Uriah Heep: 30 anos de “Spellbinder: Live”
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| "Spellbinder: Live", do Uriah Heep, completa 30 anos de lançamento em 2026. |
No último dia 1° de julho, o álbum “Spellbinder: Live”, do Uriah Heep, completou 30 anos de lançamento. Gravado ao vivo em Colônia, na Alemanha, em 1994, durante a turnê de divulgação de “Sea Of Light”, o álbum foi produzido pela própria banda e saiu pela Steamhammer / CBH Studios.
O play registra uma das formações mais estáveis do Uriah Heep, com Bernie Shaw nos vocais, Mick Box na guitarra, Phil Lanzon nos teclados e os saudosos Trevor Bolder no baixo e Lee Kerslake na bateria. A obra traz uma banda experiente, segura e ainda bastante vigorosa no palco, conciliando clássicos dos anos 1970 com a sonoridade mais pesada adotada pelo grupo nos anos 1990.
O repertório é um dos principais encantos do disco. Canções como “Stealin’”, “Rainbow Demon”, “The Wizard”, “Circle Of Hands”, “Gypsy”, “Look At Yourself”, “Lady In Black” e “Easy Livin’” recebem interpretações consistentes e, em alguns casos, surpreendentemente vigorosas. “Circle Of Hands”, em particular, chama atenção pela força instrumental, enquanto “Easy Livin’” ganha uma abordagem mais direta e pesada. Algumas músicas menos presentes nos shows da banda naquela época, como “Devil’s Daughter” e “Rainbow Demon”, também ajudam a tornar o repertório assaz aprazível.
Bernie Shaw ratifica segurança e boa presença vocal, embora sua interpretação facilmente seja desigual da de David Byron, vocalista da fase clássica. Ainda assim, as harmonias características do Uriah Heep permanecem bem resguardadas, e a banda mostra entrosagem. Mick Box conduz as guitarras com energia, enquanto Bolder e Kerslake formam uma base rítmica sólida e Phil Lanzon adiciona peso e dinâmica aos arranjos.
Entre as músicas mais recentes, “Bad Bad Man” funciona bem ao vivo, mas não alcança o mesmo impacto dos grandes clássicos. “Words In The Distance”, por sua vez, é uma composição competente, embora pouco memorável. O álbum ainda traz “Sail The Rivers”, faixa das sessões de “Sea Of Light” que ficou fora do disco de estúdio, mas que encontra aqui uma oportunidade de ser conhecida pelo público.
Há também momentos que dividem opiniões, como algumas interações de Mick Box com a plateia e determinadas escolhas do repertório. A inclusão de “Lady In Black”, “Devil’s Daughter” e outras faixas pode agradar aos nostálgicos, mas deixa a sensação de que clássicos como “Sunrise”, “Sweet Freedom”, “Return To Fantasy” ou “Tears In My Eyes” poderiam ter enriquecido ainda mais o setlist.
Apesar dessas limitações, “Spellbinder: Live” está distante de ser apenas um mero registro de uma banda vivendo de seu passado. O álbum prova um Uriah Heep em plena atividade, capaz de revisitar seu repertório clássico sem perder a energia adquirida em sua fase mais moderna. A gravação também reforça a qualidade dessa formação, que posteriormente produziria outros registros ao vivo relevantes.
Em resumo, “Spellbinder: Live” é um bom álbum ao vivo, bem produzido e marcado por performances fortes, especialmente quando a banda revisita seus grandes clássicos. Não chega a ser indispensável diante da extensa discografia ao vivo do Uriah Heep, mas funciona como um retrato convincente da banda nos anos 1990 e como uma boa porta de entrada para quem deseja conhecer essa fase do grupo.
A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.
Álbum:
Spellbinder: Live
Intérprete: Uriah Heep
Lançamento: 1° de
julho de 1996
Gravadora/Distribuidora:
Steamhammer / CBH Studios
Produtor: Uriah Heep
Mick Box: guitarra e
backing vocal
Bernie
Shaw: voz
Lee
Kerslake: bateria e backing vocal
Trevor
Bolder: baixo e backing vocal
Phil
Lanzon: teclados e backing vocal
1. Devil's Daughter
(Byron / Box / Hensley / Kerslake)
2. Stealin' (Hensley)
3. Bad Bad Man (Lanzon)
4. Rainbow Demon (Hensley)
5. Words In The
Distance (Box / Lanzon)
6. The Wizard (Hensley / Clarke)
7. Circle Of Hands (Hensley)
8. Gypsy (Box / Byron)
9. Look At Yourself
(Hensley)
10. Lady In Black (Hensley)
11. Easy Livin' (Hensley)
Faixa Bônus:
12. Sail The Rivers
(Bolder)
Por Jorge Almeida
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