Exposição “O Brasil de Tarsila” no Nubank Arte Lab
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| A releitura "instagramável" de "Abapuru", de Tarsila do Amaral. Foto: Jorge Almeida |
O mais novo espaço cultural da Avenida Paulista estreou em grande estilo
ao promover uma mostra imersiva de uma das maiores artistas brasileiras de
todos os tempos. O Nubank Arte Lab, localizado no Conjunto Nacional, promove a
exposição “O Brasil de Tarsila” até o dia 12 de novembro de 2026 e aborda o
universo de um dos principais expoentes do modernismo brasileiro: Tarsila do
Amaral (1886-1973). Com 14 salas, projeções de 360 graus,
cenografia imersiva, trilha sonora, efeitos especiais, aromas e dispositivos
interativos, a exposição recria digitalmente dezenas de trabalhos da artista.
A
mostra contém obras, entre imersivas, ‘instagramáveis’ e releituras, que despontam de forma
especial como a artista representou o Brasil, combinando imaginação, realidade,
natureza, modernidade, religiosidade e questões sociais. A exposição transforma
suas pinturas em ambientes imersivos e convida o público a conhecer, de forma
interativa, o Brasil imaginado por Tarsila do Amaral.
Logo na
primeira sala, são exibidas 17 obras, algumas ‘instagramáveis’ como a
reprodução de “Cartão Postal” (1929), e algumas em óleo sobre cartão sobre
placa de madeira aglomerada, como “O Touro” (1928) ou “Autorretrato I” (1924),
que “se mexe”. Na sala seguinte, há uma galeria cronológica, com painéis informativos
que curiosidades de Tarsila e de eventos relevantes à época.
Os dois
espaços seguintes, intitulados “Relicários de Tarsila”, há três obras – “Anjos”
(1924), “Reza” (1939) e “Santa Irapitinga do Segredo” (1941) - e no outro
ambiente, o visitante aprecia uma experiência imersiva com as obras “Religião
Brasileira” (1927) e “Religião Brasileira III” (1964).
Já na “Floresta
Tarsiliana”, a inspiração veio em obras como “Manacá”, “Distância”, “O Lago” e “A
Floresta”. Nelas, Tarsila transforma a natureza em um cenário imaginário, com
formas, proporções e cores que rompem com a representação tradicional. A
instalação amplia essa linguagem e leva a vegetação das telas para o espaço
físico da exposição.
Outro
núcleo apresenta o Brasil imaginado pela artista, reunindo personagens, animais
fantásticos, árvores e paisagens presentes em obras como “A Cuca”, “Abaporu”, “Cartão
Postal”, “O Sono”, “Antropofagia” e “Sol Poente”. O conjunto corrobora como
Tarsila criou um orbe próprio, no qual fantasia e realidade se misturam.
A
exposição também aborda a transformação social e urbana do país. Em “Operários”,
de 1933, Tarsila retrata o Brasil em processo de industrialização, urbanização
e formação da classe operária – e o visitante pode interagir e ser um “operário”.
E, quem observar atentamente os personagens retratos, a figura de óculos no
meio da multidão é Mário de Andrade. Já obras como “São Paulo”, “A Gare” e “E.F.C.B.”
mostram uma cidade marcada pelo avanço da infraestrutura e pelo contraste entre
elementos tradicionais e a modernidade.
Um dos
momentos centrais é dedicado à clássica “Abaporu” (foto), obra criada em 1928 e
considerada basilar para o Movimento Antropofágico. A pintura surgiu de uma
figura incomum criada por Tarsila para presentear Oswald de Andrade e acabou se
tornando um dos símbolos mais importantes do modernismo brasileiro.
A
mostra explora ainda diferentes aspectos da produção de Tarsila, como o contraste
entre o dia e a noite em “Sol Poente” e “A Lua”, além do uso de cores, formas
geométricas e referências à cultura brasileira. Esses elementos são
transformados em instalações digitais e cenográficas que permitem ao visitante experimentar
as obras de maneira sensorial.
E, por
fim, já na saída, o público se depara com a lojinha que vende souvernirs,
acessórios e outros apetrechos para guardar de recordação.
A
proposta é estreitar a obra e o legado de Tarsila de novos públicos, sobretudo
crianças, jovens e famílias, utilizando a tecnologia como instrumento para
ampliar a experiência artística. O conteúdo audiovisual foi desenvolvido por
artistas visuais, sem o uso de inteligência artificial na criação, buscando
preservar a identidade estética das obras originais.
Com
curadoria de Paola do Amaral Montenegro (sobrinha-bisneta da artista) e Juliana
Miraldi, a exposição combina pesquisa histórica, recursos tecnológicos e uma
abordagem sensorial para apresentar a trajetória da artista a partir de uma
perspectiva contemporânea.
SERVIÇO:
Exposição:
O Brasil de Tarsila
Onde:
Nubank Arte Lab – Avenida Paulista, 2073 – 1° andar – Cerqueira César
Quando:
até 12/11/2026; de quarta a segunda-feira, das 10h às 22h (com último horário
de entrada às 21h20 e permanência até às 21h45)
Quanto:
ingressos a partir de R$ 25,00 no site da Fever
Por
Jorge Almeida com agradecimentos a Aline Rodrigues

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