Exposição “Carolina Caycedo: Confluências” no MASP
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| A obra "Confluências", de Carolina Caycedo, em exposição no MASP. Foto: Jorge Almeida |
O Museu de Arte de São Paulo (MASP) promove até o próximo domingo, 4 de outubro, a exposição “Carolina Caycedo: Confluências”, que reúne obras em diversos suportes – fotografias, instalações, desenhos e performances – da artista colombiana Carolina Caycedo, criada às margens do Rio Magdalena. A experiência com o rio inspirou a sua produção artística e seu empenho pelos vínculos entre água, comunidade, território e meio ambiente.
Com curadoria de Isabelle Rjeille, a mostra traz trabalhos que estreitam a arte contemporânea dos aprendizados habituais de comunidades ribeirinhas e das maneiras de resiliência de movimentos sociais latino-americanos. O nome da mostra faz referência tanto ao encontro dos cursos de água quanto à adesão de pessoas, culturas e ideias. Entre os destaques estão obras criadas e desenvolvidas com diálogo em comunidades prejudicadas por barragens, planos de infraestrutura e atividades extrativistas.
Vale conferir também a instalação que dá nome à mostra (foto), que foi constituída de maneira colaborativa durante a Cúpula dos Povos, realizada em Belém (PA), no contexto da COP 30. A instalação contém camisetas, bandeiras e outros itens produzidos por integrantes de movimentos sociais, aproximando distintas experiências de resistência em defesa rios, territórios e meio ambiente como um todo.
A vinculação em meio à arte e mobilização social também marca presença nas arpilleras confeccionadas por mulheres atingidas por barragens. Uma delas foi produzida por mulheres de Brumadinho (MG), depois do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 2019. A peça documenta as consequências do acidente ambiental sobre a comunidade e emprega a costura como maneira de memória e denúncia.
Outro nicho relevante da exposição é a série “Cosmotarrayas”, constituída por redes de pesca artesanais complementadas por objetos coletados pela artista. Os trabalhos representam diversas memórias, histórias e estilos de vida relacionadas aos rios. Para a artista, as redes também sintetizam flexibilidade, conexão e resistência.
A exposição ainda apresenta “Minha linhagem feminina da luta” (2018-2019), obra que reúne 72 retratos de nanquim sobre papel desenhados de mulheres ligadas a movimentos sociais e ambientais, como Marielle Franco, Tuíra Kayapó e Dorothy Stang. Vale conferir também obras como “O Colapso de Um Modelo (Brumadinho)” (2026), uma colagem de imagem de satélite, impressão de látex sobre papel de parede livre de PVC; além de três vídeos que percorrem diferentes trajetórias de Caycedo, como “A Gente Rio” (2016), com 29’29” de duração, realizado no contexto da 32ª Bienal de São Paulo e concebida a partir do rompimento da barragem de Mariana em 2015.
A exposição corrobora como os rios e os territórios podem ser compreendidos não apenas como elementos da paisagem, mas também como espaços de vida, cultura e disputa social. Após a passagem pelo MASP, a mostra seguirá para o El Museo del Barrio, em Nova York.
SERVIÇO:
Exposição:
Carolina Caycedo: Confluências
Onde:
Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Edifício Pietro Maria Bardi – Avenida
Paulista, 1578 – Bela Vista
Quando:
até 04/10/2026; terça-feira e sexta-feira, das 10h às 22h; quarta, quinta,
sábado e domingo, das 10h às 18h
Quanto:
R$ 85,00 (inteira); R$ 42,00 (meia-entrada); entrada gratuita às terças-feiras
e sextas-feiras (após às 18h)
Por
Jorge Almeida

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