soundboard Series
Intérprete: Deep Purple
Lançamento: 26 de
outubro de 2001
Gravadora/Distribuidora: Thames
Thompson
Produtor: Drew
Thompson
Ian
Gillan:
voz
Jon
Lord:
órgão e teclados
Ian
Paice:
bateria
Roger
Glover:
baixo
Steve
Morse:
guitarra
Músicos
adicionais nos shows de Melbourne, Wollongong, Newcastle, Hong Kong:
Jimmy
Barnes:
voz
Greg
Maundrell:
trompete
Charles
MacInnes:
trombone
Paul
Williamson:
saxofone
Billie
Stapleton, Angie Stapleton e Natalie Miller:
backing vocal
Músicos
adicionais nos shows de Tóquio:
Ronnie
James Dio:
voz
New
Japan Select Orchestra: orquestra
Paul
Mann:
regência
Big
Horns Bee:
metais
Melbourne
2001:
CD
1:
1. Woman From Tokio (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Ted The Mechanic (Gillan
/ Glover / Lord / Morse / Paice)
3. Mary Long (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Lazy (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
5. No One Came (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Black Night (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. Sometimes I Feel Like Screaming (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. 69 (Gillan / Glover /
Lord / Morse / Paice)
9. Smoke On The Water (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
10. Perfect Strangers (Blackmore
/ Gillan / Glover)
CD
2:
1. Hey Cisco (Gillan /
Glover / Lord / Morse / Paice)
2. When A Blind Man Cries (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Fools (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
4. Speed King (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Hush (South)
6. Highway Star (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
Wollongong
2001:
CD
1:
1. Woman From Tokio (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Ted The Mechanic (Gillan
/ Glover / Lord / Morse / Paice)
3. Mary Long (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Lazy (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
5. No One Came (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Black Night (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. Sometimes I Feel Like Screaming (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. Fools (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
9. Perfect Strangers (Blackmore
/ Gillan / Glover)
CD
2:
1. Hey Cisco (Gillan /
Glover / Lord / Morse / Paice)
2. When A Blind Man Cries (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Smoke On The Water (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Hush (South)
5. Highway Star (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
Hong
Kong 2001:
CD
1:
1. Woman From Tokio (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
2. Ted The Mechanic (Gillan
/ Glover / Lord / Morse / Paice)
3. Mary Long (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Lazy (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
5. No One Came (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Black Night (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
7. Sometimes I Feel Like Screaming (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. Fools (Blackmore / Gillan
/ Glover / Lord / Paice)
9. Perfect Strangers (Blackmore
/ Gillan / Glover)
CD
2:
1. Hey Cisco (Gillan /
Glover / Lord / Morse / Paice)
2. When A Blind Man Cries (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
3. Smoke On The Water (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
4. Speed King (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Hush (South)
6. Highway Star (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
Tokyo
- 24/03/2001:
CD
1:
1. Pictured Within (Lord)
2. Sitting In A Dream (Glover)
3. Love Is All (Glover /
Hardin)
4. Fever Dreams (Dio)
5. Rainbow In The Dark (Appice
/ Bain / Campbell / Dio)
6. Watching The Sky (Gillan
/ Glover / Lord / Morse / Paice)
7. Sometimes I Feel Like Screaming (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. The Well-Dressed Guitar (Morse)
9. Wring That Neck (Blackmore
/ Simper / Lord / Paice)
10. Fools (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
11. Perfect Strangers (Blackomore
/ Gillan / Glover)
CD
2:
1. Concerto Movement 1 (Lord)
2. Concerto Movement 2 (Lord)
3. Concerto Movement 3 (Lord)
4. When A Blind Man Cries (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Pictures Of Home (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
6. Smoke On The Water (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
Tokyo
- 25/03/2001:
CD
1:
1. Pictured Within (Lord)
2. Sitting In A Dream (Glover)
3. Love Is All (Glover /
Hardin)
4. Fever Dreams (Dio)
5. Rainbow In The Dark (Appice
/ Bain / Campbell / Dio)
6. Watching The Sky (Gillan
/ Glover / Lord / Morse / Paice)
7. Sometimes I Feel Like Screaming (Gillan / Glover / Lord / Morse / Paice)
8. The Well-Dressed Guitar (Morse)
9. Wring That Neck (Blackmore
/ Simper / Lord / Paice)
10. Fools (Blackmore /
Gillan / Glover / Lord / Paice)
11. Perfect Strangers (Blackomore
/ Gillan / Glover)
CD
2:
1. Concerto Movement 1 (Lord)
2. Concerto Movement 2 (Lord)
3. Concerto Movement 3 (Lord)
4. Pictures Of Home (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
5. Smoke On The Water (Blackmore
/ Gillan / Glover / Lord / Paice)
Por Jorge Almeida

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