Danielian leva ao Palácio Capanema o processo de criação dos grandes murais de Portinari *
![]() |
| Foto meramente ilustrativa. |
Numa realização do CAU/RJ, em
parceria da Ethel e do Ministério da Cultura, exposição reúne nove estudos e
pinturas de grandes dimensões relacionados aos Ciclos Econômicos Brasileiros
Setembro
de 2026 - Os estudos e pinturas que antecederam os
monumentais painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros, de Cândido Portinari,
poderão ser vistos de perto no próprio Palácio Capanema, onde o conjunto está
instalado. De 1º
de outubro a 12 de novembro, a exposição Portinari e o
Brasil Moderno apresenta nove trabalhos de grandes dimensões no
Salão Portinari, revelando parte do processo de criação dos murais. A mostra é
realizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ),
com parceria da Danielian, Ethel e Ministério da Cultura.
Os trabalhos reunidos na exposição foram utilizados por
Portinari e seus assistentes durante a execução dos murais e permitem
acompanhar diferentes etapas da criação de um dos conjuntos mais emblemáticos
da produção do artista. A experiência ganha uma dimensão particular por
acontecer no próprio Palácio Capanema, considerado o primeiro projeto oficial
de arquitetura moderna do Brasil. Construído entre 1938 e 1945, o edifício
reuniu Lúcio
Costa, Oscar Niemeyer e Portinari, aproximando arquitetura, artes
visuais e a construção de uma nova imagem cultural para o país.
No centro dessa relação estão os painéis de Ciclos
Econômicos Brasileiros. A partir da trajetória da economia
nacional, Portinari criou 12 pinturas que percorrem diferentes atividades e
ciclos produtivos, da extração do pau-brasil à exploração da carnaúba. Ao
apresentar nove trabalhos relacionados a esse processo, a mostra permite
observar a dimensão monumental do projeto a partir de seus estudos e evidencia
o papel do desenho na produção do artista.
Rafael Peixoto
e Marcus
Lontra assinam o texto de apresentação da mostra Portinari e o
Brasil Moderno, segundo eles a exposição evidencia as relações
entre o modernismo brasileiro, a produção artística e o contexto histórico em
que o Palácio foi construído:
“A partir da conceituação de Afonso Arinos de Mello Franco sobre
a trajetória da economia brasileira, Portinari realizou 12 pinturas que traçam
um panorama que vai da extração do pau-Brasil até o período de crescimento da
exploração da carnaúba. Os nove desenhos que formam a exposição não só revelam
a grande habilidade de Portinari como desenhista, mas também sua importância
como figura central na assimilação do modernismo como utopia de um país.”
A exposição nasce no contexto da Conferência Estadual de
Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU/RJ no Palácio Gustavo Capanema. Ao
aproximar as discussões contemporâneas sobre arquitetura e urbanismo de um
edifício em que arte e arquitetura foram concebidas como partes de um mesmo
projeto, a iniciativa retoma a dimensão transformadora do modernismo e sua
relação com a vida das pessoas. Essa perspectiva também está presente nos
painéis de Ciclos Econômicos Brasileiros, nos quais Portinari coloca os trabalhadores
no centro da narrativa sobre o desenvolvimento nacional. É justamente essa
centralidade no humano que, segundo João Paulo Balsini, do CAU/RJ, estabelece
uma conexão entre a obra do artista e o pensamento que orienta o projeto
moderno:
“Ao consagrar o homem como centro da obra, Portinari evoca o
mesmo propósito que confere sentido ao espaço construído: as pessoas. A
modernidade tangível se realiza na escala humana, a construção de um país se
fundamenta na garantia do princípio da dignidade da pessoa humana e a cidade se
concretiza no pleno direito dos cidadãos ao território. No encontro entre a
poética do artista e a construção de mundo, reafirma-se o compromisso único: o
de projetar a vida a partir de quem a vive.”
Com a reabertura do Palácio Capanema ao público em 2025, após um
minucioso processo de restauro, a exposição oferece a oportunidade de ver os
trabalhos ligados ao processo de criação de Portinari dentro do próprio
edifício que abriga seus murais.
Créditos: Carolina Amoedo | Cor Comunicação
* Este conteúdo foi enviado pela assessoria de
imprensa

Comentários
Postar um comentário