Os Paralamas do Sucesso: 35 anos de “Os Grãos”
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| "Os Grãos", d'Os Paralamas do Sucesso, completa 35 anos de lançamento em 2026. |
Recentemente, mais precisamente no último dia 20, o álbum “Os Grãos“, o sexto trabalho de estúdio d’Os Paralamas do Sucesso, completou 35 anos de lançamento. Gravado entre maio e junho de 1991, a obra foi lançada pela EMI e teve a co-produção de Liminha, Carlos Savalla e Teabag V (pseudônimo usado por Herbert Vianna).
Na
época que o disco saiu, não só Os Paralamas, mas toda a safra do BRock parecia
sentir os efeitos não só da economia que o País atravessara na época e também
com a chegada de outros gêneros musicais tomando as rádios de assalto, como a
lambada, o sertanejo que pipocou nas novelas globais e o surgimento dos jovens
grupos de pagode romântico que, passados mais de 20 anos, receberam o rótulo de
“pagode 90”. Então, com “Os
Grãos” o trio brasiliense/carioca não teve uma vendagem expressiva,
mas em compensação, os caras estouraram na Argentina, iniciando aí uma ótima
relação com o país vizinho.
O álbum
apresentou uma variedade de referências: desde MPB, passando por eletrônico,
Pop até chegar ao Reggae e os ritmos caribenhos que, nesse caso, já não era
novidade. Mas vale destacar também a evolução de Herbert Vianna como letrista,
que possivelmente deve ter sido motivado ou, se preferir, inspirado em sua nova
companheira a jornalista inglesa Lucy Needham, superando a frustração do
término do relacionamento com Paula Toller.
O
disco começa com “Tribunal
de Bar“, que foi feita por conta de um incidente envolvendo a
banda e o público em um show em que Herbert Vianna mostrara a bunda para a
plateia. Depois, aparece “Sábado“,
um reggae insinuante que fala justamente sobre o dia ensolarado e uma das
primeiras que aborda a relação com Lucy. Gosto muito da presença dos metais na
‘intro’ e também com direito a ter um ‘samples’ de “Good Times, Bad Times“, do Led Zeppelin. Já “Tendo a Lua”
que, talvez, seja a música mais conhecida do disco, em que Herbert afirma na
letra ter deixado as “coisas do passado para trás” (seria uma indireta para
Paula Toller?) e que agora o foco é outro. A faixa fez parte da trilha sonora
da novela “Vamp” (1991).
Depois, vem a faixa-título, que tem a presença de uma bateria eletrônica e uma
letra interessante que fala sobre o aprendizado que juntamos como grãos durante
a vida. Já “Carro
Velho” (não, não é aquela música da Ivete Sangalo (!), mas se
fosse não teria problema algum, afinal, a cantora baiana já cantara um tema
composto por Herbert, vide “Se
Eu Não Te Amasse Tanto Assim“). Aqui, temos a presença da
percussão de Carlinhos Brown e a bateria gravada no bloco Vai que Vem, de
Salvador, e que lembra bastante canções de discos anteriores. E o lado A
termina com “Vai
Valer“, com sua letra incentivadora à vida e destaque para o
belo arranjo de cordas.
O
outro lado da “bolacha” apresenta outro hit do disco: “Trac Trac“, que
é uma versão aportuguesada de “Track Track“, do argentino Fito Páez, e que, ao
contrário da versão original, que é mais sombria, é mais animada e que a letra
fala a respeito da perda de uma pessoa muito querida por Fito. Contudo, vale
destacar a presença do backing vocal da maravilhosa e competente Fernanda Abreu
que, inclusive, fez 60 anos recentemente, mas não aparenta nem ter 40 (!). Em
seguida, em “O
Rouxinol e a Rosa“, tem belos solos de guitarra na canção que
fala sobre o amor entre o pássaro e a flor. Enquanto isso, na linda balada “A Outra Rota“,
Herbert Vianna parece pedir perdão a alguém por um erro cometido no passado e
merece destaque o desempenho do piano de João Fera, o “quarto paralama”.
Posteriormente, em “Dai-Nos“,
o interlocutor fica na espera do tratamento recíproco da pessoa amada (sei bem
o que é isso, Herbert). A faixa “Ah, Maria“, que está presente apenas na versão em
CD da obra, que possui um bonito arranjo de cordas, bem emocionante. O
penúltimo tema é “Não
Adianta“, em que Herbert deixa claro que o negócio é esquecer o
passado e seguir adiante. E, para finalizar, “30 Anos“, que também só aparece no CD, que aborda
sobre as angústias e a expectativa de quem está às vésperas de completar três
décadas de vida (na época, Herbert Vianna tinha acabado de fazer 30 anos, no
dia 4 de maio de 1991).
Enfim,
“Os Grãos” é um bom
disco, embora seja considerado o “patinho feio” na discografia da banda, tanto
que é difícil de o grupo tocar algo dele, que não seja “Tendo A Lua” ou
“Trac Trac (Track Track)”.
Mas, apesar das críticas não tão favoráveis aos Paralamas, foi a partir desse
disco, que a banda conquistou a Argentina, onde são ídolos até hoje. É mais um
daqueles álbuns que para gostar dele, é preciso ouvir mais de uma vez.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist (da versão CD) da obra.
Por
Jorge Almeida

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