Nirvana: 35 anos de “Nevermind”
![]() |
| "Nevermind", do Nirvana, completa 35 anos de lançamento em 2026. |
Pois é, amigos, hoje, 24 de setembro de 2026, marca o 35°
aniversário de um dos álbuns mais emblemáticos do Rock And Roll: o clássico “Nevermind“, o
segundo disco de estúdio do Nirvana. Gravados entre abril de 1990 e junho de
1991, com algumas interrupções no período, no Sound Studios, em Van Nuys, na
Califórnia e no Smart Studios, em Madison, no Wisconsin, o material foi
produzido por Butch Vig e lançado pela DGC.
Na
época em que o álbum foi gravado, Seattle estava rodeado de grandes bandas
locais no cenário underground, tocando em festivais menores e nos pubs locais.
E o Nirvana era uma delas e que havia estreado a carreira fonográfica com o
‘debut’ “Bleach” (1989)
pelo selo independente Sub Pop. De lá para cá, o grupo mudou de baterista, com
Chad Channing dando lugar a Dave Grohl. Com o novo integrante, o grupo entrou
no estúdio e, assim como a gravadora, não viam deslumbro com o lançamento de “Nevermind“, mas por
conta do sucesso do primeiro single do disco – “Smells Like Teen Spirit” -, o disco vendeu bem
mais do que as 350 mil cópias que eles estimavam (nos dias atuais, esse número
superou a marca de 35 milhões de cópias vendidas). Aliás, esse play desbancou “Dangerous” (1991),
de Michael Jackson, do topo das paradas de Billboard 200.
Bom,
a obra começa com o mega hit “Smells
Like Teen Spirit“, que tornou-se uma das músicas mais tocadas
pelas rádios nos anos 1990 e, aliado com a veiculação do videoclipe à exaustão
na MTV, a canção contribuiu fortemente para as vendagens expressivas do disco.
OK, não podemos ignorar que é um clássico definitivo do rock, mas, de tanto
tocar por aí que não ouço com a mesma empolgação de outrora. A faixa seguinte é
“In Bloom“, cujo
videoclipe, feito em preto e branco, remete aos anos 1960, traz uma atmosfera
mais pesada e agressiva. Em seguida, outro clássico absoluto ‘noventista’: “Come As You Are“,
que começa com um dos riffs mais conhecido da história, mas a música se destaca
pela melodia consistente e tranquila e uma letra simples. Posteriormente, em “Breed“, que é
bem agressiva, direta e que deixa uma mensagem bem clara: a liberdade de
escolha. Já em “Lithium“,
que, segundo Kurt Cobain, fala sobre um homem que, depois da morte da namorada,
recorre à religião como “último recurso” para se manter vivo e livrar-se do
suicídio, mas que, conforme Michael Azerrad, biógrafo da banda, o título pode
ser descrito como uma referência a uma afirmação de Karl Marx de que a religião
é “o ópio do povo”. O legal dela é que a melodia começa tranquila e, depois, é
que fica se tornando intensa. Uma das melhores do disco. Na época em que saiu
em LP, o lado 1 terminava com “Polly“, que apesar de aparentar ser uma música que
aborda sobre um papagaio de nome “Polly”
preso na gaiola (aliás, o Hermes & Renato fizeram uma satirização
maravilhosa dessa música na versão “unplugged”), na verdade, fala sobre uma garota
que foi sequestrada e violentava quando voltava de um show de Punk Rock.
A
outra parte de “Nevermind”
começa com “Territorial
Pissings“, um puro punk rock, um som cru em que Kurt Cobain
condena o machismo, conforme o título indica (algo como “mijadas territoriais”)
faz referência ao ato de marcar o lugar e que a banda destila várias frases
criticando esse tipo de comportamento. Em seguida, o play apresenta “Drain You“,
música em que Cobain descreve de forma saudosa do romance avassalador que
tivera com Tobi Vail. O produtor Burch Vigh deixou a canção mais pesada ao
fazer as dobras de guitarra. Na sequência, “Lounge Act“, outra música que Kurt escreveu para
sua ex-namorada. Ela começa relativamente tranquila, mas no segundo trecho, o
vocalista grita a plenos pulmões tudo que gostaria de dizer e que estava
“entalado” na garganta. Depois, vem “Stay Away“, uma das melhores do disco, com o baixo
de Krist Novoselic fazendo a marcação enquanto a velocidade das baquetas de
Grohl já deixa claro a pedrada que temos de ouvir. E Kurt, que era um sujeito
bem “anti-mainstream” faz uma crítica forte a respeito disso, em especial, as
fórmulas fáceis para atingir o sucesso. O penúltimo tema é “On A Plain“,
que foi feita às pressas, mas que fala sobre a vida de Kurt Cobain e como ele
enxergava a sua existência, mas destaques para os trocadilhos incríveis que
fazem presença aqui. E, para encerrar, “Something The Way“, com uma letra bem impactante e
triste em que uma pessoa pede socorro por estar desiludido com a vida. Vale
dizer que em algumas prensagens do CD, a canção “Something In The Way” termina aos 3’52”, mas, após
10 minutos de silêncio, inicia-se uma canção oculta, “Endless, Nameless“, que é apenas uma jam e que não
tem nada demais.
E,
claro, falar de “Nevermind”
sem citar a sua clássica capa é como ir ao Vaticano e não querer ver o Papa.
Como todo mundo sabe, a capa apresenta um bebê nu nadando em uma piscina com
uma nota de dólar preso a um anzol à frente dele, fora de seu alcance. A
criança em questão é Spencer Elden. A ideia para a capa foi concebida por Kurt
Cobain enquanto assistia na televisão um programa que falava sobre partos na
água. Ele citou isso a Robert Fisher, diretor de arte da Geffen, que foi atrás
de algumas filmagens sobre isso, mas as imagens eram muito explícitas. Além
disso, o banco de fotos que controlava a foto de um bebê nadando que eles
escolheram queria US$ 7.500 por ano para seu uso. Em vez disso, Fisher enviou
um fotógrafo, Kirk Weddle, a uma piscina para bebês tirarem fotos. Resultaram cinco
disparos e a banda decidiu-se pela imagem de Spencer Elden, de quatro meses,
filho de um amigo de Weddle. E, claro, que a capa ficou bastante conhecida e
foram feitas várias reproduções, inclusive com o próprio Elden, nas edições de
10°, 17° e 25° aniversários da obra. Porém, no último mês de agosto, Spencer
processou o espólio de Cobain e os membros sobreviventes do Nirvana, alegando
que o uso de sua imagem na capa do álbum foi feito sem o seu consentimento ou
de seus tutores legais, e que a foto violava os estatutos federais de
pornografia infantil, que resultou em “danos vitalícios”. Elden disse que, ao
se recusar a censurar a obra de arte com um adesivo, o Nirvana falhou em
protegê-lo da exploração sexual infantil. Apesar disso, fotos não sexualizadas
de bebês nus não são consideradas pornografia infantil de acordo com a lei dos
EUA. O advogado de Spencer alega que a imagem é considerada pornográfica porque
a presença da cédula de dólar americana remete a situação de que o bebê pareça
um “trabalhador do sexo”.
É
claro que, ao longo dessas três décadas, “Nevermind” foi relançado e ganhou edições especiais,
com destaque para uma versão “Deluxe” para celebrar os seus 20 anos, com quatro
CD’s e um DVD.
Com
o grande sucesso de crítica e de vendas deste álbum, outras bandas também foram
descobertas pelo mainstream e começava assim a hegemonia do grunge no cenário
musical da década de 90. Para muitos, esse foi o último “grande álbum clássico
da história do Rock”. Entendo esse pensamento, mas discordo. Contudo, você pode
até não gostar do Nirvana, mas negar a importância de “Nevermind” é sacanagem.
A
seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.
Por
Jorge Almeida

Comentários
Postar um comentário