Sepultura: 15 anos de “Kairos”

 

"Kairos", do Sepultura, completa 15 anos de lançamento em 2026.

No dia 24 de junho passado, o álbum “Kairos”, do 12° trabalho de estúdio do Sepultura completou 15 anos de lançamento. Gravado entre dezembro de 2010 e março de 2011, no Estúdio Trama, em São Paulo, o disco foi produzido por Roy Z e marcou a estreia do grupo na Nuclear Blast, gravadora alemã. O play foi o último disco da banda com o baterista Jean Dolabella, que deixaria o grupo meses após o lançamento da obra.

A ideia do álbum está absolutamente conexa ao conceito de tempo, mas não ao tempo cronológico ou simplesmente à passagem dos anos. Andreas Kisser esclareceu que o título representa aqueles momentos cruciais da vida, situações em que uma escolha pode levar uma pessoa de um ponto a outro e mudar completamente seu caminho. Nesse sentido, o álbum trabalha também como uma ponderação sobre o próprio rumo do Sepultura e sobre as transformações que marcaram a banda ao longo de sua história.

Esse ponto de vista auxilia a compreender a sonoridade do disco. Depois de trabalhos que procuraram diferentes conceitos, referências literárias, meios tribais e orquestrações, o Sepultura apresenta aqui uma abordagem mais direta, pesada e concentrada no Thrash Metal. O álbum é trabalhado principalmente a partir de riffs fortes, solos de guitarra, bateria agressiva e uma performance bastante coesa entre os integrantes. É também um dos momentos em que a banda procura concretizar sua identidade sem os irmãos Max e Igor Cavalera, afastando-se pouco a pouco da necessidade de reproduzir a sonoridade de sua formação clássica.

O disco é organizado em quatro atos, separados por pequenas vinhetas que apresentam diferentes datas. Essas passagens robustecem precisamente a ideia de um tempo não linear presente no conceito do álbum. Musicalmente, a abertura com “Spectrum” estabelece o clima do trabalho com uma composição pesada e marcada pela cadência. Logo depois, “Kairos”, faixa-título, aumenta a velocidade e aposta em riffs característicos do thrash metal. “Relentless” mantém essa magnitude e remete, em determinados momentos, à fase de “Chaos A.D.”, com uma sonoridade particularmente enérgica.

Após a vinheta “2011”, o álbum apresenta “Just One Fix”, versão de uma música do Ministry. A escolha combina facilmente com a sugestão pesada e industrial do disco, recebendo uma interpretação bastante próxima da linguagem thrash adotada pelo Sepultura naquele momento. Em seguida aparece “Dialog”, uma faixa que atua mais com a variação de climas e se destaca especialmente pelo refrão. Essa mudança de dinâmica prepara o terreno para “Mask”, uma das músicas mais intensas do álbum e uma das que melhor exprimem sua capacidade de importunar uma resposta física no ouvinte. 

A segunda metade do play inicia com a breve “1433”, outra passagem que mantém a estrutura conceitual baseada em diferentes momentos temporais. Logo depois vem “Seethe”, uma das faixas de maior destaque de “Kairos”. A música readquire com força elementos do thrash metal mais tradicional do Sepultura e apresenta uma bateria bastante eficaz de Jean Dolabella. “Born Strong” segue por outro caminho, explorando um groove mais marcado e fugindo de uma estrutura demasiadamente previsível. Já “Embrace The Storm” diminui um pouco a velocidade e adentra uma cadência diferente antes de o disco voltar a intensificar sua abordagem.

A última parte traz “5772”, mais uma vinheta que funciona como transição, seguida por “No One Will Stand”, faixa que evidencia a influência hardcore presente no álbum e aparece entre seus momentos de maior agressividade. Para encerrar, “Structure Violence (Azzes)” apresenta uma forte influência industrial e fecha o trabalho de maneira pesada, mantendo a coerência com a proposta sonora desenvolvida ao longo do disco.

Entre as principais características de “Kairos” está justamente a consistência de sua formação. Andreas Kisser assume papel fundamental na construção dos riffs e solos, enquanto Jean Dolabella demonstra maior segurança e personalidade na bateria. Paulo Jr. e Derrick Green sustentam a base do grupo, com Derrick apresentando uma atuação agressiva e cada vez mais adaptada à direção musical que o Sepultura vinha adotando.

Mais do que apenas um álbum da fase pós-Cavalera, “Kairos” pode ser interpretado como um registro de transição e afirmação. Com uma sonoridade mais direta, pesada e concentrada no thrash metal, o disco mostra um Sepultura ainda buscando sua identidade definitiva, mas já apresentando maior consistência e personalidade.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist da obra.

Álbum: Kairos
Intérprete: Sepultura
Lançamento: 24 de junho de 2011
Gravadora/Distribuidora: Nuclear Blast
Produtor: Roy Z

Derrick Green: voz
Andreas Kisser: guitarra
Paulo Jr.: baixo
Jean Dolabella: bateria 

Les Tambours du Bronx: percussão em "Structure Violence (Azzes)”

1. Spectrum (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
2. Kairos (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
3. Relentless (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
4. 2011 (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
5. Just One Fix (Jourgensen / Barker / Rieflin / Balch)
6. Dialog (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
7. Mask (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
8. 1433 (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
9. Seethe (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
10. Born Strong (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
11. Embrace The Storm (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
12. 5772 (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
13. No One Will Stand (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
14. Structure Violenc (Azzes) (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
15. 4648 (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green)
Faixas Bônus (edição Deluxe):
16. Firestarter (The Prodigy)
17. Point Of No Return (Letra: Andreas Kisser / Derrick Green / Música: Andreas Kisser / Jean Dolabella / Derrick Green) 

Por Jorge Almeida

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