Infância antes das telas ganha registro em memórias de autor mineiro *
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| Foto meramente ilustrativa. |
Em "Minhas Memórias
Afetivas", Luís Augusto de Rezende Pena faz um cortejo da própria
realidade para reconstruir a lembrança coletiva de um tempo em que
sociabilidade não era ditada por algoritmos
Antes de smartphones, redes sociais e plataformas digitais
transformarem a maneira como as pessoas se comunicam e se relacionam, o
cotidiano era habitado pela presença. Os vínculos se formavam a partir de
brincadeiras na rua, com pipas, pique-esconde e carrinho de rolimã. É essa
atmosfera nostálgica que o promotor de justiça Luís Augusto de Rezende Pena
recupera ao revisitar a própria trajetória de vida no livro Em Minhas Memórias
Afetivas.
A obra percorre a infância e a adolescência do autor em Ouro
Branco, Minas Gerais, nos anos 80, por meio de relatos que vão da rotina
familiar às amizades construídas na vizinhança e na escola. O retrato
construído no livro, porém, não se limita às brincadeiras. A convivência
aparece como elemento central na formação de pertencimento que atravessa a
narrativa e formou uma geração.
"Esse estado psíquico
conflitante, entre passado, presente e futuro, essa 'crise cinquentenária',
então, parece ter me remetido à necessidade de 'retroceder' no tempo. Talvez,
possa ser, não só como quimérica tentativa de me manter distante da
deterioração ordinária da vida, mas também de perenizar as boas experiências
vividas e, de modo muito especial, obviamente, as pessoas que por mim passaram
e que fizeram de mim o que sou como ser humano" (Em Minhas
Memórias Afetivas, p.12)
A passagem do tempo dá ainda outro sentido ao exercício de
recordar. A própria história de sua mãe, dona Antônia, atravessa esse esforço
de preservação. Entre as lembranças está o “Café das Três”, encontro que reunia
regularmente amigas em sua casa, entre conversas e quitandas. Com o
declínio da saúde dela, uma das poucas memórias permaneceram foi justamente a
saudade daqueles momentos.
As vivências mostram como uma determinada forma de viver produzia
referências e enlaces. O reencontro de antigos amigos em 2024, por exemplo,
evidencia como vínculos construídos naquele período continuaram atravessando o
tempo. Ao colocar lado a lado uma realidade marcada pela presença física e o
modo contemporâneo de estabelecer relações, a obra amplia a discussão para além
da nostalgia.
Trata-se de um registro de uma conjuntura social em que a
descoberta do mundo, as trocas e o próprio desenvolvimento aconteciam sem
mediações. Ao revisitar essa experiência, Minhas Memórias Afetivas transforma narrativas
particulares em uma forma de convivência universal, que marcou toda uma geração
— e convida leitores a reconhecer, nas histórias de Luís, fragmentos de suas
próprias lembranças.
Ficha
Técnica:
Título do
livro: Minhas Memórias Afetivas
Autor: Luís Augusto
de Rezende Pena
Editora:
Dialética
ISBN/ASIN:
978-65-274-1434-6
Páginas: 288
Preço:
R$81,90
Onde comprar: Dialética
Créditos: Bárbara Correa | LC Agência de Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

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